{"id":39163,"date":"2022-10-05T10:36:22","date_gmt":"2022-10-05T13:36:22","guid":{"rendered":"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/?p=39163"},"modified":"2022-10-07T19:37:58","modified_gmt":"2022-10-07T22:37:58","slug":"ideias-para-adiar-o-fim-do-mundo-soberania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/ideias-para-adiar-o-fim-do-mundo-soberania\/","title":{"rendered":"Ideias para adiar o fim do mundo: Soberania"},"content":{"rendered":"<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-39163-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/ogg\" src=\"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Ideias-para-adiar-o-fim-do-mundo-Soberania.ogg?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Ideias-para-adiar-o-fim-do-mundo-Soberania.ogg\">https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Ideias-para-adiar-o-fim-do-mundo-Soberania.ogg<\/a><\/audio>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o cinco artigos escritos pelo presidente da AEPET, Pedro Pinho. Os quatro primeiros tratam dos aspectos fundamentais do ESTADO, hoje descartados do debate pol\u00edtico pela invas\u00e3o ideol\u00f3gica do neoliberalismo. Eles tratam da SOBERANIA, da CIDADANIA, da DEFESA DOS DIREITOS e da VOCALIZA\u00c7\u00c3O, como explicitadas no curso das exposi\u00e7\u00f5es. No \u00faltimo \u00e9 apresentada uma perspectiva do fim do mundo, se ele ficar sob o dom\u00ednio das finan\u00e7as, \u00e9 um \u201c1984\u201d, de George Orwell, adaptado ao s\u00e9culo XXI e \u00e0s tecnologias contempor\u00e2neas, contrapomos ent\u00e3o o t\u00edtulo geral para SEM ESTADO: MANTENDO O RUMO DO FIM DO MUNDO.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mineiro Ailton Alves Lacerda, nascido em 1953, \u00edndio da etnia crenaque, conhecido internacionalmente como Ailton Krenak, escreveu o livro cujo t\u00edtulo (\u201cIdeias para Adiar o Fim do Mundo\u201d) copiamos para este artigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o de Ailton \u00e9 sobretudo ambiental, que viu desde crian\u00e7a na regi\u00e3o do Rio Doce, provocada pela minera\u00e7\u00e3o, pelo desrespeito que o capital sempre demonstrou pelo trabalho. Mas trata igualmente das quest\u00f5es de uma sociedade desigual e discriminat\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do livro que inspirou o t\u00edtulo deste artigo (Companhia das Letras, Editora Schwarcz, SP, 2019):<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNosso tempo \u00e9 especialista em criar aus\u00eancias: do sentido de viver em sociedade, do pr\u00f3prio sentido da experi\u00eancia de vida. Isso gera uma intoler\u00e2ncia muito grande com rela\u00e7\u00e3o a quem ainda \u00e9 capaz de experimentar o prazer de estar vivo, de dan\u00e7ar, de cantar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os temas desenvolvidos por Krenak, n\u00f3s costumamos tratar de forma mais abrangente como os da Soberania e da Cidadania, que s\u00e3o, a nosso ver, os objetivos do Estado Nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o ambiental \u00e9 uma das que envolve a quest\u00e3o da energia, esta que \u00e9 fundamental para Soberania. A quest\u00e3o identit\u00e1ria deve ter solu\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o da Cidadania. No entanto h\u00e1 um elemento que interliga estas quest\u00f5es, que denominamos vocaliza\u00e7\u00e3o, por\u00e9m \u00e9 mais facilmente encontrado como um dos aspectos da aplica\u00e7\u00e3o da teoria da informa\u00e7\u00e3o, da comunica\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Energia, como os recursos naturais, n\u00e3o \u00e9 igualmente distribu\u00edda pelo mundo. Vejamos como s\u00e3o consumidas, pelas fontes de energia prim\u00e1ria, de acordo com a publica\u00e7\u00e3o de mais de 70 anos: a \u201cBP Statistical Review of World Energy\u201d, da empresa British Petroleum (BP).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente a BP tem como os cinco maiores acionistas as empresas financeiras estadunidenses: State Street, BlackRock, Dimensional Fund Advisors, Fisher Investments, e a seguradora israelense Menora Mivtachim (fonte: investopedia.com).