{"id":35260,"date":"2020-12-07T16:56:10","date_gmt":"2020-12-07T19:56:10","guid":{"rendered":"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/?p=35260"},"modified":"2021-02-01T16:28:16","modified_gmt":"2021-02-01T19:28:16","slug":"importancia-do-refino-do-transporte-e-da-distribuicao-do-petroleo-e-de-seus-derivados-para-o-brasil-e-a-petrobras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/importancia-do-refino-do-transporte-e-da-distribuicao-do-petroleo-e-de-seus-derivados-para-o-brasil-e-a-petrobras\/","title":{"rendered":"Import\u00e2ncia do Refino, do Transporte e da Distribui\u00e7\u00e3o do Petr\u00f3leo e de seus Derivados para o Brasil e a Petrobr\u00e1s"},"content":{"rendered":"<div class=\"itemIntroText yjk2_intro\">\n<p>Privatizar refinarias, terminais, dutos e distribuidora traz mais preju\u00edzos \u00e0 Petrobr\u00e1s do que poss\u00edveis benef\u00edcios<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"itemFullText yjk2_intro\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>AEPET*, mar\u00e7o de 2019<\/p>\n<p><strong>SUM\u00c1RIO<\/strong><\/p>\n<p>O petr\u00f3leo \u00e9 mais do que uma simples mercadoria negociada nas bolsas de valores. \u00c9 um ativo estrat\u00e9gico para a defesa do Brasil e o desenvolvimento tecnol\u00f3gico e econ\u00f4mico da Na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de derivados de petr\u00f3leo \u00e9 crucial para garantir a mobilidade de pessoas e de cargas, aumentar a produtividade do trabalho, dinamizar a atividade econ\u00f4mica, al\u00e9m de viabilizar a cadeia de valor das ind\u00fastrias petroqu\u00edmicas, de fertilizantes e de transforma\u00e7\u00e3o. O petr\u00f3leo e seus derivados s\u00e3o recursos chave na geopol\u00edtica internacional e fundamentais para o complexo industrial-militar de defesa.<\/p>\n<p>Avaliar o posicionamento de uma companhia estatal de petr\u00f3leo e energia integrada de maneira enviesada pelo vi\u00e9s ideol\u00f3gico, ao ignorar seu papel para o desenvolvimento soberano e a seguran\u00e7a energ\u00e9tica de um pa\u00eds \u00e9 postura inconsequente. Assim se pode implicar na depend\u00eancia externa de combust\u00edveis, gerar inseguran\u00e7a para o investimento produtivo e deteriorar a cadeia de valor do setor, com comprometimento do progresso econ\u00f4mico e do bem-estar social.<\/p>\n<p>De acordo com os cen\u00e1rios de refer\u00eancia das institui\u00e7\u00f5es da ind\u00fastria &#8211; Ag\u00eancia Internacional de Energia (IEA), Departamento de Energia dos EUA (DOE) \u2013 e publica\u00e7\u00f5es especializadas, o petr\u00f3leo continuar\u00e1 sendo a principal fonte prim\u00e1ria de energia do mundo, no horizonte 2040.<\/p>\n<p>A empresa integrada de petr\u00f3leo e energia representa muito mais do que a garantia do suprimento nacional de combust\u00edveis para o Brasil, o que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 pouco na imensid\u00e3o territorial do pa\u00eds, mas assegura a resili\u00eancia empresarial necess\u00e1ria para esta ind\u00fastria que \u00e9 submetida \u00e0 volatilidade do pre\u00e7o do petr\u00f3leo, fixado em mercados financeiros internacionais e, em especial no caso brasileiro, \u00e0 volatilidade do valor relativo da moeda nacional.<\/p>\n<p>Quanto menor o grau de integra\u00e7\u00e3o, maior a exposi\u00e7\u00e3o de uma petroleira \u00e0 choques de oferta, que derrubam o pre\u00e7o, destruindo a lucratividade da atividade de Explora\u00e7\u00e3o e Produ\u00e7\u00e3o (E&amp;P), conforme observado nos anos de 2015, 2016 e o primeiro semestre de 2017. Durantes esses 30 meses de pre\u00e7os moderados do petr\u00f3leo, os balan\u00e7os trimestrais da ind\u00fastria internacional apresentaram preju\u00edzos bilion\u00e1rios do segmento de E&amp;P, enquanto os lucros extraordin\u00e1rios do refino, transporte e comercializa\u00e7\u00e3o garantiram a resili\u00eancia das petroleiras integradas.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, esse trabalho conclui que a privatiza\u00e7\u00e3o de refinarias, terminais, dutos e distribuidora traz preju\u00edzos muito mais graves \u00e0 resili\u00eancia e sobreviv\u00eancia da Petrobr\u00e1s, na conjuntura de pre\u00e7os relativamente moderados de petr\u00f3leo, do que presum\u00edveis benef\u00edcios pela redu\u00e7\u00e3o dos gastos com juros decorrentes da antecipa\u00e7\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o da sua d\u00edvida.<\/p>\n<p>Neste artigo, a Associa\u00e7\u00e3o dos Engenheiros da Petrobr\u00e1s (AEPET) apresenta conquistas realizadas pelo Pa\u00eds e pela Petrobr\u00e1s relativas ao abastecimento nacional de combust\u00edveis, em favor do desenvolvimento do Brasil e que, por quest\u00f5es meramente ideol\u00f3gicas, est\u00e3o sendo postas em risco atualmente.