{"id":41694,"date":"2023-08-16T07:30:08","date_gmt":"2023-08-16T10:30:08","guid":{"rendered":"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/?p=41694"},"modified":"2023-08-15T19:06:28","modified_gmt":"2023-08-15T22:06:28","slug":"esquerda-direita-e-a-politica-pos-consenso-de-washington","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/esquerda-direita-e-a-politica-pos-consenso-de-washington\/","title":{"rendered":"Esquerda, direita e a pol\u00edtica p\u00f3s-consenso de Washington"},"content":{"rendered":"<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-41694-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Esquerda-direita-e-a-politica-pos-consenso-de-Washington.mp3?_=1\" \/><source type=\"audio\/ogg\" src=\"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Esquerda-direita-e-a-politica-pos-consenso-de-Washington.ogg?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Esquerda-direita-e-a-politica-pos-consenso-de-Washington.mp3\">https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Esquerda-direita-e-a-politica-pos-consenso-de-Washington.mp3<\/a><\/audio>\n<p><em>Por Pedro Augusto Pinho<\/em><\/p>\n<h2><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h2>\n<p>Estas reflex\u00f5es decorrem de palavras. Tiveram, como todo produto cultural, um tempo e um lugar. Por\u00e9m marcaram situa\u00e7\u00f5es que foram aproveitadas pelos poderes de outros tempos e de outros lugares at\u00e9 adquirirem sentidos excludentes, segregadores. O poder que n\u00e3o surja do povo sempre necessitar\u00e1 apontar inimigos, criar ciz\u00e2nia.<\/p>\n<p>Thomas Carlyle, na \u201cHist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa\u201d (1837), escreve: \u201ctoda a morte \u00e9 apenas a morte-nascimento\u201d. Este historiador e ensa\u00edsta escoc\u00eas, que entendeu as mudan\u00e7as pelas quais a sociedade humana est\u00e1 sempre percorrendo, n\u00e3o p\u00f4de deixar de assinalar que o \u201cceptro est\u00e1 partindo das m\u00e3os de Lu\u00eds\u201d mas sua posse continuar\u00e1 mudando de m\u00e3os.<\/p>\n<p>Os termos \u201cesquerda\u201d e \u201cdireita\u201d apareceram durante a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa de 1789, quando os membros da Assembleia Nacional se dividiam em, \u00e0 direita do presidente, os partid\u00e1rios do rei e os simpatizantes da revolu\u00e7\u00e3o, \u00e0 sua esquerda. E, desde ent\u00e3o, passou-se a entender que a esquerda desejava mudan\u00e7as, maior participa\u00e7\u00e3o e atendimento ao povo em geral, e a direita a manuten\u00e7\u00e3o do status quo, do mesmo sistema e poder.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a partir do retrocesso das sociedades euro-estadunidenses e suas col\u00f4nias com a vit\u00f3ria das finan\u00e7as ap\u00e1tridas, em 1989, direita e esquerda passaram a indicar a submiss\u00e3o ou a independ\u00eancia aos mandamentos do dec\u00e1logo \u201cConsenso de Washington\u201d, elaborado por financistas sediados na capital dos Estados Unidos da Am\u00e9rica (EUA), que nada tinha de consensual, pois impedia at\u00e9 mesmo o desenvolvimento do capitalismo industrial.<\/p>\n<p>Por\u00e9m ficou o r\u00f3tulo empregado, ora por ignor\u00e2ncia ora por m\u00e1 f\u00e9, principalmente nas comunica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas das m\u00eddias hegem\u00f4nicas. H\u00e1 sentido?