No discurso de posse, ao lado do ministro Bento Albuquerque, o presidente José Mauro Coelho disse a queda no endividamento da Petrobrás permitiu “ampliar investimentos para US$ 8,8 bilhões em 2021”.  O executivo disse que isso se deu graças ao modelo de gestão da empresa implantado em 2017 e mantido no governo Bolsonaro.

Para os petroleiros, Coelho omite a verdade, ou desconhece a trajetória da empresa. Levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), mostra que a curva de investimentos começou a baixar a partir de 2013. Em 2020, na gestão Bolsonaro, atingiu apenas US$ 8 bilhões, o menor patamar desde 2004, que se manteve também em 2021.

Outro estudo do Dieese, em março de 2022, revela que foram vendidos 62 ativos da Petrobrás no governo Bolsonaro. Todas essas vendas somam o valor de US$ 33,9 bilhões, envolvendo diversas frentes da empresa, entre campos de petróleo; distribuição e transporte de gás; refinarias; termelétricas; eólicas etc.

Entre janeiro de 2019 e fevereiro deste ano, foram feitos 74 anúncios de venda, sendo o maior índice já registrado nos últimos dez anos (média dois ativos anunciados por mês).

Há ainda 34 ativos da Petrobrás à venda, como: campos de petróleo em terra e mar; participações em empresas petroquímicas; subsidiária em biocombustíveis (PBio); refinarias, entre outros. A pesquisa do Dieese mostra que a Petrobrás chega em 2022 tendo concluído a venda de 93 ativos, sendo 79 no Brasil e 14 no exterior, arrecadando US$ 59,8 bilhões.

Um dos exemplos dessa situação foi a venda da antiga Refinaria Landulpho Alves (RLAM), comprada pela Acelen, do fundo soberano árabe e grupo Mubadala, adotando o novo nome de Refinaria Mataripe.

Só em quatro meses de 2022 foram seis reajustes aplicados nos preços dos combustíveis, abusando do monopólio regional e fazendo com que a nossa gasolina seja a mais cara do Brasil, de acordo com as pesquisas da ANP – Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.

Essa venda da RLAM foi o tiro de misericórdia para a retirada forçada da Petrobrás na Bahia, o Torre Pituba, onde funcionava o administrativo da companhia em nosso estado continua alugado pela Petrobrás, mas foi esvaziado para dá lugar a um Hab no ed. Suarez Trad. enquanto os trabalhadores lutam para que não sejam obrigados a abandonarem suas famílias para ir trabalhar no sudeste apenas dois dias por semana e trabalharem em casa os demais o que é um absurdo, a categoria provou que o teletrabalho no setor administrativo é uma realidade e dá resultado, sendo desnecessário é desarrazoado a transferência.

Estrela quer ver a o Brasil tomar de volta tudo que tem sido roubado da Petrobrás

O geólogo Guilherme Estrella, que ocupou a diretoria de Exploração e Produção da Petrobrás, reconhecido como principal responsável pela descoberta das reservas do pré-sal e ativista político, discursou na primeira mesa do 18º Congresso dos Petroleiros e Petroleiras do Norte Fluminense (Congrenf).

Em seu momento de fala, Estrella relembrou toda história de crescimento, luta e glória da Petrobrás: “Foi com Getúlio Vargas na década de 1930 que o país descobriu o primeiro campo de petróleo e em seguida o posso de  Candeias (que produz até hoje), e aí o petróleo passa a ser um componente energético da economia e para protegê-lo foi criado o movimento de massa em defesa da soberania. O petróleo é nosso. A descoberta da Bacia de Campos chegamos à autossuficiência em 2006 e em seguida a descoberta do pré-sal que chamou atenção do mundo todo” – contou.

Conhecido como o “pai do pré-sal”, Estrella acredita ser possível desfazer tudo o que foi feito nessa destruição da Petrobrás, com um grande plebiscito revogatório. Assim, reconstruindo a companhia, fazendo com que a estatal volte a ser um pilar de desenvolvimento do Brasil.

A AEPET-BA também vai lutar para ter de volta todo o patrimônio da Petrobrás vendido e destruído pelo governo Bolsonaro. Principalmente, as unidades da empresa na Bahia, que foram entregues à iniciativa privada.