<\/p>\n<p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>As refinarias, dutos, terminais e distribuidora da Petrobr\u00e1s s\u00e3o indispens\u00e1veis para garantir a seguran\u00e7a nacional. At\u00e9 a cria\u00e7\u00e3o do Conselho Nacional de Petr\u00f3leo (CNP) &#8211; Decreto-Lei n\u00b0 395, de 29 de abril de 1938 &#8211; os combust\u00edveis no Brasil dependiam da avalia\u00e7\u00e3o de oportunidade e da lucratividade pelas petroleiras estrangeiras.<\/p>\n<p>\u201cEm abril de 1938, o General Pedro Aur\u00e9lio de G\u00f3is Monteiro reassumiu o cargo de Chefe do Estado Maior do Ex\u00e9rcito. Um Estado Maior deve fazer planos de guerra, por mais imposs\u00edveis que sejam, para que, em caso de necessidade, estes j\u00e1 estejam prontos. Descobriu que o \u00f3rg\u00e3o n\u00e3o tinha plano algum. Decepcionado pegou um papel e rabiscou o que queria, plano de mobiliza\u00e7\u00e3o, de transporte, de informa\u00e7\u00f5es etc. Tudo para j\u00e1.<\/p>\n<p>Uma semana depois seu subordinado General J\u00falio Caetano Horta lhe trouxe a informa\u00e7\u00e3o: o Brasil n\u00e3o tinha gasolina sequer para oito dias de guerra. Abismado Gois Monteiro convocou o General Horta para baterem \u00e0 porta do Presidente Get\u00falio. Denunciaram o caso, e naquela reuni\u00e3o decidiu-se a cria\u00e7\u00e3o de um novo \u00f3rg\u00e3o, o Conselho Nacional do Petr\u00f3leo. Para seu primeiro chefe foi designado Horta, veterano de Canudos.<\/p>\n<p>Ele realizou estudos, visitou a primeira refinaria estatal sul-americana, no Uruguai. E depois de quinze anos de muita luta pol\u00edtica surgiu uma empresa estatal que virtualmente monopolizava o petr\u00f3leo no Brasil. Discute-se a Petrobr\u00e1s.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 importante n\u00e3o esquecer o que deu origem \u00e0 Petrobr\u00e1s: necessidades militares e estrat\u00e9gicas, mais do que econ\u00f4micas\u201d (extra\u00eddo de Claudio Oliveira, \u201cEm defesa da Ind\u00fastria Integrada: A Petrobr\u00e1s no Refino e na Distribui\u00e7\u00e3o\u201d, in\u00e9dito).<\/p>\n<p>As refinarias, dutos, terminais e a distribuidora da Petrobr\u00e1s s\u00e3o indispens\u00e1veis para garantir bons resultados empresariais diante da inevit\u00e1vel varia\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo e da taxa de c\u00e2mbio. No caso da atual dire\u00e7\u00e3o da Petrobr\u00e1s privatizar refinarias e a infraestrutura do abastecimento haver\u00e1 grave redu\u00e7\u00e3o na capacidade de gera\u00e7\u00e3o de caixa e de realiza\u00e7\u00e3o de investimentos da companhia. O fluxo de caixa da empresa ser\u00e1 mais vol\u00e1til e aumentar\u00e1 o grau de risco associado, fato que aumentar\u00e1 o custo de capta\u00e7\u00e3o de recursos de terceiros. No mesmo sentido, ser\u00e1 prejudicada a capacidade de administra\u00e7\u00e3o da d\u00edvida e reduzido o montante do pagamento de impostos. Em suma, a empresa ser\u00e1 enfraquecida e ser\u00e1 reduzida substancialmente sua contribui\u00e7\u00e3o para com a economia brasileira, em favor do capital privado e estrangeiro.<\/p>\n<p><strong>INCONSIST\u00caNCIA DO PROJETO NEOLIBERAL PARA PETROBR\u00c1S<\/strong><\/p>\n<p>Segundo a Reuters, o atual presidente da Petrobr\u00e1s, Roberto Castello Branco, sinaliza novo programa e ainda mais ousado para venda de refinarias. Segundo a mat\u00e9ria, o executivo afirmou que &#8220;N\u00e3o pretendemos nos prender a um programa t\u00edmido, (como por exemplo) vender 60 por cento de &#8216;clusters&#8217;&#8230; restringir compradores. Qualquer um pode entrar&#8221;. (Reuters, 2019)<\/p>\n<p><strong>O mercado dos combust\u00edveis \u00e9 aberto e competitivo<\/strong><\/p>\n<p>Desde 1997, n\u00e3o h\u00e1 monop\u00f3lio no segmento de refino exercido pela Petrobr\u00e1s. O mercado brasileiro \u00e9 aberto e competitivo. De acordo com a ANP, existem 18 refinarias em opera\u00e7\u00e3o no Brasil, das quais 14 pertencem \u00e0 Petrobr\u00e1s.<\/p>\n<p>A alega\u00e7\u00e3o de que existe \u201cmonop\u00f3lio de fato\u201d no setor de refino do Brasil, implicaria na possibilidade da Petrobr\u00e1s praticar pre\u00e7os acima do n\u00edvel competitivo e, mesmo assim, n\u00e3o incorrer em perda de mercado (<em>market share<\/em>). Essa hip\u00f3tese \u00e9 falsa, conforme mostram os dados de perda de participa\u00e7\u00e3o no mercado da Petrobr\u00e1s nos anos de 2016 e 2017, quando a empresa perdeu parcela significativa do mercado de diesel (acima de 20%, ou 200 mil bpd) para refinarias estadunidenses, localizadas no Golfo do M\u00e9xico, ao praticar pre\u00e7os acima da paridade de importa\u00e7\u00e3o (PPI), de acordo com a pol\u00edtica de pre\u00e7os iniciada pelo ent\u00e3o presidente Pedro Parente.<\/p>\n<p>O aumento expressivo da ociosidade do parque de refino brasileiro em 2017 e no primeiro trimestre de 2018 (quando se aproximou de 30%), de acordo com o balan\u00e7o trimestral da Petrobr\u00e1s, tamb\u00e9m comprova a nulidade do conceito de \u201cmonop\u00f3lio de fato\u201d no refino do Brasil, uma vez que mostra a incapacidade da Petrobr\u00e1s sustentar pre\u00e7os acima da PPI sem perda de\u00a0<em>market share<\/em>. Tal fato revela um outro conceito econ\u00f4mico associado a estrutura de mercado denominada monop\u00f3lio, o do\u00a0<em>mercado relevante<\/em>.