<\/p>\n<h2><strong>I PARTE<\/strong><\/h2>\n<p>O intelectual senegal\u00eas, Alioune Diop (1910-1980), chamado por L\u00e9opold Senghor de \u201cS\u00f3crates Negro\u201d, festejando a publica\u00e7\u00e3o do benin\u00eas Albert T\u00e9vo\u00e9djr\u00e8 (1929-2019), em 1958 (\u201cL\u2019Afrique R\u00e9volt\u00e9\u201d, Pr\u00e9sence Africaine, Paris), exclamou: \u201ceis que nova gera\u00e7\u00e3o de africanos eleva sua voz\u201d. Uma voz de esquerda? De direita?<\/p>\n<p>Recordando Carlyle, a voz que ent\u00e3o pedisse o capitalismo seria a voz da esquerda, para a regi\u00e3o que lutava pelo seu reconhecimento, conforme as distintas forma\u00e7\u00f5es \u00e9tnicas. Pois toda a \u00c1frica, que participara da II Grande Guerra como col\u00f4nia, exigia sua individualidade e sua independ\u00eancia. A regi\u00e3o de Diop, Senghor, T\u00e9vo\u00e9djr\u00e8, por exemplo, compreendia a imensid\u00e3o da \u00c1frica Ocidental Francesa.<\/p>\n<p>A Carta do Atl\u00e2ntico (1941), firmada pelo primeiro-ministro brit\u00e2nico, Winston Churchill, e pelo presidente dos Estados Unidos da Am\u00e9rica (EUA), Franklin Delano Roosevelt, parecia tratar apenas da Europa, pois nem os EUA ainda havia formalmente nela sido envolvidos. Os segundo e terceiro pontos, de seus oito, n\u00e3o deveriam despreocupar sen\u00e3o europeus \u2013 os ajustes territoriais devem concordar com os desejos das popula\u00e7\u00f5es afetadas e o reconhecimento do direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos \u2013 inimagin\u00e1veis que eram para africanos e asi\u00e1ticos.<\/p>\n<p>O caminho para independ\u00eancia na \u00c1frica passou pela \u201cnegritude\u201d, movimento que juntou as maiores express\u00f5es da intelectualidade: Aim\u00e9 C\u00e9saire, L\u00e9opold Senghor, Alioune Diop, Jomo Kenyatta, Kwame Nkrumah, Julius Nyerere, F\u00e9lix Houphou\u00ebt-Boigny, Ahmed S\u00e9kou Tour\u00e9 entre outros.<\/p>\n<p>Por\u00e9m encontrou nas m\u00e3os colonizadoras a mobiliza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada para a guerra que n\u00e3o era deles, e os que permaneceram em suas casas sofreram tanto quanto os alistados. Al\u00e9m da guerra, ao prestar servi\u00e7o militar, na Birm\u00e2nia ou na \u00cdndia, encontraram a mesma sede da independ\u00eancia e l\u00e1 ganharam conhecimentos de estrat\u00e9gias e t\u00e1ticas de luta. E, ao fim, vitoriosos, n\u00e3o lhe aguardavam quaisquer pr\u00eamios, recompensas ou indeniza\u00e7\u00f5es, fazendo-os notar, sem qualquer d\u00favida ou desculpa, que europeus e africanos seriam sempre tratados diferentemente.<\/p>\n<p>Via-se, ent\u00e3o, que as dimens\u00f5es da esquerda-direita n\u00e3o se davam apenas no tempo, tamb\u00e9m ocorriam nos espa\u00e7os, eram diferentes conforme os lugares.<\/p>\n<h2><strong>P\u00d3S-CONSENSO DE WASHINGTON<\/strong><\/h2>\n<p>Mais de trinta anos se passaram desde a enuncia\u00e7\u00e3o do Consenso de Washington. E tudo piorou muito para as sociedades, as coloniais e as colonizadas.<\/p>\n<p>No entanto, a farsa da globaliza\u00e7\u00e3o permanece. Global nem o ar que respiramos, frio aqui, quente ali, limpo c\u00e1, polu\u00eddo acol\u00e1. Tudo que ocorre tem o lugar e o tempo, inclusive a esquerda e a direita.