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o ano de 2020, os consumos de energia assim se concentram, em exajoules EJ (medida de energia, no Sistema Internacional de Unidades):<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; o maior consumo vem das energias f\u00f3sseis, 463,24 EJ, dos quais 174,20 do \u00f3leo, 151,42 do carv\u00e3o e 137,62 do g\u00e1s natural, ao todo 83,15% da energia consumida no mundo v\u00eam das fontes f\u00f3sseis;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; a segunda maior fonte prim\u00e1ria \u00e9 a h\u00eddrica, 38,16 EJ, 6,84%;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; a terceira s\u00e3o as renov\u00e1veis, 31,71 EJ e, por \u00faltimo a nuclear, 23,98, respetivamente 5,69% e 4,30% dos 557,09 EJ totais daquele ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na estat\u00edstica da BP Review, as energias renov\u00e1veis computadas s\u00e3o do vento (energia e\u00f3lica), do Sol (energia solar) e da biomassa, geotermal e outras, tais como das mar\u00e9s. A energia e\u00f3lica representa mais da metade da gera\u00e7\u00e3o das renov\u00e1veis (190\/350), seguida pela solar (120\/350).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil tem situa\u00e7\u00e3o \u00edmpar neste cen\u00e1rio. Se houvesse governo aut\u00f4nomo, se pud\u00e9ssemos comemorar n\u00e3o os 200 anos de alguma independ\u00eancia pol\u00edtica, mas os 92 da Revolu\u00e7\u00e3o pela Soberania Brasileira, em 1930, que levou Get\u00falio Vargas ao poder e dele foi duas vezes afastado pelas for\u00e7as estrangeiras e dos traidores brasileiros, certamente ter\u00edamos hoje o Pa\u00eds Soberano e Cidad\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Examinemos a quest\u00e3o da energia brasileira em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s fontes prim\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil consumiu, em 2020, 12,1 exajoules. A principal fonte foi o \u00f3leo (petr\u00f3leo), 4,61 EJ (38%), seguida da hidroeletricidade, 3,52 EJ (29%), correspondendo a mais de dois ter\u00e7os do consumo energ\u00e9tico. Por\u00e9m a situa\u00e7\u00e3o privilegiada n\u00e3o se esgota somente nestes valores equilibrados. O Brasil \u00e9 autossuficiente em petr\u00f3leo, com as reservas do pr\u00e9-sal e as demais existentes em nosso territ\u00f3rio. Se administradas pelo interesse nacional e n\u00e3o do \u201cmercado\u201d, teremos reservas provadas para quase um s\u00e9culo, incluindo o g\u00e1s natural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As fontes h\u00eddricas, gerenciadas com o mesmo interesse, como j\u00e1 descrevia para a Amaz\u00f4nia, o intelectual fluminense Euclides da Cunha, em \u201c\u00c0 Margem da Hist\u00f3ria\u201d, obra p\u00f3stuma de 1909, poderia se transformar al\u00e9m de fonte de energia, em sistema de transporte, recurso para o saneamento b\u00e1sico, para irriga\u00e7\u00e3o, e promo\u00e7\u00e3o da urbaniza\u00e7\u00e3o do interior do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seria um recurso a mais para a energia renov\u00e1vel, da biomassa, que com a \u00e1rea j\u00e1 dispon\u00edvel e os recursos tecnol\u00f3gicos para agricultura, tirar\u00edamos, definitivamente, o Brasil do mapa da fome e poder\u00edamos ter metade de energia de fonte n\u00e3o poluente \u2013 as renov\u00e1veis representam 16,7% (2,01EJ) \u2013 do consumo total. O g\u00e1s natural contribui com 1,16 EJ (9,6%), o carv\u00e3o 0,58 EJ (4,8%) e a energia nuclear 0,14 EJ (1,2%).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil tem insola\u00e7\u00e3o por todo territ\u00f3rio e o ano inteiro, ventos na costa de 7.491 quil\u00f4metros, ou seja, \u00e9 pa\u00eds verdadeiramente aben\u00e7oado em energia e tamb\u00e9m em riquezas minerais e aqu\u00edferas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao que acresce ter desenvolvido tecnologia pr\u00f3pria para o aproveitamento de todas estas fontes em suas empresas estatais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por decis\u00e3o meramente ideol\u00f3gica, o neoliberalismo neopentecostal, que n\u00e3o encontra respaldo em qualquer condi\u00e7\u00e3o objetiva, os governos, desde 1990, vem procurando atender interesses estrangeiros, principalmente das finan\u00e7as ap\u00e1tridas e marginais, colocando a venda ou fechando ou reduzindo recursos para suas empresas estatais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Longe de caminharmos no sentido da Soberania, regredimos ao da