<\/p>\n<p>Ao se verificar que a concorr\u00eancia de um mercado baseado em uma\u00a0<em>commodity<\/em>, como a gasolina e o diesel, acontece entre empresas situadas em uma regi\u00e3o mais ampla que as fronteiras de um pa\u00eds, deve-se ampliar o\u00a0<em>mercado relevante<\/em>\u00a0na qual se insere a an\u00e1lise do monopolista hipot\u00e9tico. Nesse caso, deve-se ampliar para a Bacia do Atl\u00e2ntico, onde se situam as principais concorrentes da Petrobr\u00e1s, sobre o mercado brasileiro de derivados.<\/p>\n<p>Por outro lado, existem outras refinarias privadas operando no Pa\u00eds, que podem ampliar sua capacidade, de acordo com seu apetite de assumir riscos de investimento, assim como a Petrobr\u00e1s fez, com objetivo de atender ao crescimento do mercado nacional de combust\u00edveis.<\/p>\n<p>Obrigar a Petrobr\u00e1s a se desfazer de seus ativos em favor de empresas privadas representa uma a\u00e7\u00e3o contra a natureza de uma companhia de petr\u00f3leo, cujo valor da integra\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos principais pilares de sucesso, em uma ind\u00fastria que precisa superar muitos desafios para se manter forte e resiliente, com capacidade de investir para encontrar, produzir e agregar valor ao petr\u00f3leo cru.<\/p>\n<p>Destaca-se tamb\u00e9m o valor da integra\u00e7\u00e3o na contribui\u00e7\u00e3o de dilui\u00e7\u00e3o de riscos associados \u00e0 volatilidade do pre\u00e7o do petr\u00f3leo e do c\u00e2mbio. Mas, al\u00e9m de tudo, \u00e9 uma agress\u00e3o \u00e0 Petrobr\u00e1s que assumiu riscos ao realizar investimentos de longa matura\u00e7\u00e3o, como as refinarias.<\/p>\n<p>Entregar refinarias ao setor privado ir\u00e1 enfraquecer a Petrobr\u00e1s, em um movimento na contram\u00e3o da ind\u00fastria, em um contexto onde as empresas internacionais de petr\u00f3leo (IOC) retomaram os investimentos no parque de refino mundial e, notadamente, as empresas nacionais de petr\u00f3leo (NOC), que est\u00e3o se fortalecendo em todo o mundo, inclusive atrav\u00e9s da expans\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o da capacidade de refino com a petroqu\u00edmica, a exemplo dos pa\u00edses da \u00c1sia (China, \u00cdndia, Indon\u00e9sia, Mal\u00e1sia), da R\u00fassia (Rosneft e Gazprom) e do Oriente M\u00e9dio (SaudiAramco).<\/p>\n<p>A Figura 1 mostra que a lucratividade do E&amp;P das maiores petrol\u00edferas internacionais privadas (IOC) est\u00e1 quase que diretamente correlacionada com o pre\u00e7o do petr\u00f3leo, enquanto a lucratividade do refino aumentou quando os pre\u00e7os do Brent ca\u00edram para n\u00edveis moderados (em torno de US$ 50\/bbl), nos anos de 2015, 2016 e no primeiro semestre de 2017.<\/p>\n<p><strong><img src=\"http:\/\/www.aepet.org.br\/w3\/images\/2019\/04\/Fig1.jpg\" alt=\"Fig1\" \/><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong>Figura 1<\/strong>: Lucro operacional do E&amp;P e do Refino das 5 maiores empresas internacionais de petr\u00f3leo do mundo (IOC \u2013 Exxon, Shell, BP, Chevron e Total). Fonte: EvaluateEnergy, 2019<\/p>\n<p><strong><br \/>\n<img src=\"http:\/\/www.aepet.org.br\/w3\/images\/2019\/04\/Fig2.jpg\" alt=\"Fig2\" \/><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong>Figura 2<\/strong>: Evolu\u00e7\u00e3o da integra\u00e7\u00e3o vertical na cadeia das 5 maiores empresas estatais de petr\u00f3leo do mundo (SaudiAramco, NIOC, CNPC, Rosneft, Gazprom)\u00a0 Fonte: PIW, 2018<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Figura 2 mostra que a capacidade de refino foi o elo da cadeia que respondeu pelo maior incremento de capacidade, de 5 milh\u00f5es bpd, indicando que a integra\u00e7\u00e3o vertical continua sendo uma estrat\u00e9gia de agrega\u00e7\u00e3o de valor para as maiores petroleiras estatais (NOC) que possuem livre acesso \u00e0s reservas de petr\u00f3leo em seus pa\u00edses.<\/p>\n<p><strong>CONCLUS\u00c3O<br \/>\n<\/strong><br \/>\nA integra\u00e7\u00e3o vertical e os ativos do refino, log\u00edstica, transporte e distribui\u00e7\u00e3o s\u00e3o fundamentais para garantir os resultados corporativos da Petrobr\u00e1s, assim como para evitar que o Pa\u00eds retorne \u00e0 depend\u00eancia do capital estrangeiro como ocorreu no setor at\u00e9 1937. S\u00e3o os ativos do Abastecimento que garantem a gera\u00e7\u00e3o de caixa nos per\u00edodos de valoriza\u00e7\u00e3o do D\u00f3lar, desvaloriza\u00e7\u00e3o do Real e do petr\u00f3leo no mercado internacional.<\/p>\n<p>A gera\u00e7\u00e3o de caixa, medida pelo EBITDA ajustado, permite que a companhia disponha de recursos para seus investimentos para repor a exaust\u00e3o das reservas de petr\u00f3leo e para agregar valor ao petr\u00f3leo cru, al\u00e9m dos investimentos para produ\u00e7\u00e3o das energias potencialmente renov\u00e1veis. A capacidade de gerar caixa, mesmo diante da queda do pre\u00e7o do petr\u00f3leo e da desvaloriza\u00e7\u00e3o do Real, \u00e9 fundamental para a administra\u00e7\u00e3o da d\u00edvida da companhia, assim como para o pagamento dos impostos ao Estado Nacional e seus entes federados.