Muito pior que aquela partida entre Alemanha e Brasil, pela Copa do Mundo de 2014, a população brasileira sofreu uma verdadeira goleada nacional, durante o plenário do Tribunal de Contas da União (TCU), ocorrido nesta quarta-feira (18/05). Por 7 votos a 1, foi aprovada a continuidade do processo de privatização da Eletrobrás, estatal que controla as áreas de geração e transmissão de energia.

Sobre o placar final da votação, dos oito ministros que votaram, somente Vital do Rêgo foi contra. O ministro chegou a pedir a suspensão do processo até o tribunal concluir uma fiscalização sobre dívidas judiciais da companhia, que poderiam causar uma subavaliação da estatal. Mas, os demais colegas negaram o pedido de suspensão, também pelo mesmo placar de 7 a 1.

Em fevereiro, os ministros do TCU analisaram e aprovaram o chamado “bônus de outorga” que, após a privatização, a Eletrobrás deverá pagar à União pela renovação dos contratos das 22 usinas hidrelétricas da empresa. Com a votação desta quarta, foi concluída a segunda e última parte de análise do Tribunal de Contas da União, dando prosseguimento ao entreguismo de mais um bem público.

A Eletrobrás é a primeira grande estatal privatizada por Bolsonaro, de forma integral, pois de forma fatiada o governo vem destruindo a Petrobrás. O governo optou por realizar a privatização na forma de uma capitalização, ou seja, serão ofertadas novas ações da companhia na bolsa de valores, em uma oferta que não será acompanhada pela União, que deixará de ser a acionista controladora da empresa, um golpe covarde.

Quando o processo for concluído, a estatal se tornará uma empresa sem controlador definido. Modelo semelhante foi adotado na privatização da Embraer – empresa que produz veículos de transporte aéreo. Nenhum acionista terá poder de voto superior a 10% de suas ações, pulverizando o capital da empresa, de modo a não ter nenhum grupo dominante sobre as suas decisões.

A ideia do governo é colocar as primeiras ações da empresa na bolsa de valores já neste ano, que também já planeja a privatização da Petrobrás.

Sachsida é chamado para explicar estudos de privatização da Petrobrás e Eletrobrás

O novo ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, foi convocado pelas Comissões de Minas e Energia e Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados para dar explicações sobre os estudos de privatização da Petrobras, o processo de privatização da Eletrobras, e sobre a política de preço dos combustíveis e gás de cozinha.

Sachsida também terá de prestar outros esclarecimentos. De autoria dos deputados Ivan Valente (PSOL/SP) e Samia Bonfim (PSOL/SP), um requerimento da Comissão de Fiscalização Financeira pede que o titular da pasta explique a relação da sua nomeação com a viabilização da construção de gasodutos de R$ 100 bilhões que beneficiariam, diretamente, o empresário Carlos Suarez, ex-sócio da empreiteira OAS.

A data da audiência com o ministro Adolfo Sachsida está prevista para o dia 22 de junho, informa a CNN. O presidente da Petrobrás, José Mauro Coelho, também será ouvido pelos deputados.

É uma grande perda para o povo brasileiro. A AEPET-BA vai continuar resistindo contra essa escalada de privatizações do governo Bolsonaro. Quem perde é o povo brasileiro que vai pagar tarifas de energia muito mais caras, como acontece com os combustíveis na Bahia, depois da privatização da antiga Refinaria Landulpho Alves.

Devemos lutar contra os governos autoritários e destruidores do patrimônio do povo brasileiro, barrar a privatização da Eletrobras não é tarefa apenas dos trabalhadores eletricitários e sim de todos os brasileiros. A AEPET-BA se predispõe a denunciar esse atentado contra o povo.

Saiba mais sobre como a privatização da Eletrobrás, pode impactar na sua conta de luz, trabalhador (a) – https://g1.globo.com/economia/de-olho-no-orcamento/noticia/2022/05/17/privatizacao-da-eletrobras-para-onde-vai-o-dinheiro-e-qual-sera-o-impacto-na-conta-de-luz.ghtml

(Com informações do Brasil 247)