A política administrativa da Petrobrás no governo Bolsonaro, que atrela os preços dos combustíveis ao mercado internacional, está fazendo o brasileiro pagar caro pela gasolina e diesel, mas não é só isso. A Petrobras esmagou a produção artística brasileira que financiava, reduzindo drasticamente o incentivo para a área cultural. Até o setor de desenvolvimento científico e tecnológico do país saiu perdendo com o modelo neoliberal de Guedes/Bolsonaro. Mas tem uma turma que está ganhando: os recursos estão sendo entregues para os acionistas e especuladores internacionais.

 

Em 2020, os investimentos da Petrobrás na área de arte e cultura foram os mais baixos dos últimos 15 anos. Os patrocínios culturais da estatal caíram de R$ 289 milhões, em 2006, para apenas R$ 18 milhões no ano passado. Uma redução de cerca de 94%.

 

O levantamento é do Instituto Latinoamericano de Estudos Socioeconômicos (Ilaese) e aponta ainda uma redução no aporte financeiro da empresa ao setor de pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

 

A Petrobrás não é mais uma empresa fundamental para o desenvolvimento do Brasil, mas uma empresa sequestrada para se obter ganhos rápidos e maximizados. É como se a população tivesse que pagar o resgate, de algo que nunca mais será devolvido.

 

A análise dos investimentos em cultura é fundamentada em dados apresentados no Balanço Social da Petrobrás, que envolve a participação da estatal em todos os tipos de patrocínios culturais, e traça o percentual da receita líquida que a empresa tem aplicado nesse setor.

 

Em 2006, o valor investido representava 0,24% da receita líquida da estatal, porcentagem que foi reduzida a 0,007% em 2020. “Essa queda no índice é o resultado do projeto de longo prazo que abriu o capital da Petrobrás, vendeu paulatinamente suas ações ao capital privado e, mais recentemente, vem colocando em leilão cada uma de suas partes”, afirma Gustavo Machado, pesquisador do Ilaese.

 

Ciência e tecnologia

 

Em relação aos investimentos na área de pesquisa e desenvolvimento tecnológico, o estudo revela uma tendência contínua de queda, com poucas oscilações no período analisado da última década. A exemplo da área de cultura, 2020 foi o ano com o menor investimento registrado em ciência e tecnologia na série histórica, tanto em porcentagem quanto em valor absoluto.

 

Com base no Relatório Anual da Petrobrás e no Tesouro Nacional, o estudo faz um comparativo do percentual das receitas líquidas da estatal destinado a pesquisas e desenvolvimento tecnológico. Em 2011, o investimento em pesquisa e desenvolvimento de tecnologia representava 1,28% da receita líquida da empresa e, no ano passado, 0,72%. “Essa queda percentual é puxada pela privatização, já que os investimentos em pesquisas são cortados nas unidades que estão sendo vendidas, como é o caso da PBio (Petrobras Biocombustível)”, destaca o pesquisador do Ilaese.

 

Papel estratégico

 

Para se ter uma ideia do tamanho da Petrobrás, o estudo apresenta um quadro comparativo com as receitas brutas, incluindo impostos e royalties, de 2020, da estatal e da Vale, segunda maior empresa do país. E inclui também a receita corrente líquida da União, que envolve toda arrecadação corrente do governo central com impostos e demais taxações, exceto as transferências para os estados.

 

Mesmo com uma retração na arrecadação, no ano passado, a Petrobrás teve uma receita bruta de R$ 414,3 bilhões. Enquanto a Vale, que bateu seu recorde de faturamento e vendas, registrou R$ 210,1 bilhões. A receita corrente líquida da União foi de R$ 651,9 bilhões. Ou seja, a Petrobrás arrecadou praticamente o dobro da Vale e 63% de toda receita corrente líquida da União. “A Petrobrás é uma empresa que desempenha papel-chave em toda cadeia de valores brasileira e com um gigantesco potencial diante de um projeto estratégico de desenvolvimento nacional que hoje, infelizmente, está esquecido”, conclui o pesquisador. 

Confira o estudo completo no site do OSP: https://observatoriopetrobras.com 

(Reproduzido pela AEPET)