<\/p>\n<p>Privatizar as refinarias, terminais, bases log\u00edsticas e a distribuidora da Petrobr\u00e1s \u00e9 condenar a companhia a ter resultados empresariais d\u00e9beis diante das inevit\u00e1veis varia\u00e7\u00f5es cambiais e do pre\u00e7o internacional do petr\u00f3leo e colocar o Brasil sem autonomia para o transporte de seus habitantes e mercadorias, em preju\u00edzo \u00e0 produtividade da nossa for\u00e7a de trabalho e \u00e0s opera\u00e7\u00f5es das institui\u00e7\u00f5es e empresas nacionais.<\/p>\n<p>A privatiza\u00e7\u00e3o dos ativos de abastecimento e distribui\u00e7\u00e3o que pode auferir recursos no curto prazo compromete definitivamente os resultados futuros da Na\u00e7\u00e3o e da Petrobr\u00e1s e nos exp\u00f5e, os brasileiros, a riscos desnecess\u00e1rios, na contram\u00e3o da integra\u00e7\u00e3o vertical adotada pelas maiores companhias privadas e estatais internacionais.<\/p>\n<p><strong>A privatiza\u00e7\u00e3o de refinarias, terminais, dutos e distribuidora traz preju\u00edzos muito mais graves \u00e0 resili\u00eancia e sobreviv\u00eancia da Petrobr\u00e1s, com pre\u00e7os relativamente baixos de petr\u00f3leo, do que poss\u00edveis benef\u00edcios pela redu\u00e7\u00e3o dos gastos com juros decorrentes da poss\u00edvel antecipa\u00e7\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o da d\u00edvida.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ASPECTOS T\u00c9CNICOS, ECON\u00d4MICOS E EMPRESARIAIS QUE SUPORTAM O DIAGN\u00d3STICO E AS CONCLUS\u00d5ES DA AEPET<\/strong><\/p>\n<p><strong>Refino, log\u00edstica, transporte e distribui\u00e7\u00e3o s\u00e3o fundamentais para a Petrobr\u00e1s e para o Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Os ativos do segmento do Abastecimento garantem a lucratividade da Petrobr\u00e1s diante da varia\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o internacional do petr\u00f3leo e da cota\u00e7\u00e3o cambial. S\u00e3o fatores de risco que independem da atua\u00e7\u00e3o da companhia e do governo brasileiro, s\u00e3o vari\u00e1veis que dependem da valoriza\u00e7\u00e3o relativa do d\u00f3lar que \u00e9 resultado da pol\u00edtica monet\u00e1ria do banco central dos EUA e de fatores geopol\u00edticos internacionais.<\/p>\n<p>A seguir s\u00e3o apresentados os resultados hist\u00f3ricos para evidenciar a import\u00e2ncia do segmento para o desempenho empresarial da Petrobr\u00e1s.<\/p>\n<p>O gr\u00e1fico 1 apresenta a varia\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo e da cota\u00e7\u00e3o cambial.<\/p>\n<p><img src=\"http:\/\/www.aepet.org.br\/w3\/images\/2019\/04\/Gr1.jpg\" alt=\"Gr1\" \/><\/p>\n<p><strong>Gr\u00e1fico 1<\/strong>: Varia\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do petr\u00f3leo Brent e da cota\u00e7\u00e3o do Real em rela\u00e7\u00e3o ao D\u00f3lar (2011-2018)<\/p>\n<p>O gr\u00e1fico 1 evidencia a varia\u00e7\u00e3o significativa tanto do pre\u00e7o do petr\u00f3leo quanto da cota\u00e7\u00e3o cambial desde 2011. A varia\u00e7\u00e3o destes pre\u00e7os \u00e9 o resultado da valoriza\u00e7\u00e3o, ou desvaloriza\u00e7\u00e3o, do d\u00f3lar estadunidense em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s demais mercadorias e moedas no mercado internacional. Os resultados da Petrobr\u00e1s s\u00e3o impactados por esses movimentos e o desempenho corporativo, para ser resiliente, depende da integra\u00e7\u00e3o vertical da companhia com atua\u00e7\u00e3o em diversos segmentos da cadeia de valor do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Para evidenciar a import\u00e2ncia do segmento do Abastecimento na gera\u00e7\u00e3o de caixa e no desempenho operacional da Petrobr\u00e1s ser\u00e1 utilizado o EBITDA Ajustado que representa uma alternativa da gera\u00e7\u00e3o operacional de caixa da companhia e \u00e9 computado usando o EBITDA (lucro l\u00edquido do per\u00edodo acrescido dos tributos sobre o lucro, resultado financeiro l\u00edquido, deprecia\u00e7\u00e3o e amortiza\u00e7\u00e3o), ajustado por itens que n\u00e3o s\u00e3o considerados como parte dos neg\u00f3cios prim\u00e1rios da companhia, o que inclui resultado da participa\u00e7\u00e3o em investimentos,\u00a0<strong>impairment<\/strong>,\u00a0resultados provenientes de desinvestimentos e baixa de ativos, e efeitos cambiais acumulados de convers\u00e3o (CTA) reclassificados para resultado.<\/p>\n<p>O EBITDA ajustado \u00e9 uma aproxima\u00e7\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o operacional de caixa. Esta medida \u00e9 utilizada para c\u00e1lculo da m\u00e9trica D\u00edvida L\u00edquida sobre EBITDA Ajustado, estabelecida no Plano de Neg\u00f3cio e Gest\u00e3o (PNG 2018-2022), auxiliando avalia\u00e7\u00e3o da alavancagem e liquidez da companhia.