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Os preços do petróleo continuam em queda no mercado internacional. Na quinta-feira (08/09), o preço do barril do petróleo tipo Brent fechou em US$ 88, 62.  Em março, sob os efeitos do conflito Rússia e Ucrânia passou de US$ 112,00

Segundo os especialistas, a queda do petróleo está ligada a uma desaceleração da economia mundial, principalmente dos EUA e da China, e também ao aumento da oferta da commodity.

Sob ameaça de recessão, os preços da gasolina nos Estados Unidos vêm caindo há meses, liderados pela queda dos preços do petróleo bruto. Segundo a CNN, o valor médio nacional do combustível comum caiu para US$ 3,99 (aproximadamente R$ 20,30) o galão na quinta-feira (11/08), segundo a AAA. Cada galão comporta 3,8 litros de combustível.

De acordo com o banco Citi, caso a recessão nos EUA realmente ocorra, o preço do petróleo bruto pode cair para US$ 65 o barril até o final deste ano e ir para US$ 45 até o final de 2023. A expectativa, porém, não é unânime. Para o Goldman Sachs a previsão é de que o barril fique acima dos US$ 100 ao fim deste ano.

Já o peso dos dados decepcionantes da China – o segundo maior consumidor de petróleo do mundo e o maior importador de petróleo – foi agravado pelos desenvolvimentos em torno do acordo nuclear com o Irã.  Em carta, o Irã sugeriu que estava mais perto do que nunca de garantir um acordo, embora houvesse alguns pontos de discórdia – principalmente que os EUA garantam que o acordo não poderia ser alterado por futuros presidentes dos EUA.

Apesar dos fundamentos atuais do petróleo bruto que sugerem que o mercado ainda está apertado, o medo é que o Irã possa liberar centenas de milhares de barris de petróleo bruto por dia se as sanções forem suspensas. O Irã disse que poderia aumentar a produção e as exportações dentro de poucos meses.

O país é dono da terceira maior reserva de petróleo no mundo, de acordo com dados da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), ficando atrás apenas da Venezuela e Arábia Saudita.

Aproveitamento eleitoreiro

E no Brasil? A queda dos combustíveis, nos últimos meses, reflete o cenário internacional. O UOL entrevistou o professor de economia da UFRJ e pesquisador do Ineep, Eduardo Costa Pinto, que explicou que caso o barril de petróleo continue a cair, os preços dos combustíveis no Brasil deverão continuar acompanhando a queda.

Por isso, a Petrobras vem anunciando as reduções nos preços dos combustíveis. Entretanto, existe muita desinformação porque o governo Bolsonaro faz aproveitamento político da situação para impulsionar sua campanha à reeleição.

O economista do Observatório Social do Petróleo e do Ibeps, Eric Gil, em artigo divulgado no Sindipetro SJC, no mês passado, analisou os efeitos da redução dos impostos depois da aprovação da Lei Complementar 194/2022, que determina a isenção de tributos federais e o teto do ICMS em 18% para combustíveis, sancionada em 23 de junho. Isto se somou à isenção de impostos federais para o diesel que já estava em vigor desde março.

E para quem acredita que Bolsonaro está mandando a Petrobrás baixar o preço artificialmente para aumentar suas chances eleitorais, ele afirma que “as evidências apontam para o oposto: não há interferência do Bolsonaro para baixar preços, até porque nunca houve a intenção. Aliás, com os cortes de impostos, a Petrobrás está conseguindo cobrar até mesmo acima do PPI, o que não conseguia fazer há muito tempo”.

Leia aqui – É verdade que Bolsonaro está baixando o preço dos combustíveis?

Para Eric, o anunciou da Petrobrás, em julho, de três reduções do preço da gasolina e duas do diesel vieram na sequência dos cortes de impostos, o que suscitou discussões sobre se isto comporia o arsenal eleitoral de Bolsonaro. “Se esta hipótese fosse verdadeira, Bolsonaro finalmente estaria utilizando a Petrobrás como ferramenta para a redução de preços, impondo preços menores do que o PPI”, disse ele.

Porém essa hipótese é pouco plausível. Para o economista, se confirmada a possibilidade “iria de encontro a duas importantes bases de sustentação do governo: (i) o mercado financeiro, que se beneficia diretamente dos preços exorbitantes dos combustíveis, transferidos como receitas através de dividendos da estatal aos acionistas privados; e (ii) o mercado de importadores de combustíveis, que necessitam do PPI para sustentar artificialmente a sua existência, ameaçada constantemente pela lógica estatal da Petrobrás”

Resultado do preço internacional dos combustíveis, por isso que houve reduções nos preços por parte da Petrobrás, em meados de junho, até hoje, o preço da gasolina no Golfo do México (EUA) – referência para o PPI – caiu 25%. Já o preço do diesel caiu 15%. “A direção da empresa está aproveitando que houve corte de impostos no preço final (e as pessoas prestam atenção no preço do posto de gasolina, e não o da refinaria) para manter preços mais elevados na refinaria, vendendo muitas vezes acima do próprio PPI”, afirma Eric.


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