Em 1964, o Brasil vivia um momento de ascensão da classe trabalhadora. O governo do presidente João Goulart, atendendo às aspirações do povo, preparava as “Reformas de Base”, que provocariam mudanças significativas na economia, educação, saúde e direitos trabalhistas. Mas, a elite conservadora brasileira, formada pelos empresários, pela imprensa, pelos setores da justiça, da igreja e militares, apoiada pelo governo norte-americano, com a desculpa de lutar contra a implantação do comunismo, decidiu derrubar o governo e instaurar a ditadura militar.

E assim, no dia 31 de março de 1964, o Brasil amanheceu com os tanques de guerra nas ruas. E, a partir daí, foi só repressão e perseguição aos trabalhadores, estudantes, políticos de esquerda, militantes e quem se manifestasse contra a ditadura implantada.  Houve intervenções nos sindicatos e universidades. Teve a destituição de governadores e prefeitos eleitos e cassação dos mandatos dos parlamentares.  Por todo o país, muitos brasileiros foram torturados e mortos pelos militares.

Na Bahia, a Polícia invadiu as sedes dos sindicatos dos petroleiros: Sindipetro e Stiep; suas diretorias foram cassadas e muitos diretores presos e demitidos da Petrobrás. Os policiais também agrediram violentamente todos os que se encontravam nas suas dependências.

Na Refinaria Landulpho Alves (RLAM), em Mataripe, foi instalada uma base do Exército, com celas de cadeia. Muitos trabalhadores foram presos nos seus locais de trabalho, torturados e demitidos. Teve o caso de um companheiro chamado Vivaldo, que os militares usaram os coturnos para bater nas duas mãos e depois arrancaram as unhas, seus testículos foram esmagados com palmatórias, o que lhe causaram sérios problemas de saúde. Esse companheiro, hoje, mora no Amazonas e guarda em uma caixinha todas as unhas arrancadas.

Teve outro caso de um trabalhador que não tinha atuação política, muito menos sindical, mas foi preso porque se chamava Osvaldo. O nome do fundador do Sindipetro, criado em 1959, era Osvaldo Marques de Oliveira. Muitos outros companheiros também foram torturados.

O período da ditadura militar foi terrível, teve todo tipo de atrocidades, uma triste memória, que trouxe prejuízos incalculáveis para o povo brasileiro na educação, formação política e avanço social. É preciso que o povo esteja preparado, conscientizado, atento e mobilizado para impedir outro golpe à democracia, que ameace a nossa liberdade, independência e soberania.