<\/p>\n<p>O gr\u00e1fico 2 apresenta a varia\u00e7\u00e3o do EBITDA ajustado do segmento de Explora\u00e7\u00e3o e Produ\u00e7\u00e3o (E&amp;P) da Petrobr\u00e1s, expresso em milh\u00f5es de d\u00f3lares atualizados para 2018, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cota\u00e7\u00e3o cambial.<\/p>\n<p><img src=\"http:\/\/www.aepet.org.br\/w3\/images\/2019\/04\/GR2.jpg\" alt=\"GR2\" \/><\/p>\n<p><strong>Gr\u00e1fico 2<\/strong>: Varia\u00e7\u00e3o do EBITDA ajustado do E&amp;P e da cota\u00e7\u00e3o do Real em rela\u00e7\u00e3o ao D\u00f3lar (2011-2018)<\/p>\n<p>O gr\u00e1fico 2 evidencia que h\u00e1 forte correla\u00e7\u00e3o entre a varia\u00e7\u00e3o da cota\u00e7\u00e3o cambial e o resultado do E&amp;P, expresso pelo EBITDA ajustado. Observa-se que as duas medidas variam juntas. Quanto mais desvalorizado o Real em rela\u00e7\u00e3o ao D\u00f3lar, menor o EBITDA ajustado do segmento do E&amp;P.<\/p>\n<p>O gr\u00e1fico 3 apresenta a varia\u00e7\u00e3o do EBITDA ajustado do segmento do Abastecimento da Petrobr\u00e1s em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cota\u00e7\u00e3o cambial.<\/p>\n<p><img src=\"http:\/\/www.aepet.org.br\/w3\/images\/2019\/04\/GR3.jpg\" alt=\"GR3\" \/><\/p>\n<p><strong>Gr\u00e1fico 3<\/strong>: Varia\u00e7\u00e3o do EBITDA ajustado do Abastecimento e da cota\u00e7\u00e3o do Real em rela\u00e7\u00e3o ao D\u00f3lar (2011-2018)<\/p>\n<p>O gr\u00e1fico 3 mostra que h\u00e1 correla\u00e7\u00e3o entre o resultado operacional do Abastecimento e a cota\u00e7\u00e3o cambial. Ao contr\u00e1rio do E&amp;P, quando o Real se desvaloriza em rela\u00e7\u00e3o ao D\u00f3lar a gera\u00e7\u00e3o de operacional de caixa, medida pelo EBITDA ajustado, do Abastecimento tende a ser mais elevada.<\/p>\n<p>Quando o Real est\u00e1 valorizado (D\u00f3lar desvalorizado) melhores resultados operacionais se verificam no segmento do E&amp;P, j\u00e1 quando o Real est\u00e1 desvalorizado (D\u00f3lar valorizado) os resultados operacionais auferidos pelo Abastecimento se elevam. A integra\u00e7\u00e3o verticalizada da companhia permite que gere bons resultados de gera\u00e7\u00e3o de caixa diante da varia\u00e7\u00e3o cambial que \u00e9 uma vari\u00e1vel que n\u00e3o depende da companhia.<\/p>\n<p>O gr\u00e1fico 4 apresenta a varia\u00e7\u00e3o do EBITDA ajustado do segmento do E&amp;P da Petrobr\u00e1s em rela\u00e7\u00e3o ao pre\u00e7o do petr\u00f3leo do tipo Brent, em d\u00f3lares atualizados para 2018.<\/p>\n<p><img src=\"http:\/\/www.aepet.org.br\/w3\/images\/2019\/04\/GR4.jpg\" alt=\"GR4\" \/><\/p>\n<p><strong>Gr\u00e1fico 4<\/strong>: Varia\u00e7\u00e3o do EBITDA ajustado do E&amp;P e do petr\u00f3leo Brent (2011-2018)<\/p>\n<p>O gr\u00e1fico 4 mostra que existe forte correla\u00e7\u00e3o entre a varia\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do petr\u00f3leo Brent e a gera\u00e7\u00e3o operacional de caixa do E&amp;P, expressa pelo EBITDA ajustado. Observa-se que as duas medidas variam juntas. Quanto mais valorizado o petr\u00f3leo em rela\u00e7\u00e3o ao D\u00f3lar, maior o EBITDA ajustado do segmento do E&amp;P. De forma an\u00e1loga, quanto mais valorizada a moeda dos EUA (e desvalorizado o petr\u00f3leo) menor o EBITDA do E&amp;P.<\/p>\n<p>O gr\u00e1fico 5 apresenta a varia\u00e7\u00e3o do EBITDA ajustado do segmento do Abastecimento da Petrobr\u00e1s em rela\u00e7\u00e3o ao pre\u00e7o do petr\u00f3leo Brent.<\/p>\n<p><img src=\"http:\/\/www.aepet.org.br\/w3\/images\/2019\/04\/GR5.jpg\" alt=\"GR5\" \/><\/p>\n<p><strong>Gr\u00e1fico 5<\/strong>: Varia\u00e7\u00e3o do EBITDA ajustado do Abastecimento e do petr\u00f3leo Brent (2011-2018)<\/p>\n<p>O gr\u00e1fico 5 mostra que h\u00e1 correla\u00e7\u00e3o entre o resultado operacional do Abastecimento e o pre\u00e7o do petr\u00f3leo. Inversamente ao E&amp;P, quando o petr\u00f3leo se desvaloriza em rela\u00e7\u00e3o ao D\u00f3lar a gera\u00e7\u00e3o de operacional de caixa, medida pelo EBITDA ajustado, do Abastecimento tende a ser mais elevada.<\/p>\n<p>Quando o petr\u00f3leo est\u00e1 valorizado (D\u00f3lar desvalorizado) melhores resultados operacionais se verificam no segmento do E&amp;P, mas quando o petr\u00f3leo est\u00e1 desvalorizado (D\u00f3lar valorizado) os resultados operacionais auferidos pelo Abastecimento se elevam e compensam a queda no E&amp;P. A integra\u00e7\u00e3o verticalizada da companhia permite que sejam obtidos bons resultados de gera\u00e7\u00e3o de caixa diante da varia\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do petr\u00f3leo, assim como analisado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cota\u00e7\u00e3o cambial que s\u00e3o vari\u00e1veis que n\u00e3o dependem da companhia.<\/p>\n<p>O gr\u00e1fico 6 apresenta a varia\u00e7\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o operacional de caixa, por meio do EBITDA ajustado por segmento, para o E&amp;P e o Abastecimento da Petrobr\u00e1s.