Mais um exemplo comprovado de como a privatização da RLAM – refinaria Landulpho Alves foi sim, prejudicial para a Bahia. Uma pesquisa feita pelo Observatório Social da Petrobrás apontou que o diesel tipo S-10 na atual refinaria de Mataripe, da Acelen, está custando R$ 1,10 a mais que o das refinarias da Petrobrás, uma diferença de 24,3%.

Pela primeira vez, o preço do litro do diesel superou o da gasolina.

O estudo foi divulgado na quarta-feira (04/05), e mostra que na refinaria da Petrobrás que cobra os preços mais altos, a Gabriel Passos, em Betim (MG), o diesel custa R$ 0,98 a menos (17%) e a gasolina R$ 0,20 a menos (5%), em relação a Mataripe. Desde o início de 2022, os preços do diesel e da gasolina da Acelen mantiveram-se, em média, R$ 0,26 (6,6%) e R$ 0,18 (5%), respectivamente, acima dos praticados pela estatal.

“Um detalhe importante é que antes da privatização a RLAM vendia diesel R$ 0,51 mais barato do que as outras refinarias da Petrobras. E, com relação à gasolina, era R$ 0,02 abaixo do restante das refinarias estatais”, diz o economista Eric Gil Dantas, do Observatório Social da Petrobras e do Instituto Brasileiro de Estudos e Políticas Sociais (Ibeps), em entrevista para agência Folhapress.

A Acelen, já aumentou 10 vezes o valor do diesel e oito vezes o da gasolina em 2022 – o último reajuste foi no fim do mês de abril. Essa empresa árabe vende mais caro os combustíveis na Bahia e revende mais barato aos estados vizinhos, como Pernambuco e Sergipe. A venda da refinaria, primeira da Petrobrás, criou um verdadeiro monopólio regional do grupo Mubadala – já apontado pelo Observatório Social da Petrobrás.

Após venda, refinaria Mataripe tem sua capacidade de produção negativa no 1° trimestre de 2022

Os pesquisadores Mahatma Ramos dos Santos e Rafael Rodrigues da Costa, utilizam dados e informações do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (INEEP), discorrendo sobre a redução na capacidade produtiva da Refinaria Mataripe, no 1° trimestre deste ano.

“Essa estratégia deve expor ainda mais a empresa a maior volatilidade em relação aos preços internacionais, além de ampliar os riscos de desabastecimento do mercado interno e, por conseguinte, elevar os preços médios para o consumidor final, como já acontece na Bahia.”, explicam os pesquisadores, no portal O Cafezinho.

É evidente que a privatização não provocou a concorrência, mas os preços mais elevados praticados pela privatização coloca a economia baiana em desvantagem competitiva e torna o custo de vida mais elevado para a população.

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