O Núcleo Bahia da Associação dos Engenheiros da Petrobrás encaminhou uma Carta Aberta ao atual presidente da Petrobrás, general Joaquim Silva e Luna, a fim de denunciar os desvios da gestão Castello Branco e requerer a retomada do preço baseado no custeio com o fim imediato da política de preços de paridade da importação (PPI). O documento foi enviado quatro dias depois de Silva e Luna assumir o cargo, em 19/04.

A Associação, assim como outras entidades de petroleiros, busca espaços de diálogo com o presidente da empresa para tratar os inúmeros problemas relacionados à categoria petroleira como a suspensão imediata das privatizações em curso. Nos estados do Nordeste e, principalmente, na Bahia, a gestão Castello Branco deixou um rastro de terra arrasada e destruição total com a privatização fatiada da Petrobrás e o fechamento da sede administrativa, em Salvador.

Na reta final da gestão de Castello Branco, a venda da Refinaria Landulho Alves, localizada em São Francisco do Conde, na Bahia, para o fundo árabe Mubadala Capital foi alvo de denúncias dos petroleiros e parlamentares. De acordo com o BTG Pactual, a RLAM foi vendida pela metade do preço de mercado e, estudos realizados pela AEPET-BA, mostram uma situação muito pior: de quatro a cinco vezes o preço real. O Tribunal de Contas da União (TCU) está investigando a venda e poderá anular a transação.

A Associação conclui o documento solicitando ao presidente Silva e Luna, além do fim do PPI, que adote outras providências como: “a suspensão de todas as privatizações dos ativos da Petrobrás, na Bahia; a anulação da venda da RLAM; o cancelamento do contrato de arrendamento da Fafen-BA; a reabertura da sede da Petrobrás no Nordeste (localizado no Conjunto Pituba, em Salvador); a manutenção do teletrabalho, enquanto perdurar a pandemia; a retomada dos postos de trabalho no Estado e a investigação rigorosa sobre a venda, a preço vil, de tudo o que foi subtraído do patrimônio nacional”

Leia aqui a  Carta aberta ao Presidente da Petrobras

Os desafios do general

O presidente da Petrobrás, general Joaquim Silva e Luna, foi indicado pelo presidente Jair Bolsonaro e na sua gestão enfrentará vários desafios, além dos já mencionados na carta aberta da AEPET-BA. A alteração da política de preços dos combustíveis, segundo os petroleiros, precisa de solução imediata para frear os reajustes constantes dos combustíveis e gás de cozinha.

Em Salvador, o botijão de gás de 13k está sendo vendido a mais de R$ 100,00 e com o agravamento da crise econômica, devido à pandemia do coronavírus, as famílias estão usando lenha e carvão para cozinhar.

Outro desafio é suspender o programa de desinvestimentos e a venda dos ativos. Precisa resolver, ainda, os problemas dos descontos abusivos e irregulares do plano de saúde AMS, que junto com os equacionamentos da Petros, estão tirando o sono de muitos trabalhadores petroleiros ativos, aposentados e pensionistas.

Os surtos de Covid-19 em muitas unidades da empresa também precisam de maior atenção, pois desde que começou a pandemia são mais de 22 petroleiros mortos, vítimas da doença, segundo a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).

No seu discurso de posse, o general exaltou o papel dos trabalhadores e trabalhadoras da Petrobrás. Após dizer que a força de trabalho era o “maior patrimônio da empresa”, completou: “A Petrobrás tem alma, corpo bem articulado e integrado, quadro de pessoal comprometido, engajado, vibrante, profissional, com sentimento de pertencimento à empresa; e que sempre se atualiza, posicionando-se na vanguarda do conhecimento”.

A AEPET-BA espera que esse não seja um discurso vazio, pois a mídia vem denunciando atitudes do general que colocam em risco os petroleiros como obrigar a retirar a máscara no seu gabinete e anunciar o retorno às atividades presenciais para maio com o fim do home office, expondo a força de trabalho ao risco de mais contágios por Covid.

A Associação continuará firme na defesa dos direitos do corpo técnico da Petrobrás e da soberania nacional. Somos contrários às privatizações dos ativos e a política de preços – PPI.  Também contra a política desastrada de RH herdada do ex-gerente Claudio Costa, que está sendo investigado; os aumentos absurdos do custeio da AMS, contra a implantação do plano Saúde Petrobrás (em substituição à AMS) e, por fim, pelo reconhecimento e pagamento das dívidas da Petrobrás com a Petros e das indenizações pelos déficits devido à péssima administração dos gerentes da empresa no fundo de pensão, como por exemplo, o escandaloso negócio do Torre Pituba.