Em greve há nove dias, os trabalhadores da Petrobrás Biocombustível (PBio) resistem com firmeza às ações antidemocráticas da Petrobras para acabar com o movimento. Uma dessas ações foi a tentativa de judicialização da greve. Uma liminar do Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou a manutenção de percentual mínimo de 70% dos trabalhadores nas usinas de Montes Claros (MG) e Candeias (BA) e a garantia do livre trânsito de bens e pessoas nas unidades operacionais da empresa, sob pena de multa diária de R$ 250 mil.

Os sindicatos da Bahia e MG recorreram e protocolaram, no dia 26, recurso de agravo interno para questionar o percentual fixado pela liminar do TST. Um dos argumentos usado pela empresa é que estaria em risco o abastecimento de diesel para a região Nordeste do país. Segundo os trabalhadores, isso não verdade mesmo porque a a PBio não desenvolve atividade essencial, como prevê a lei de greve.

“Não existe risco de desabastecimento”, destaca Alexandre Finamori, coordenador geral do Sindipetro MG, reforçando que nos últimos anos a escolha da gestão da empresa foi por diminuir a produção. Além disso, mesmo durante a greve, a Petrobras está mantendo uma equipe de contingência em todas as bases.

Essa equipe está mantendo a brigada de emergência e realizando entregas de produtos em estoque, o que não afeta o abastecimento ao mercado. “Ao invés de negociar, a gestão bolsonarista da Petrobras usa de fake news sobre o risco de abastecimento e prefere assediar trabalhadores em todo Brasil, retirando cargos de confiança dos grevistas que estão lutando por seus empregos na tentativa de enfraquecer a greve. Mas a greve segue forte e não iremos nos intimidar. Seguiremos em luta em defesa dos empregos da categoria”, afirmou.

Atualmente, a subsidiária abastece menos de 4% do mercado de biodiesel nacional. Por decisão da própria Petrobrás, as usinas de Montes Claros e Candeias vêm operando muito abaixo da sua capacidade instalada. Exemplo da diminuição do investimento em produção da Pbio foi a hibernação da usina de Quixadá, no Ceará, em 2016.

Em períodos normais, a capacidade produtiva das usinas de biodiesel da PBIO é: Candeias (BA), 304 mil m3/ano; Montes Claros, (MG), com capacidade produtiva de 167 mil m3/ano; e Quixadá, (CE), em estado de hibernação com capacidade produtiva de 109mil m3/ano.

As três usinas são capazes de utilizar uma mistura de até cinco matérias-primas diferentes (óleo de soja, de algodão e de palma, gordura animal e óleos residuais) para produção de biodiesel, capturando vantagens na dinâmica sazonal dos preços. A PBio era uma das maiores produtoras de biodiesel do país com 5,5% de market share em 2019.

Desde que começou a greve, no dia 20/05, a Petrobrás se recusa a abrir um canal de negociação com os trabalhadores da PBio. Essa postura autoritária vem desde o início do processo de venda da subsidiária, quando a empresa negou alternativas aos petroleiros concursados de serem transferidos ou, então, aderirem ao Programa de Demissão Voluntária (PDV) como vem acontecendo nas unidades em desinvestimentos. A venda da PBio é de “porteira fechada”, incluindo os trabalhadores, que deverão ser demitidos pela empresa que assumirá o controle da subsidiária.

Por isso, que os trabalhadores não tiveram outra saída a não ser lutar pelos empregos e contra a privatização da PBio.

A AEPET-BA manifesta todo o apoio e solidariedade à greve dos trabalhadores da PBio.