A decisão da Petrobrás de ampliar a produção nacional de diesel e reduzir a dependência das importações representa um importante passo para fortalecer a segurança energética brasileira. A estratégia reafirma o papel do refino como um dos pilares da política energética nacional e recoloca em evidência a necessidade de reconstruir o Sistema Petrobrás, incluindo a reestatização da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia, e das demais refinarias privatizadas durante o governo Bolsonaro.
Para a AEPET-BA, não basta aumentar a capacidade produtiva das refinarias que permaneceram sob controle da estatal. É fundamental recuperar os ativos estratégicos vendidos entre 2019 e 2022, devolvendo à Petrobrás a capacidade de atuar de forma integrada em toda a cadeia do petróleo — da exploração e produção ao refino, transporte, petroquímica e distribuição.
Historicamente, esse modelo integrado permitiu maior eficiência operacional, planejamento de longo prazo, otimização da logística de combustíveis e segurança no abastecimento do mercado interno.
A situação torna-se ainda mais preocupante quando se observa que, apesar de o Brasil figurar entre os maiores produtores mundiais de petróleo, ainda depende da importação de parte significativa do diesel consumido internamente. Essa dependência expõe a economia brasileira às variações cambiais, aos preços internacionais e às crises geopolíticas, com reflexos diretos sobre o custo do transporte, da produção agrícola, da indústria e dos alimentos.
RLAM é peça-chave para a soberania energética
Na avaliação da AEPET-BA, a antiga Refinaria Landulpho Alves ocupa posição estratégica nesse processo. Inaugurada em 1950 como a primeira refinaria nacional, a RLAM foi responsável por impulsionar a industrialização da Bahia, fortalecer a economia regional e consolidar a Petrobrás como uma empresa integrada.
Desde sua privatização, em dezembro de 2021, quando passou a operar como Refinaria de Mataripe, a Bahia perdeu um importante instrumento de política energética. A Petrobrás deixou de controlar uma das principais refinarias do Nordeste, reduzindo sua capacidade de administrar estoques, redistribuir a produção entre unidades e responder rapidamente às oscilações da demanda.
Além disso, os consumidores baianos passaram a conviver com uma política de preços frequentemente superior à praticada pelas refinarias da Petrobrás.
Levantamento elaborado pelo economista Eric Gil, do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps) e da AEPET-BA, estima que, entre dezembro de 2021 e julho de 2026, os consumidores da Bahia desembolsaram aproximadamente R$ 4,40 bilhões a mais na compra de combustíveis em decorrência da política de preços da refinaria privatizada.
Desse total, cerca de R$ 1,26 bilhão corresponde à gasolina, R$ 1,85 bilhão ao diesel S-10 e aproximadamente R$ 1,28 bilhão ao gás de cozinha (GLP). O impacto do GLP é especialmente grave para as famílias de menor renda, que enfrentam maiores dificuldades para adquirir um produto essencial e, muitas vezes, recorrem ao uso de combustíveis inadequados para cozinhar, aumentando os riscos de acidentes domésticos.
Retomar o refino é fortalecer o desenvolvimento nacional
Para a AEPET-BA, a ampliação da produção nacional de diesel somente alcançará todo o seu potencial se vier acompanhada da reconstrução do parque de refino da Petrobrás. A recuperação da RLAM e das demais refinarias privatizadas permitirá ampliar a capacidade de processamento de petróleo no país, reduzir importações, agregar valor à produção nacional, gerar empregos qualificados, fortalecer a indústria brasileira e conferir maior estabilidade ao abastecimento de combustíveis.
Um sistema de refino integrado oferece melhores condições para enfrentar crises internacionais, reduzir a vulnerabilidade externa e assegurar que as riquezas produzidas pelo petróleo brasileiro contribuam para o crescimento econômico, a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida da população.
Nesse contexto, a reestatização da RLAM representa um passo decisivo para reconstruir a presença da Petrobrás na Bahia e recuperar um patrimônio estratégico para o estado e para o Brasil. Reintegrada ao Sistema Petrobrás, a refinaria poderá voltar a cumprir sua função histórica de fortalecer a soberania energética nacional, ampliar a produção de derivados e contribuir para uma política de combustíveis voltada ao interesse público e ao desenvolvimento do país.