<\/p>\n<p>O mundo multipolar \u00e9 o futuro, \u00e9 a transforma\u00e7\u00e3o, a esquerda, se nosso \u00e2mbito de an\u00e1lise s\u00e3o os continentes. Se focamos um determinado e \u00fanico lugar, a esquerda pode ser o governo forte, que tenha o projeto de desenvolvimento integral, n\u00e3o somente econ\u00f4mico, para seu pa\u00eds, como veremos em Singapura, \u201ccidade dos le\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Pela ilha de Temasek, de 641 km\u00b2, ao sul da pen\u00ednsula Mal\u00e1sia, chegaram, na era crist\u00e3, chineses, que formam atualmente 76% da popula\u00e7\u00e3o. At\u00e9 o s\u00e9culo XVI, por l\u00e1 andaram os mong\u00f3is, os reinos vizinhos de Si\u00e3o, Java e Malaca, at\u00e9 aportarem os portugueses, que a abandonaram em 1613. Ficou por muito tempo entregue \u00e0 sorte. Em 1819, o ingl\u00eas Thomas Stamford Raffles constr\u00f3i um porto, o posto comercial Singapura, da Companhia Brit\u00e2nica das \u00cdndias Orientais. Ora junto \u00e0 pen\u00ednsula, ora isolada, o arquip\u00e9lago de Singapura ficou sob gest\u00e3o colonial do Reino Unido at\u00e9 o p\u00f3s-II Grande Guerra.<\/p>\n<p>Em maio de 1959, o Partido da A\u00e7\u00e3o Popular ganhou por vit\u00f3ria esmagadora. Singapura tornou-se estado aut\u00f4nomo dentro da Commonwealth, tendo Lee Kuan Yew como o primeiro primeiro-ministro.<\/p>\n<p>A Rep\u00fablica de Singapura foi conquistada em agosto de 1965, com Lee Kuan Yew como primeiro-ministro e Yusof bin Ishak como presidente. As revoltas raciais surgiram mais uma vez em 1969. Em 1967, o pa\u00eds co-fundou a Associa\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es do Sudeste Asi\u00e1tico (ASEAN). Lee Kuan Yew tornou-se primeiro-ministro, e o pa\u00eds passou da economia do Terceiro Mundo para o abeiramento ao Primeiro Mundo em \u00fanica gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O atual primeiro-ministro, Lee Hsien Loong, encontra-se em seu terceiro mandato, e ocupa o cargo desde 2004. Ele \u00e9 o filho mais velho de Lee Kuan Yew, falecido em mar\u00e7o de 2015.<\/p>\n<p>Singapura \u00e9 exemplo de esquerda ou direita?<\/p>\n<p>Que tal olharmos para outra vertente? N\u00e3o seria Lee Kuan Yew, um novo modelo de d\u00e9spota esclarecido, ao modo europeu, desejoso de trazer para seu pa\u00eds ideais de progresso, reforma e bem-estar para o povo. Ou de governo de sult\u00f5es, reis, imperadores ou pax\u00e1s asi\u00e1ticos, que j\u00e1 se constitu\u00edram, e ainda existem no Oriente, e que entendem ser sua obriga\u00e7\u00e3o fazer o povo feliz.<\/p>\n<p>Observemos a Rep\u00fablica Popular da China (China). Adota modelo de governo de participa\u00e7\u00e3o popular, o socialismo com caracter\u00edsticas chinesas, que se volta inteiramente para a promo\u00e7\u00e3o do bem-estar do povo, definido como o dono do Pa\u00eds. H\u00e1 sentido em denominar Singapura de direita e China de esquerda, se ambos conseguem, em dimens\u00f5es de espa\u00e7o e popula\u00e7\u00e3o bastante distintos, o mesmo resultado de pa\u00eds sem desemprego, com elevada tecnologia, sem fome e sem mis\u00e9ria?