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Em reunião extraordinária na quarta-feira (13/04), o Conselho de Administração da Petrobrás aprovou, por maioria, o nome de José Mauro Ferreira Coelho para presidente da estatal, em mandato de um ano. No dia seguinte (14/04) foi empossado.

Mauro é o terceiro presidente da empresa, no governo Bolsonaro. Junto com ele, Marcio Andrade Weber foi eleito para a presidência do Conselho de Administração.

José Mauro é formado em Química Industrial e foi secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do MME, entre 2020 e 2021.

Ele é o nome de confiança do ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque. O novo presidente da Petrobrás também foi diretor da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e atuou na Agência Nacional de Petróleo (ANP) por 15 anos. Atualmente, Coelho preside o conselho de Administração da pré-sal Petróleo S.A., estatal que vende óleo e gás extraídos do pré-sal.

Relembre – https://aepetba.org.br/v1/2022/04/04/indicado-por-bolsonaro-para-a-presidencia-da-petrobras-adriano-pires-desiste-de-assumir-cargo-por-conflito-de-interesses/

Não diferente dos últimos nomes indicados por Bolsonaro e aqueles que passaram pela presidência da Petrobrás, Coelho e Weber defendem o PPI – Preço de Paridade de Importação, que dolariza os combustíveis no Brasil e tem agravado os problemas econômicos do país e enchido o bolso dos acionistas. Para o novo presidente da estatal, os preços artificiais poderiam causar desabastecimento do mercado.

“Temos que ter os preços no mercado doméstico relacionados aos preços de paridade de importação. Se assim não fosse, não teríamos nenhum agente econômico com aptidão, ou com vontade de trazer derivados para o país. E teríamos risco de desabastecimento”, afirmou, em entrevista ao programa Brasil em Pauta, na TV Brasil.

Assim como defende o próprio Bolsonaro, José acredita que a redução ou congelamento do imposto ICMS sobre os combustíveis baratearia os preços. Só que essa não é a medida mais inteligente, pois reduz o poder de arrecadação e, consequentemente, de investimento dos estados em educação, saúde, moradia e políticas públicas.

A AEPET-BA manifesta sua indignação com a escolha dos dois novos nomes. No Rio, o diretor minoritário, representante da AEPET, Cláudio Costa Oliveira, votou contrário a todas as pautas da Assembleia Geral Ordinária (AGO), realizada na quarta-feira, que aprovou o nome de Márcio Weber.   

Leia aqui https://www.aepet.org.br/w3/index.php/conteudo-geral/item/7656-aepet-vota-contra-todas-as-pautas-da-ago-da-petrobras

José Mauro tem os mesmos ideais privatistas e entreguistas das últimas gestões e manterá o PPI, que tem sido o câncer na vida da Petrobrás – em seu objetivo social, como estatal. É necessário ter responsabilidade e seriedade para comandar essa gigante nacional, coisa que falta nos atuais “gestores”.

A crise gerada por Bolsonaro para indicar o presidente da Petrobrás mostra sua incompetência para lidar com a maior empresa de petróleo do país. Em ano eleitoral, Bolsonaro buscou indicações políticas, mesmo sabendo que para ocupar os altos cargos da Petrobrás devem ser seguidas regras internas de governança e legislação específica tanto para a nomeação de conselheiros como do presidente da Petrobrás.

As indicações frustradas do presidente, acabam contribuindo para piorar a imagem da empresa, enquanto os brasileiros pagam cada vez mais caro pela gasolina e gás de cozinha. 

Troca das cadeiras favorável ao mercado/acionistas

A AGO também foi marcada pelo avanço dos minoritários na composição do Conselho. Antes, a União (governo) tinha 7 membros, os minoritários (acionistas) 3 e os empregados 1 (Rosangela Buzanelli). Mas com a nova ofensiva do mercado – que tem mandado e desmandado na Petrobrás, o número de representantes subiu para 4, tirando uma vaga da União (que ficou com 6).

Na última eleição, em 2020, os acionistas minoritários já tinham avançado de 2 para 3 membros no Conselho.

Na prática, representa o aumento de poder do mercado, para que possa fazer barulho contra qualquer política que não seja favorável visando encher seus bolsos. O principal responsável por esse movimento foi José João Abdalla Filho, bilionário brasileiro que está pressionando constantemente a Petrobrás e Bolsonaro para manter o PPI e assim seguir lucrando cada vez mais, para alimentar sua fortuna.

Rosangela votou contra nomeação

A conselheira Rosangela Buzanelli, representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobrás, manifestou-se contra a aprovação do novo presidente, José Mauro, “não pela pessoa ou currículo do indicado, mas porque essa nomeação representa a continuidade da política de privatizações, de desverticalização e apequenamento da Petrobrás. Representa a continuidade da política de preços que patrocina astronômicos dividendos e castiga tanto a população, pois é injusta e lesiva a ela”, afirmou ela no seu blog.

E acrescentou, “em essência, mantém a visão financista de mercado no curto prazo, visando a maximização do lucro aos acionistas em detrimento da sociedade brasileira e da sustentabilidade da Petrobrás”

 


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