Os petroleiros declararam apoio ao movimento por reivindicar alterações na política de preços da Petrobrás que prejudica a categoria e os consumidores. 

Está prevista para iniciar hoje (01/02) a paralisação nacional dos caminhoneiros. A mobilização está sendo convocada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística (CNTTL), pela Associação Nacional de Transporte no Brasil (ANTB), pelo Conselho Nacional de Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC), entre outras entidades.

O Sindicato Dos Revendedores de Gás anunciou paralisação também para hoje dos serviços de entrega do produto em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, mas pode se estender para outras capitais. Em entrevista ao bahia.ba, o diretor do Sindicato Dos Revendedores de Gás do Estado da Bahia (SinRevGás) Robério Souza, afirmou que a proposta é manter apenas as lojas de revendas abertas ao público, mas sem entregar o gás.

Uma das reivindicações dos caminhoneiros é a mudança da política de preços da Petrobrás, que foi adotada a partir de outubro de 2016 em suas refinarias e responsável pelo grande número de reajustes nos derivados dos combustíveis. O Preço de Paridade de Importação (PPI) possibilita o reajuste dos derivados de acordo com o mercado internacional, em dólares.  Ganharam os “traders” multinacionais, os importadores e distribuidores de capital privado no Brasil. Perderam os consumidores brasileiros, a Petrobrás, a União e os estados federados com os impactos recessivos e na arrecadação.

Em 2018, na gestão Pedro Parente/ Michel Temer (MDB-RJ), estorou a primeira greve dos caminhoneiros contra a política da Petrobrás, provocando desabastecimento em todo o país.

No início, o Preço de Paridade de Importação – PPI, foi utilizado apenas para calcular o preço do diesel e da gasolina. Posteriormente, em 2019, passou a ser adotado também para o GLP (gás de cozinha). Atualmente, o critério é adotado também para o querosene de aviação (QAV). Com o PPI, a exportação de petróleo cru disparou, enquanto a importação de derivados bateu recordes. O diesel importado dos EUA que em 2015 respondia por 41% do total, em 2017 superou 80% do total importado pelo Brasil.

Por conta dos altos preços do gás de cozinha, o IBGE estimou que em 2018, mais de 3 milhões de famílias brasileiras passaram a cozinhar utilizando lenha. Com a pandemia, os dados do Ministério de Minas e Energia mostram que o consumo continua caindo. Em Salvador, por exemplo, o preço médio do gás de cozinha, em está em torno de R$ 90 e poderá chegar a R$ 100 até o fim do primeiro semestre.

Em relação à gasolina, no dia 28/01, entrou em vigor um novo aumento de 5%, isso depois da disparada de 8% em 18 de janeiro. Em 2021, o combustível acumula alta de 13,4%. O diesel também foi reajustado em 4,4%. A verdade é que os consumidores estão pagando um preço muito mais alto do que necessário pelos derivados dos combustíveis.

O Doutor em Economia pela Universidade de Paris, Paulo Kliass, em artigo, diz não ter sentido que o Brasil adote essa política de preços que só se justifica para países que dependem totalmente do petróleo importado. “No nosso caso, pelo contrário, somos auto suficientes graças à nossa grande produção interna. Ao longo de 2017, por exemplo, nosso saldo na Balança Comercial do óleo foi positivo em US$ 3,7 bilhões. Isso significa que exportamos mais do que importamos”.

Entretanto, a empresa quer privatizar as refinarias e, para isso, vem aumentando a capacidade ociosa das unidades, que têm condições de produzir de 95 a 100% do consumo de derivados.  A primeira a ser vendida é a Refinaria Landulfo Alves – RLAM, na Bahia, para o fundo de investimento Mubadala, pertencente ao governo da Arábia Saudita.

A Petrobras é uma empresa de economia mista controlada pelo governo federal atuando em setor estratégico. Nos solidarizamos com a greve dos caminhoneiros e com os consumidores brasileiros.  Precisamos lutar para que a Petrobrás volte a ser forte, a serviço do Brasil, e pratique preços dos combustíveis mais baixos e condizentes com a capacidade de compra dos mais pobres, garantindo a dignidade e a segurança da população de nosso do nosso país.

Na contramão dos interesses nacionais, a Petrobrás adotou uma política entreguista, desmantelando a maior empresa do Brasil e vendendo campos de petróleo, Polos de refino, malhas de dutos, distribuição e outros ativos importantes. O foco somente na produção do Pré-Sal desestimula o desenvolvimento do país e em regiões importantes como o Nordeste, por exemplo, que perdem suas operações e royalties e assim extinguem-se empregos.