<\/p>\n<p><img src=\"http:\/\/www.aepet.org.br\/w3\/images\/2019\/04\/GR6.jpg\" alt=\"GR6\" \/><\/p>\n<p><strong>Gr\u00e1fico 6<\/strong>: Varia\u00e7\u00e3o do EBITDA ajustado do E&amp;P e do Abastecimento (2011-2018)<\/p>\n<p>O gr\u00e1fico 6 apresenta a rela\u00e7\u00e3o entre os resultados dos segmentos do E&amp;P e do Abastecimento, confirmando que h\u00e1 um efeito de compensa\u00e7\u00e3o, quando o resultado de um dos segmentos cai o do outro se eleva. A integra\u00e7\u00e3o verticalizada das maiores companhias de petr\u00f3leo do mundo \u00e9 pr\u00e1tica hist\u00f3rica e reconhecida. No Brasil, o imperativo da verticaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais importante diante da forte oscila\u00e7\u00e3o da nossa moeda, al\u00e9m das cada vez maiores, e mais frequentes, oscila\u00e7\u00f5es no pre\u00e7o do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>A tabela 1 apresenta o resultado operacional da Petrobr\u00e1s, e por segmento de E&amp;P e Abastecimento, desde 2011, assim como a varia\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os m\u00e9dios anuais da cota\u00e7\u00e3o cambial e do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img src=\"http:\/\/www.aepet.org.br\/w3\/images\/2019\/04\/Tab1.jpg\" alt=\"Tab1\" \/><\/p>\n<p><strong>Tabela 1<\/strong>: Cota\u00e7\u00e3o cambial, petr\u00f3leo Brent e EBITDA ajustado da Petrobr\u00e1s e por segmento do E&amp;P e Abastecimento, em d\u00f3lares atualizados para 2018 (2011-2018)<\/p>\n<p>A tabela 1 demonstra a capacidade de gera\u00e7\u00e3o operacional de caixa da Petrobr\u00e1s, como empresa integrada, mesmo diante das varia\u00e7\u00f5es da cota\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio e do petr\u00f3leo. O futuro e a resili\u00eancia da Petrobr\u00e1s dependem da preserva\u00e7\u00e3o dos seus ativos do refino, log\u00edsticos, de transporte e distribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>INVESTIMENTOS DA PETROBR\u00c1S NO SEGMENTO DO ABASTECIMENTO NACIONAL E O MERCADO DE DERIVADOS<\/strong><\/p>\n<p>Entre 1965 e 2018 a Petrobr\u00e1s investiu mais de US$ 328 bilh\u00f5es (atualizados para 2018) em Refino, Log\u00edstica, Transporte e demais ativos da infraestrutura do segmento do Abastecimento. O gr\u00e1fico 7 apresenta o investimento anual, desde 1965, em d\u00f3lares atualizados para 2018.<\/p>\n<p><img src=\"http:\/\/www.aepet.org.br\/w3\/images\/2019\/04\/GR7.jpg\" alt=\"GR7\" \/><\/p>\n<p><strong>Gr\u00e1fico 7<\/strong>: Investimento anual da Petrobr\u00e1s no Abastecimento e sua participa\u00e7\u00e3o relativa ao investimento total (2011-2018)<\/p>\n<p>O parque de refino nacional da Petrobr\u00e1s representa cerca de 98% da capacidade total de refino brasileira. Desde 1997 o mercado brasileiro \u00e9 aberto para novos investimentos em capacidade de refino e para importa\u00e7\u00e3o de derivados. Os investimentos privados foram irrelevantes em compara\u00e7\u00e3o com o investimento da Petrobr\u00e1s que desde 1997 alcan\u00e7ou mais de US$ 136 bilh\u00f5es, representando cerca de 24% do total investido pela companhia neste per\u00edodo.<\/p>\n<p>O gr\u00e1fico 8 apresenta a evolu\u00e7\u00e3o da capacidade de refino no Brasil, em milhares de barris por dia.<\/p>\n<p><img src=\"http:\/\/www.aepet.org.br\/w3\/images\/2019\/04\/GR8.jpg\" alt=\"GR8\" \/><\/p>\n<p><strong>Gr\u00e1fico 8<\/strong>: Capacidade de refino no Brasil, em milhares de barris por dia (Mendes, Teixeira, Rocio, &amp; Prates, 2018)<\/p>\n<p>De fato, a grande for\u00e7a motriz criadora do parque de refino brasileiro foi a Petrobr\u00e1s. \u00c0 parte da incipiente experi\u00eancia entre os anos 1930 e 1940, pode-se esquematizar o desenvolvimento do refino no Brasil em cinco etapas \u2013 com os grandes investimentos tendo sido realizados nos anos 1960 e 1970 e alguns outros investimentos, tamb\u00e9m significativos, nos anos 2000, envolvendo, sobretudo, moderniza\u00e7\u00f5es e expans\u00f5es do parque ent\u00e3o existente. (Mendes, Teixeira, Rocio, &amp; Prates, 2018)<\/p>\n<p><strong>Pre\u00e7os altos dos combust\u00edveis prejudicam o consumidor, a Petrobr\u00e1s e a economia brasileira, beneficiam importadores e concorrentes da estatal<\/strong><\/p>\n<p>O mercado brasileiro\u00a0do refino \u00e9 aberto e competitivo, faz parte da Bacia do Atl\u00e2ntico, como demonstra a recente invas\u00e3o do mercado pelo diesel produzido nos EUA, resultado dos pre\u00e7os altos arbitrados desde 2016 pela dire\u00e7\u00e3o da Petrobr\u00e1s.<\/p>\n<p>\u00c9 descabida a exig\u00eancia de pre\u00e7os internacionais como condi\u00e7\u00e3o para investimentos no refino. Ainda mais estranho \u00e9 o desejo de impedir \u00e0 a\u00e7\u00e3o do Estado Brasileiro no setor.