Col\u00f4nia, da submiss\u00e3o. Observe que s\u00e3o dois os pilares que sustentam a Soberania no s\u00e9culo XXI. A energia e a informa\u00e7\u00e3o, no mais amplo significado, de hardware, software e seguran\u00e7a nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que fizeram os governos desde 1990:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a) Fernando Collor. O Plano Collor, um modelo neoliberal aplicado pela ministra Z\u00e9lia Cardoso de Mello, abriu as portas para importa\u00e7\u00f5es e privatiza\u00e7\u00f5es, iniciando pela siderurgia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">b) Itamar Franco, que assume com a destitui\u00e7\u00e3o de Collor, prossegue na privatiza\u00e7\u00e3o da siderurgia e acrescenta a Embraer e subsidi\u00e1rias da Petrobr\u00e1s na \u00e1rea da petroqu\u00edmica (Uni\u00e3o, Poliolefinas, Oxiteno, Politeno, Coperbo, Ciquini, Polialden, Acrilonitrila) e dos fertilizantes (Ultraf\u00e9rtil e Araf\u00e9rtil). Seu ministro foi Fernando Henrique Cardoso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">c) Fernando Henrique Cardoso (FHC). Teve por ministros Rubens Ric\u00fapero, Ciro Gomes e Pedro Malan. Em seu governo, medidas provis\u00f3rias, leis, decretos e a\u00e7\u00f5es na \u00e1rea do Banco Central promoveram as condi\u00e7\u00f5es para o maior programa de privatiza\u00e7\u00e3o e aliena\u00e7\u00e3o do Estado Nacional jamais ocorrido, antes de Jair Bolsonaro, no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Limitar-nos-emos aos que diretamente est\u00e3o ligados \u00e0s comunica\u00e7\u00f5es e \u00e0 energia: todo Sistema Telebr\u00e1s, Damatec, Light, Gerasul, Escelsa, Copene, Salgema, Petroqu\u00edmica de Cama\u00e7ari, Polibrasil, Polipropileno, Poliuretanos, Nitrocarbono, Estireno do Nordeste, Deten Qu\u00edmica, Qu\u00edmica do Rec\u00f4ncavo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FHC tamb\u00e9m privatizou malhas ferrovi\u00e1rias, portu\u00e1rias, docas e a maior mineradora do mundo, a Companhia Vale do Rio Doce. \u201cO neg\u00f3cio CVRD tinha futuro t\u00e3o promissor que, em 10 anos ap\u00f3s a privatiza\u00e7\u00e3o, ela chegou \u00e0 receita l\u00edquida de US$ 64 bilh\u00f5es e ao lucro l\u00edquido de US$ 20 bilh\u00f5es. Poucos meses antes de ser privatizada, a CVRD encontrou em Caraj\u00e1s reservas de ouro e cobre consideradas das mais importantes descobertas geol\u00f3gicas da hist\u00f3ria. Eram compar\u00e1veis com as do in\u00edcio do s\u00e9culo XX no Canad\u00e1 e na \u00c1frica do Sul\u201d (Carlos Henrique Lopes Rodrigues e Vanessa Follmann Jergenfeld, \u201cDesnacionaliza\u00e7\u00e3o e financeiriza\u00e7\u00e3o: um estudo sobre as privatiza\u00e7\u00f5es brasileiras (de Collor ao primeiro governo FHC)\u201d \u2013 Economia e Sociedade, Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas, agosto\/2019).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um grande golpe aplicado por FHC na Petrobr\u00e1s, al\u00e9m da reorganiza\u00e7\u00e3o da Empresa, foi a venda de suas a\u00e7\u00f5es na Bolsa de Nova Iorque, de modo a sujeitar as decis\u00f5es da empresa \u00e0s leis dos Estados Unidos da Am\u00e9rica (EUA), quer nacional quer de seus estados, como estabelece a Constitui\u00e7\u00e3o dos EUA, que j\u00e1 lhe causaram preju\u00edzo de milh\u00f5es de d\u00f3lares estadunidenses (USD).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">d) governos do Partido dos Trabalhadores (PT). Os governos de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva e Dilma Vana Rousseff promoveram a concess\u00e3o de administra\u00e7\u00e3o de rodovias e ferrovias. Houve tamb\u00e9m, na \u00e1rea da energia, das Hidrel\u00e9trica Santo Ant\u00f4nio, Usina Hidrel\u00e9trica de Jirau e da linha de transmiss\u00e3o Porto Velho (RO) \u2013 Araraquara (SP). Foram tamb\u00e9m entregues, a capitais privados e estatais de pa\u00edses estrangeiros, reservas de petr\u00f3leo para explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e) a partir do golpe de 2016, com Michel Temer e Jair Bolsonaro, o estado nacional brasileiro, explicitamente nas palavras do presidente eleito, se subordina ao \u201cmercado\u201d. Com isso, o Brasil deixa de ser um Estado Nacional e passa a ser um \u00f3rg\u00e3o executor das decis\u00f5es do sistema financeiro internacional, dos \u201cgestores de ativos\u201d, ou, como no t\u00edtulo de livro do historiador e membro da Academia Brasileira de Letras, o cearense Gustavo Barroso, a ser \u201cCol\u00f4nia de Banqueiros\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, o que vem significativamente ocorrendo no Brasil, desde a sucess\u00e3o do presidente Ernesto Geisel, \u00e9 o progressivo afastamento dos governos de suas responsabilidades com o Estado Nacional e o povo brasileiro, sob o pretexto que o \u201cgoverno \u00e9 mau administrador\u201d, e agindo no sentido de o comprovar, restringindo recursos, estabelecendo remunera\u00e7\u00f5es inadequadas, e designando pessoas desqualificadas, t\u00e9cnica e moralmente, para dire\u00e7\u00f5es. Em outras palavras e de modo sint\u00e9tico, a Quest\u00e3o Nacional saiu da pauta pol\u00edtica brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Soberania esteve tradicionalmente estabelecida para a autonomia decis\u00f3ria nos eventos ocorridos dentro dos limites do Estado Nacional e das consequ\u00eancias para seu povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m h\u00e1 realidades decorrentes do avan\u00e7o das tecnologias, em especial daquelas derivadas da teoria matem\u00e1tica da comunica\u00e7\u00e3o, que nos levam a dar outra dimens\u00e3o \u00e0 Soberania do Estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O recente conflito b\u00e9lico entre os EUA com suas col\u00f4nias, unidas na Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (OTAN), e a Federa\u00e7\u00e3o Russa obriga-nos a rever o conceito de Soberania.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Transcrevemos do Portal Din\u00e2mica Global (25\/09\/2022) sob t\u00edtulo: \u201cToda a pol\u00edtica imperial envolve um duplo ataque \u00e0 R\u00fassia e \u00e0 Alemanha\u201d, as afirma\u00e7\u00f5es de Zoltan Posner, do banco Credit Suisse: \u201cOs momentos Minsky (refer\u00eancia \u00e0 \u201ccrise\u201d 2008-2010) s\u00e3o desencadeados por alavancagem financeira excessiva e, no contexto das cadeias de suprimentos, alavancagem significa alavancagem operacional excessiva: na Alemanha, US$ 2 trilh\u00f5es em valor agregado dependem de US$ 20 bilh\u00f5es em g\u00e1s da R\u00fassia\u201d. Na mesma mat\u00e9ria:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cE o conceito de alavancagem operacional tamb\u00e9m se aplica no dom\u00ednio militar: se Taiwan fabrica os chips para os m\u00edsseis, os EUA os enviam para autodefesa, mas precisam esperar pelos m\u00edsseis porque s\u00e3o necess\u00e1rios na Ucr\u00e2nia ou n\u00e3o podem envi\u00e1-los para os EUA devido a um bloqueio mar\u00edtimo e a\u00e9reo imposto pela China, os EUA est\u00e3o operacionalmente mal equipados para apoiar uma guerra em duas frentes\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Soberania, debaixo de alavancagens financeiras, bloqueios e san\u00e7\u00f5es, nos remete ao fil\u00f3sofo alem\u00e3o Johann Gottlieb Fichte (\u201cFundamentos do Direito Natural segundo os Princ\u00edpios da Doutrina da Ci\u00eancia\u201d, 1796, tradu\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Lamego do original alem\u00e3o para Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2012) que considera a preval\u00eancia dos contratos e \u201clogo que uma das partes ultrapasse, no m\u00ednimo que seja, os seus limites, o contrato fica anulado e abolida toda a rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica por ele fundada\u201d. Como colocar as alavancagens financeiras que destroem as economias al\u00e9m das fronteiras, os bloqueios comerciais, impedindo ou trazendo como consequ\u00eancia restri\u00e7\u00f5es \u00e0 circula\u00e7\u00e3o de bens?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estas s\u00e3o reflex\u00f5es para a Soberania na \u00e9poca da cibern\u00e9tica, da inform\u00e1tica, da revolu\u00e7\u00e3o termonuclear.<\/p>\n<p><em><strong>Por Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado, presidente da AEPET.<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; S\u00e3o cinco artigos escritos pelo presidente da AEPET, Pedro Pinho. Os quatro primeiros tratam dos aspectos fundamentais do ESTADO, hoje descartados do debate pol\u00edtico pela invas\u00e3o ideol\u00f3gica do neoliberalismo. 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