<\/p>\n<p>O Consenso de Washington tentou o imposs\u00edvel: homogeneizar o mundo altamente diversificado e que tem sua beleza, e por incentivo, exatamente as diferen\u00e7as. E o homogeneizou pelo pior dos lados, pela apropria\u00e7\u00e3o de bens sem produ\u00e7\u00e3o, pela permanente e indesej\u00e1vel concentra\u00e7\u00e3o de rendas e riquezas, que coloca o mundo mais pobre, as pessoas mais desprovidas e a vida sempre mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Assim, surgem na propaganda dominada pelos capitais ap\u00e1tridas, fruto do Consenso de Washington, op\u00e7\u00f5es sem sentido, classifica\u00e7\u00f5es inadequadas, simplifica\u00e7\u00f5es grosseiras, que exigem popula\u00e7\u00e3o de imbecis para sobreviver. E se v\u00ea, desde 1989, que a instru\u00e7\u00e3o virou farsa, que apenas as teses financiadas pelos capitais ap\u00e1tridas, por estapaf\u00fardia que sejam, ganham notoriedade.<\/p>\n<p>E o mundo e a vida das sociedades regridem, perguntando se \u00e9 \u00e0 esquerda ou \u00e0 direita\u2026<\/p>\n<h2><strong>INTERVALO<\/strong><\/h2>\n<p>Havia em contos e romances, retirados das realidades hist\u00f3ricas orientais, a figura do rei bondoso. O que faziam estes soberanos para terem tal avalia\u00e7\u00e3o? Entendiam que a justi\u00e7a e a paz no reino, entre todos seus habitantes, eram sua responsabilidade e dela n\u00e3o fugiam.<\/p>\n<p>O que fazem os dirigentes subordinados ao Consenso de Washington? Primeiro ignoram o seu pa\u00eds, pois tudo \u00e9 \u201cmercado\u201d. E n\u00e3o s\u00f3 adotam esta a\u00e7\u00e3o entreguista dos bens nacionais, eles tamb\u00e9m provocam o \u00f3dio entre irm\u00e3os.<\/p>\n<p>Temos recente exemplo deste governante entreguista e inimigo do povo aqui, no Estado de Minas Gerais, local de nascimento do m\u00e1rtir da independ\u00eancia brasileira, Joaquim Jos\u00e9 da Silva Xavier, o Tiradentes, cantado em prosa e verso por todos os brasileiros.<\/p>\n<p>Romeu Zema (Novo), atual governador de Minas Gerais, tem cidadania italiana, e, de acordo com portal G1, da globo.com, seu coment\u00e1rio sobre \u201ca cria\u00e7\u00e3o de uma alian\u00e7a para defender interesses do Sul e do Sudeste, foi classificado quase como uma \u201cdeclara\u00e7\u00e3o de guerra\u201d entre as regi\u00f5es do pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>Desde quando o patrono pol\u00edtico de Zema e do governador de S\u00e3o Paulo, Tarc\u00edsio de Freitas (Republicano), seguidores do ex-presidente Jair Bolsonaro, passaram a ter express\u00e3o pol\u00edtica nacional, o entreguismo, a falta de patriotismo, e o incentivo \u00e0 ignor\u00e2ncia e \u00e0 luta entre brasileiros, dividindo-os por ideologias, regionalismos, n\u00edveis de instru\u00e7\u00e3o, serem civis ou militares, e por identitarismos v\u00e1rios, passou a constituir prega\u00e7\u00e3o dos governos. Ou seja, o contr\u00e1rio do bom dirigente, que tinha na paz e na justi\u00e7a os focos da gest\u00e3o.