Mais uma vez, em pleno ano eleitoral, Bolsonaro utiliza-se de suas falácias eleitoreiras para enganar o povo, criando uma narrativa fora da realidade, sem nenhum compromisso com a verdade. Enquanto isso, o trabalhador está sofrendo com os constantes aumentos não apenas no preço dos combustíveis, mas também nos alimentos e transportes.

Bolsonaro insiste em colocar a culpa na Petrobrás pela disparada de preços dos combustíveis, mas, apesar de ser uma empresa de economia mista, o controle acionário da empresa é da União. Ou seja, quem decide os rumos da Petrobrás é o Presidente da República, indiretamente, e tem o poder de nomear a maioria dos integrantes do conselho de administração.

“Apelo à Petrobrás: não mando em vocês e não vou interferir, eu não tenho como interferir, veja o lucro abusivo que vocês têm”, disse Bolsonaro em uma Live. Embora o PPI tenha sido implementado pelo governo Temer, em 2016, Bolsonaro deu continuidade.

No seu governo, três presidentes passaram pela estatal – todos indicados por ele: Roberto Castello Branco, Joaquim Silva e Luna e, agora, José Mauro Ferreira Coelho. E vale salientar que todos os gestores mantiveram a política do PPI – Preço de Paridade Internacional. Esse sim que é o verdadeiro problema e não a Petrobrás.

O povo tem sofrido com combustíveis caros, gás de cozinha nas alturas, impactando em toda cadeia econômica do país. Recentemente, a Petrobrás anunciou lucro de R$ 44 bilhões nos três primeiros meses de 2022. O valor é 41% maior do que no quarto trimestre de 2021 e mais de 3.718% será distribuído aos acionistas, são R$ 17,7 bilhões.

Saiba mais: O que explica e quais são as consequências do lucro da Petrobras no 1º trimestre de 2022 

Enquanto isso, a companhia segue com os desinvestimentos, vendendo refinarias (a exemplo da RLAM, aqui na Bahia), fábricas de fertilizantes (como a FAFEN), campos de petróleo etc. O governo atual, vende a narrativa de que a culpa do aumento no preço dos combustíveis é da própria companhia e dos impostos estaduais, quando a solução seria acabar com o PPI

O litro do diesel mais caro do Brasil está na Bahia!

De acordo com a pesquisa da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o litro mais caro do diesel no Brasil, no mês de maio, foi registrado em Porto Seguro, no extremo sul da Bahia, com R$ 8,38. Ainda de acordo com a agência, o preço do diesel em Salvador varia de R$ 7,35 a R$ 7,81. Em alguns postos da capital baiana, o diesel tem sido cobrado entre R$ 7,80 e R$ 8,00, mais caro que a gasolina, vendida a R$ 7,69.

No total, foram oito reajustes no ano: três em janeiro, um em fevereiro, dois em março, uma redução no dia 2 de abril e mais um aumento no dia 29 de abril. O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) informou ao portal G1, que o acumulado é de 58% de aumento no diesel na Bahia.

Confira a lista dos preços do diesel em algumas cidades baianas:

  • Salvador: R$ 7,65
  • Feira de Santana: R$ 7,62 a R$ 7,69
  • Vitória da Conquista: R$ 7,65 / R$ 7,99 / R$ 8,35
  • Barreiras: R$ 8,19
  • Itabuna: R$ 8,16
  • Juazeiro: R$ 8,15
  • Porto seguro R$ 8,38

Lembrando que preço dos combustíveis na Bahia é determinado pela Acelen, que comprou a antiga Refinaria Landulpho Alves, atual Mataripe e, é responsável por 90% do mercado de combustíveis no estado. Por isso que o reajuste anunciado na Petrobrás, nos valores do diesel, cujo preço médio do litro vai passar de R$ 4,51 para R$ 4,91 a partir desta terça (10), um aumento de 8,87%, não deve influenciar nos valores comercializados em território baiano.

É uma sangria que não tem fim. A alta dos combustíveis atinge os alimentos, transportes e impacta na inflação que já superou os 11% nos últimos doze meses.