<\/p>\n<p>O mercado de derivados no Brasil est\u00e1 inserido no mercado global, onde a competi\u00e7\u00e3o ocorre principalmente entre as refinarias situadas na Bacia do Atl\u00e2ntico. Dessa forma, aquela empresa que pratica pre\u00e7os de monop\u00f3lio (acima da paridade internacional), acaba por perder participa\u00e7\u00e3o no mercado, exatamente o que aconteceu com a Petrobr\u00e1s no Brasil, a partir da pol\u00edtica de pre\u00e7os altos, iniciada em 2016.<\/p>\n<p><img src=\"http:\/\/www.aepet.org.br\/w3\/images\/2019\/04\/GR9.jpg\" alt=\"GR9\" \/><\/p>\n<p><strong>Gr\u00e1fico 9<\/strong>: Exporta\u00e7\u00e3o de diesel dos EUA para o Brasil, em milhares de barris por dia (EIA-DOE, 2018)<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que no Brasil, a Petrobr\u00e1s, por refinar petr\u00f3leo produzido pela pr\u00f3pria empresa, pode praticar pre\u00e7os abaixo da chamada paridade de importa\u00e7\u00e3o e continuar lucrativa. Nesse ponto vale ressaltar o exemplo da Col\u00f4mbia. Sua empresa estatal, a Ecopetrol, atua de forma integrada e det\u00e9m, assim como a Petrobr\u00e1s, quase 100% do mercado dom\u00e9stico de derivados do pa\u00eds. A Ecopetrol pratica, desde a greve de caminhoneiros em 2016, pre\u00e7os abaixo da PPI para a popula\u00e7\u00e3o colombiana. A refer\u00eancia \u00e9 a paridade de exporta\u00e7\u00e3o, que reflete o custo de exportar um derivado para um hub de distribui\u00e7\u00e3o nos EUA. Dessa forma, os pre\u00e7os praticados no mercado interno s\u00e3o inferiores aos praticados pelas importadoras de derivados, assegurando mercado para Ecopetrol e favorecendo os consumidores de combust\u00edveis e a economia colombiana.<\/p>\n<p>Importa ressaltar que a pol\u00edtica de pre\u00e7os acima do pre\u00e7o de paridade internacional n\u00e3o significou maximiza\u00e7\u00e3o de lucros, nem muito menos uma pr\u00e1tica monopolista. (AEPET, AEPET contesta as fal\u00e1cias de D\u00e9cio Oddone (ANP) sobre o refino e a pol\u00edtica de pre\u00e7os da Petrobr\u00e1s , 2018).<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o final da greve dos caminhoneiros no Brasil, com pre\u00e7os mais baixos e menor volume importado, a Petrobr\u00e1s recuperou sua participa\u00e7\u00e3o de mercado e aumentou significativamente o lucro do refino, conforme demonstrado no balan\u00e7o do segundo trimestre de 2018.<\/p>\n<p>Somente a Petrobr\u00e1s consegue suprir o mercado dom\u00e9stico de derivados com pre\u00e7os abaixo do mercado internacional e, ainda assim, obter n\u00edveis de lucro compat\u00edveis com a ind\u00fastria, para sustentar uma elevada curva de investimentos, que contribuem diretamente com aumento da renda e dos empregos no pa\u00eds. (Coutinho, 2018)<\/p>\n<p><strong>Refino garante bons resultados da Petrobr\u00e1s quando os pre\u00e7os do petr\u00f3leo est\u00e3o mais baixos<br \/>\n<\/strong><br \/>\nEm entrevista ao Valor,\u00a0Castello Branco afirma que &#8220;Companhias produtoras de commodities minerais t\u00eam que ter uma alavancagem muito baixa e custos operacionais baixos porque seus produtos est\u00e3o expostos \u00e0 volatilidade dos pre\u00e7os dos produtos, que implica volatilidade nos fluxos de caixa. Tem que se estar sempre preparado para os maus momentos. A melhor maneira de estar preparado para a volatilidade.&#8221;<\/p>\n<p>Complementa que &#8220;A experi\u00eancia indica uma alavancagem de d\u00edvida bruta versus EBITDA de uma vez e meia. Estamos trabalhando para sobreviver bem com um pre\u00e7o m\u00e9dio do petr\u00f3leo Brent a US$ 50 por barril. \u201d E ainda que &#8220;Achamos muito t\u00edmido [o programa original de venda de refinarias].&#8221; (Valor, 2019)<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, segundo o atual presidente da Petrobr\u00e1s, para lidar com pre\u00e7os baixos do petr\u00f3leo \u00e9 preciso reduzir a d\u00edvida, enquanto afirma que o plano atual de privatizar 60% das quatro refinarias do Nordeste e do Sul \u00e9 t\u00edmido.<\/p>\n<p>A d\u00edvida bruta da Petrobr\u00e1s no final de 2018 foi de US$ 84,4 bilh\u00f5es. A taxa m\u00e9dia dos financiamentos de 6,1% ao ano. Pela taxa m\u00e9dia, a despesa com juros \u00e9 de US$ 5,1 bilh\u00f5es. Caso a Petrobr\u00e1s reduza em 40% a d\u00edvida, mantido o custo de capital, a economia seria de US$ 2,1 bilh\u00f5es por ano.<\/p>\n<p>A gera\u00e7\u00e3o de caixa do segmento do Abastecimento da Petrobr\u00e1s entre 2015 e 2017, per\u00edodo de pre\u00e7o do petr\u00f3leo relativamente baixo, m\u00e9dio de US$ 52,68 por barril, alcan\u00e7ou EBITIDA ajustado m\u00e9dio anual de US$ 12,2 bilh\u00f5es (em valores atualizados para 2018).<\/p>\n<p>Caso a d\u00edvida fosse reduzida em 40%, a economia com a redu\u00e7\u00e3o do pagamento de juros seria de US$ 2,1 bilh\u00f5es, o que representa apenas 17% da capacidade de gera\u00e7\u00e3o de caixa do Abastecimento nas condi\u00e7\u00f5es de pre\u00e7o do petr\u00f3leo historicamente pr\u00f3ximos de US$ 50 por barril.<\/p>\n<p><strong>Sendo assim, privatizar mais de 17% da atual capacidade de refino e abastecimento significa comprometer gera\u00e7\u00e3o de caixa anual superior \u00e0 potencial redu\u00e7\u00e3o do pagamento de juros decorrentes da diminui\u00e7\u00e3o de 40% do atual endividamento da companhia.