O evento virtual promovido pela AEPET-BA, nesta quarta-feira (31/03), mostrou o encorajamento das mulheres trabalhadoras petroleiras na luta pela igualdade de gênero na Petrobrás. Com a pandemia, novos desafios se apresentaram devido às condições de trabalho impostas pela empresa, como o teletrabalho. As trabalhadoras reclamam do aumento da jornada de trabalho e dificuldades para se adaptar às novas ferramentas digitais.

Esses e outros assuntos foram tratados na Live, mediada pela diretora de Comunicação da entidade, Érika Grisi, e transmitida pelo canal do Youtube e pela página do Facebook da AEPET-BA. Foram 90 minutos de debates.

Foram ouvidos os depoimentos das petroleiras convidadas que lutam nos sindicatos e nas associações por melhores condições de trabalho e mais direitos para as petroleiras. Isso, por conta do ambiente de trabalho majoritariamente masculino e machista, onde as mulheres são minoria.

Única mulher a integrar o Conselho de Administração da Petrobrás, representando os trabalhadores, a geóloga Rosangela Buzanelli, 34 anos de empresa, lembrou as dificuldades no início de carreira, na equipe sísmica, acampando com mais de 200 homens, no meio do mato, e as penalidades sofridas, tendo avaliação baixa, quando reivindicava melhorias nas condições de trabalho para as petroleiras.

Rosangela foi uma das convidadas do evento cujo tema foi “A coragem da mulher petroleira – Impactos da privatização da Petrobrás e da pandemia na rotina das trabalhadoras”. Ela explicou que vem adiando a aposentadoria porque ainda tem muito a fazer pela categoria e pela Petrobrás. “As gerações mais novas precisam saber como foi o pioneirismo na trajetória da Petrobrás graças a dedicação, trabalho de todas as trabalhadoras e trabalhadores desta empresa. Uma gigante nacional, orgulho de todos nós, e por isso precisamos lutar por ela”

A luta pela igualdade de gênero na Petrobrás

Outra convidada foi a vice-diretora de Comunicação da AEPET-nacional, Patrícia Laier, que mostrou a publicação da Associação Americana de Geologia e Petróleo (AAPG em inglês) divulgada na década de 1970, apontando a importância dos campos terrestres gigantes de petróleo. Nesse estudo, são considerados gigantes, os seis maiores campos terrestres localizados no recôncavo baiano (Buracica, Candeias, Água Grande, Dom João, Taquipe, Miranga).

Daí a importância da Bahia na descoberta do petróleo com reservas importantes para o Brasil que estão sendo entregues ao capital internacional a preço de banana. Fez menção da luta dos aposentados baianos que com suor e sangue contribuíram para tornar a Petrobrás, uma das maiores empresas do mundo, segundo a Forbes, em 2017.

Com 21 anos de empresa, a jornalista e geóloga também recordou sua trajetória profissional na empresa. Em 2000, nas plataformas, quase não havia mulheres embarcadas. Concorda que é necessário combater o machismo e manter as conquistas. “Nós, mulheres, não podemos baixar a guarda, sempre temos de estar mostrando para as novas gerações que não foram conquistas fáceis e que precisamos avançar mais ainda para ter realmente a equidade de gênero, não pode haver dúvida de que podemos ocupar esses espaços”

A terceira convidada, a diretora da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) e diretora do Sindipetro-RJ, Natália Russo que falou sobre as questões de gênero na empresa. Segundo ela, apesar das conquistas, a Petrobrás continua com o patriarcado e o machismo.  Em 2019, os dados revelam a baixa representatividade de mulheres. Do total da força de trabalho com nível médio, 7% são mulheres e 9% com nível superior. A situação é agravada quando se faz um recorte de negros e pardos, em especial, mulheres negras que trabalham na empresa.

Para ela, “o machismo é um problema a ser resolvido pelo conjunto da classe trabalhadora e não pode ser entendido como se fosse apenas uma luta feminista, de mulheres contra homens, na verdade, é uma luta por direitos iguais, por respeito que pode transformar a realidade de opressão e exploração na Petrobrás e na sociedade”

Em relação ao teletrabalho, ela explicou que a FNP apresentou uma pauta de reivindicações à Petrobrás sobre o assunto, para que trabalhadoras e trabalhadores possam desenvolver suas atividades com um mínimo de dignidade.

Demissão gerente do RH

Durante a Live, o assessor Jurídico da AEPET-BA, o advogado Luiz Henrique, falou sobre as providências que a entidade adotou em relação à demissão do gerente executivo de RH, Cláudio da Costa. A Petrobrás confirmou a demissão de Costa, no dia 29/03, por ter negociado ações da empresa nos 15 dias que antecedem a divulgação das demonstrações financeiras, o que é ilegal.

A AEPET-BA encaminhou documento à presidência da empresa com cópia à Ouvidoria, solicitando mais informações sobre esse assunto. No documento, a entidade cobra, ainda, que se forem confirmadas as denúncias que pesam sobre ele, o ex-gerente responda criminalmente e seja enquadrado na Lei 8429, que regulamenta a conduta dos servidores públicos. Cláudio, é responsabilizado pelos trabalhadores petroleiros de ter entrado na Petrobrás para contribuir com o desmonte do RH por meio de medidas polêmicas como por exemplo, a remuneração variável e medidas contra a Petros e o plano de saúde AMS.

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