<\/p>\n<h2><strong>II PARTE<\/strong><\/h2>\n<p>Novamente a \u00c1frica se levanta. O mundo ainda lhe \u00e9 muito hostil, por\u00e9m sua consci\u00eancia de luta j\u00e1 evoluiu, possibilitando empreender novamente a conquista da soberania. O antrop\u00f3logo ingl\u00eas A. R. Radcliffe-Brown, no Pref\u00e1cio de \u201cAfrican Political Systems\u201d (Meyer Fortes e Evans-Pritchard, 1940) escreve que \u201ca estrutura territorial fornece a moldura, n\u00e3o s\u00f3 da organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, qualquer que ela seja, e de outras formas de organiza\u00e7\u00e3o social, como a econ\u00f4mica,\u201d e, adiante, \u201cao estudar a organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, temos de lidar com a manuten\u00e7\u00e3o ou estabelecimento da ordem social dentro de um quadro territorial, pelo exerc\u00edcio organizado de autoridade coercitiva, por meio da utiliza\u00e7\u00e3o ou da possibilidade de usar a for\u00e7a f\u00edsica\u201d.<\/p>\n<p>As manifesta\u00e7\u00f5es independentistas africanas, citadas no in\u00edcio deste artigo, ocorridas h\u00e1 mais de meio s\u00e9culo, encontraram a oposi\u00e7\u00e3o dos \u201cvencedores da guerra\u201d: EUA e Uni\u00e3o das Rep\u00fablicas Socialistas Sovi\u00e9ticas (URSS); que, por caminhos e objetivos distintos, queriam instalar na \u00c1frica suas col\u00f4nias, onde houvera as europeias: col\u00f4nias econ\u00f4micas e col\u00f4nias ideol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>A \u00c1frica de T\u00e9vo\u00e9djr\u00e8 lan\u00e7ou as sementes, por\u00e9m estas n\u00e3o floresceram.<\/p>\n<p>Temos nova \u00c1frica, que surge com crescimento populacional e a compreens\u00e3o de qu\u00e3o imensas s\u00e3o suas riquezas naturais. Um tanto o que gostar\u00edamos de ver despontar no Brasil; n\u00e3o mais o ufanismo m\u00edstico do Conde de Afonso Celso, por\u00e9m a consci\u00eancia cr\u00edtica e construtiva de Darcy Ribeiro. E, novamente, daquela antiga \u00c1frica colonial francesa, ouvimos, nesta terceira d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI, os clamores da independ\u00eancia.<\/p>\n<h2><strong>ALVORADA AFRICANA<\/strong><\/h2>\n<p>A C\u00fapula R\u00fassia-\u00c1frica, realizada em 27 e 28 de julho de 2023 em S\u00e3o Petersburgo, reunindo Vladimir Putin, 17 chefes de Estado e delega\u00e7\u00f5es de 49 pa\u00edses africanos, demonstrou a vontade africana de encetar, novamente, a luta por sua efetiva independ\u00eancia. E do apoio que a Federa\u00e7\u00e3o Russa est\u00e1 disposta a conceder, tendo, j\u00e1 no evento, comunicado o perd\u00e3o a pa\u00edses africanos da d\u00edvida de 23 bilh\u00f5es de d\u00f3lares estadunidenses.<\/p>\n<p>Tem aquele continente a condi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica. \u00c9 o \u00fanico que a ONU reconhece crescimento populacional nas pr\u00f3ximas tr\u00eas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Ibrahim Traore, jovem l\u00edder de Burkina Faso, assim se expressou na C\u00fapula R\u00fassia-\u00c1frica: \u201cQuando o povo decide se defender, eles (os imperialistas) nos chamam de mil\u00edcias. Mas esse n\u00e3o \u00e9 o problema. O problema \u00e9 que h\u00e1 chefes de Estado africanos cantando as mesmas can\u00e7\u00f5es que os imperialistas, chamando-nos de milicianos, tratando-nos como homens que n\u00e3o respeitam os direitos humanos\u201d. \u201cOs chefes de Estado africanos devem parar de se comportar como marionetes, que dan\u00e7am cada vez que os imperialistas puxam os cordelinhos, terminamos com mais de oito anos da forma mais b\u00e1rbara de manifesta\u00e7\u00e3o, a viol\u00eancia do neocolonialismo, do imperialismo e da escravid\u00e3o que impunham a nosso pa\u00eds\u201d, disse o capit\u00e3o Traore. E concluiu: \u201co escravo que n\u00e3o \u00e9 capaz de assumir sua revolta merece viver no seu lamento\u201d. \u201cNossos povos disseram: basta. Gl\u00f3ria a nossos povos! Dignidade aos povos! Vit\u00f3ria aos povos! P\u00e1tria ou morte. Venceremos!