<\/strong><\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o\u00a0do endividamento tratada, de 40% dos US$ 84,4 bilh\u00f5es, ou seja, de US$ 33,7 bilh\u00f5es \u00e9 equivale ao montante que poderia ser investido na explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo, assim como na agrega\u00e7\u00e3o de valor ao petr\u00f3leo cru. A an\u00e1lise n\u00e3o considera o impacto desta redu\u00e7\u00e3o de investimento potencial na gera\u00e7\u00e3o de caixa futura da companhia.<\/p>\n<p>O somat\u00f3rio do lucro operacional do Abastecimento da Petrobr\u00e1s nos anos de 2015, 2016 e 2017 registrou US$ 23,7 bilh\u00f5es, em valores corrigidos para 2018, enquanto o E&amp;P obteve US$ 9,4 bilh\u00f5es no mesmo per\u00edodo, quando o pre\u00e7o do petr\u00f3leo m\u00e9dio foi de US$ 52,68 por barril.<\/p>\n<p><strong>A privatiza\u00e7\u00e3o de refinarias, terminais, dutos e distribuidora traz preju\u00edzos muito mais graves \u00e0 resili\u00eancia e sobreviv\u00eancia da Petrobr\u00e1s, com pre\u00e7os relativamente baixos de petr\u00f3leo, do que poss\u00edveis benef\u00edcios pela redu\u00e7\u00e3o dos gastos com juros decorrentes da poss\u00edvel antecipa\u00e7\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o da d\u00edvida.<\/strong><\/p>\n<p><strong>* Associa\u00e7\u00e3o dos Engenheiros da Petrobr\u00e1s (AEPET)<\/strong><br \/>\n<strong><a href=\"http:\/\/aepet.org.br\/w3\/\">http:\/\/aepet.org.br\/w3\/<\/a>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\nRefer\u00eancias<br \/>\n<\/strong><br \/>\nAEPET. (2018). AEPET contesta as fal\u00e1cias de D\u00e9cio Oddone (ANP) sobre o refino e a pol\u00edtica de pre\u00e7os da Petrobr\u00e1s . Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.aepet.org.br\/w3\/index.php\/conteudo-geral\/item\/2011-aepet-contesta-as-falacias-de-decio-oddone-anp-sobre-o-refino-e-a-politica-de-precos-da-petrobras\">http:\/\/aepet.org.br\/w3\/index.php\/conteudo-geral\/item\/2011-aepet-contesta-as-falacias-de-decio-oddone-anp-sobre-o-refino-e-a-politica-de-precos-da-petrobras<br \/>\n<\/a><br \/>\nCoutinho, F. (2018). Refino e Pol\u00edtica de Pre\u00e7os da Petrobras, alerta aos presidenci\u00e1veis. Fonte:\u00a0<a href=\"https:\/\/felipecoutinho21.files.wordpress.com\/2018\/08\/refino-e-politica-de-precos-da-petrobras-alerta-aos-presidenciaveis_rev0.pdf\">https:\/\/felipecoutinho21.files.wordpress.com\/2018\/08\/refino-e-politica-de-precos-da-petrobras-alerta-aos-presidenciaveis_rev0.pdf<br \/>\n<\/a><br \/>\nMendes, A. P., Teixeira, C. A., Rocio, M. A., &amp; Prates, H. F. (2018). Mercado de refino de petr\u00f3leo no Brasil. Fonte:\u00a0<a href=\"https:\/\/web.bndes.gov.br\/bib\/jspui\/handle\/1408\/16041\">https:\/\/web.bndes.gov.br\/bib\/jspui\/handle\/1408\/16041<br \/>\n<\/a><br \/>\nPetrobras. (acessado em 2019). Destaques Operacionais \/ Investimentos. Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.investidorpetrobras.com.br\/pt\/destaques-operacionais\/investimentos\">http:\/\/www.investidorpetrobras.com.br\/pt\/destaques-operacionais\/investimentos<br \/>\n<\/a><br \/>\nPetrobras. (acessado em 2019). Resultados financeiros da Petrobras. Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.investidorpetrobras.com.br\/pt\/resultados-financeiros\/holding\">http:\/\/www.investidorpetrobras.com.br\/pt\/resultados-financeiros\/holding<br \/>\n<\/a><br \/>\nReuters. (2019). CEO da Petrobras sinaliza novo programa mais ousado para venda de refinarias. Fonte:\u00a0<a href=\"https:\/\/m.br.investing.com\/news\/stock-market-news\/ceo-da-petrobras-sinaliza-novo-programa-mais-ousado-para-venda-de-refinarias-630820\">https:\/\/m.br.investing.com\/news\/stock-market-news\/ceo-da-petrobras-sinaliza-novo-programa-mais-ousado-para-venda-de-refinarias-630820<br \/>\n<\/a><br \/>\nValor. (2019). Petrobras v\u00ea acordo com Uni\u00e3o na cess\u00e3o onerosa perto do desfecho. Fonte:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.valor.com.br\/empresas\/6107811\/petrobras-ve-acordo-com-uniao-na-cessao-onerosa-perto-do-desfecho\">https:\/\/www.valor.com.br\/empresas\/6107811\/petrobras-ve-acordo-com-uniao-na-cessao-onerosa-perto-do-desfecho<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Privatizar refinarias, terminais, dutos e distribuidora traz mais preju\u00edzos \u00e0 Petrobr\u00e1s do que poss\u00edveis benef\u00edcios &nbsp; &nbsp; AEPET*, mar\u00e7o de 2019 SUM\u00c1RIO O petr\u00f3leo \u00e9 mais do que uma simples mercadoria negociada nas bolsas de valores. \u00c9 um ativo estrat\u00e9gico&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":35261,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[87,10],"tags":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.3 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Import\u00e2ncia do 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