\u201d.<\/p>\n<p>MALI, capital: Bamako. Territ\u00f3rio: 1.240.000 km\u00b2. Popula\u00e7\u00e3o (2022): 21.691.072 habitantes. Eletricidade per capita (2020): 153 kWh. IDH (2021): 0,428. Ex-col\u00f4nia francesa \u00e9 politicamente independente desde 22 de setembro de 1960.<\/p>\n<p>BURKINA FASSO, capital: Uagadugu. Territ\u00f3rio: 274.000 km\u00b2. Popula\u00e7\u00e3o (2022): 22.313.534 habitantes. Eletricidade per capita (2020): 74 kWh. IDH (2021): 0,449. Ex-col\u00f4nia francesa \u00e9 politicamente independente desde 5 de agosto de 1960.<\/p>\n<p>N\u00cdGER, capital: Niamey. Territ\u00f3rio: 1.267.000 km\u00b2. Popula\u00e7\u00e3o (2022): 26.412.604 habitantes. Eletricidade per capita (2020): 47. IDH (2021): 0,400. Ex-col\u00f4nia francesa \u00e9 politicamente independente desde 3 de agosto de 1960.<\/p>\n<p>Do porta-voz do Departamento de Estado dos EUA: \u201cSecret\u00e1ria de Estado Adjunta Interina, Victoria Nuland, viajou a Niamey para expressar a nossa grande preocupa\u00e7\u00e3o com os desenvolvimentos no N\u00edger e o nosso compromisso resoluto de apoiar a democracia e a ordem constitucional\u201d. A senhora Nuland esteve no Brasil em 2011, certamente preparando o golpe de 2016 na presidente Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>Existe a Comunidade Econ\u00f4mica dos Estados da \u00c1frica Ocidental (CEDEAO) que ser\u00e1 a \u201cUcr\u00e2nia\u201d da guerra que os EUA pretendem promover contra os rec\u00e9m-independentes: Mali, Burkina Faso e N\u00edger.<\/p>\n<p>N\u00edger, al\u00e9m da maior popula\u00e7\u00e3o e pobreza, tem posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica muito importante para a a\u00e7\u00e3o imperialista dos EUA e seus aliados europeus, al\u00e9m de ser dos maiores produtores de ur\u00e2nio do mundo. Ele liga a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo da Nig\u00e9ria, realizada por empresas euro-estadunidenses, ao sistema de escoamento dos dutos argelinos, suprindo a Europa, pelo embargo e sabotagens no fornecimento da R\u00fassia.<\/p>\n<p>E a imprensa ocidental, un\u00edssona, ir\u00e1 afirmar que se est\u00e1 restabelecendo a democracia, quando se estar\u00e1, efetivamente, reimplantando a escravid\u00e3o naquela parte da antiga \u00c1frica Ocidental Francesa. Direita ou esquerda?<\/p>\n<p><strong><em>Pedro Augusto Pinho \u00e9 administrador aposentado, ex-membro do Corpo Permanente da Escola Superior de Guerra (ESG), e atual presidente da AEPET \u2013 Associa\u00e7\u00e3o dos Engenheiros da Petrobr\u00e1s.<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Pedro Augusto Pinho INTRODU\u00c7\u00c3O Estas reflex\u00f5es decorrem de palavras. Tiveram, como todo produto cultural, um tempo e um lugar. 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