{"id":41955,"date":"2023-09-15T13:48:19","date_gmt":"2023-09-15T16:48:19","guid":{"rendered":"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/?p=41955"},"modified":"2023-09-15T13:48:19","modified_gmt":"2023-09-15T16:48:19","slug":"verdades-inconvenientes-sobre-as-energias-verdes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/verdades-inconvenientes-sobre-as-energias-verdes\/","title":{"rendered":"Verdades inconvenientes sobre as energias verdes"},"content":{"rendered":"<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-41955-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/ogg\" src=\"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Verdades-inconvenientes-sobre-as-energias-verdes.ogg?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Verdades-inconvenientes-sobre-as-energias-verdes.ogg\">https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Verdades-inconvenientes-sobre-as-energias-verdes.ogg<\/a><\/audio>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Por Gustavo Jos\u00e9 Sim\u00f5es, doutor em Engenharia Mec\u00e2nica pela UFRJ e Historiador.<\/em><\/p>\n<blockquote><p>Uma elite poderosa financia ilus\u00f5es. J\u00e1 est\u00e1 completa a fus\u00e3o entre o ambientalismo e o capitalismo<\/p><\/blockquote>\n<p>O document\u00e1rio norte-americano \u201cUma Verdade Inconveniente\u201d, lan\u00e7ado em 2006, teve como objetivo popularizar o fen\u00f4meno Aquecimento Global. Demonstrando que esta mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 causada por emiss\u00f5es antropog\u00eanicas de gases do efeito estufa, principalmente o CO2. O que o document\u00e1rio n\u00e3o apresenta \u00e9 que existe uma desigualdade absurda nas emiss\u00f5es de Carbono, comparando pa\u00edses e regi\u00f5es, assim como entre os indiv\u00edduos mais ricos em rela\u00e7\u00e3o a grande maioria das pessoas de m\u00e9dia e baixa renda.<\/p>\n<p>Essa desigualdade de carbono vem se acentuando cada vez mais. O Relat\u00f3rio Mundial da Desigualdade de 2022 [1] mostra que existem profundas desigualdades em rela\u00e7\u00e3o as classes sociais e suas respectivas emiss\u00f5es de gases do efeito estufa.[4] Como mostra a figura, Os 1% mais ricos emitem 17% das emiss\u00f5es e os 10% mais ricos emitem 48%, enquanto os 50% mais pobres apenas emitem 12%.<\/p>\n<p>Muitas pessoas, atualmente, acreditam que a mudan\u00e7a no clima da terra ser\u00e1 inevit\u00e1vel dentro de algumas d\u00e9cadas. Enquanto isso, as grandes empresas globais com grandes capitais gastam quantias exorbitantes para se apresentarem como marcas sustent\u00e1veis, \u201cmarcas verdes\u201d. E os seus l\u00edderes, aliados da burguesia parasit\u00e1ria, consomem e poluem cada vez mais o planeta, sem que nem eles nem os seus ricos pa\u00edses como os Estados Unidos sejam culpados. O mundo nunca foi t\u00e3o hip\u00f3crita. [4]<\/p>\n<p>No seu livro \u201cImperialismo, est\u00e1gio superior do capitalismo\u201d, L\u00eanin descreve a forma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de uma nova classe burguesa no in\u00edcio do XX. Esta classe vai se descolando do processo produtivo mais imediato e passa a se tornar uma classe parasit\u00e1ria dependente da renda. Ou seja, aquele burgu\u00eas que trabalhava na sua empresa, especialmente no s\u00e9culo XIX, torna-se a burguesia do capitalismo financeiro. Recentemente, com o neoliberalismo e a situa\u00e7\u00e3o financeira global, este processo intensificou-se. S\u00e3o pessoas que tem fundos de a\u00e7\u00f5es diversificados e que participam de forma complexa dos meios de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O mercado de consumo para a classe dos bilion\u00e1rios est\u00e1 crescendo exponencialmente. Esse tipo de consumo envolve passeios como expedi\u00e7\u00f5es a vulc\u00f5es ativos, expedi\u00e7\u00e3o aos destro\u00e7os do Titanic por mais de R$1 milh\u00e3o, viagens aeroespaciais por algumas dezenas de milh\u00f5es de d\u00f3lares, ternos de R$ 1 milh\u00e3o e carros de R$10 milh\u00f5es. Bilion\u00e1rios j\u00e1 podem fazer viagens aeroespaciais atrav\u00e9s da Space X, empresa do segmento aeroespacial fundada em 2002, do mesmo dono da Tesla, fabricante de carros el\u00e9tricos.<\/p>\n<p>A figura 1 mostra a rela\u00e7\u00e3o da renda entre os 10% mais ricos e os 50% mais pobres do mundo em 2021 [1]. Na Fran\u00e7a, os 50% mais pobres ganham 7 vezes menos que os 10% mais ricos. No Brasil os 50% mais pobres ganham 29 vezes menos que os 10% mais ricos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-19859\" src=\"https:\/\/aepet.org.br\/wp-content\/uploads\/gus1.png\" alt=\"\" width=\"955\" height=\"521\" \/><\/p>\n<p><em>Figura 1. Diferen\u00e7as de renda no mundo [1]<\/em><\/p>\n<p>A desigualdade de rendimentos est\u00e1 aumentando em todo o mundo. Na verdade, os 10 % mais ricos detinham 52 % do rendimento global, em compara\u00e7\u00e3o com 8,5 % para os 50 % mais pobres, como mostra a figura 2, em 2021.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o a riqueza estes valores aumentam significativamente: os 10 % mais ricos possuem cerca de 76 % da riqueza e os 50 % mais pobres possuem cerca de 2 % da riqueza mundial. A acumula\u00e7\u00e3o de riqueza \u00e9 crescente, entre 2019 e 2021, per\u00edodo da pandemia, a riqueza dos 0,001 % mais ricos aumentou 14 %. E a riqueza global se manteve est\u00e1vel.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-19860\" src=\"https:\/\/aepet.org.br\/wp-content\/uploads\/gus2.png\" alt=\"\" width=\"821\" height=\"393\" \/><br \/>\n<em>Figura 2. Desigualdades globais de renda e de riqueza, 2021 [1]<\/em><\/p>\n<p>O capitalismo financeiro global aprofundou as desigualdades. Ao mesmo tempo em que o padr\u00e3o de consumo da elite, relacionado a um crescente aumento de riqueza, nunca poluiu tanto o planeta como agora. Uma elite poderosa que financia ilus\u00f5es, de fato j\u00e1 est\u00e1 completa a fus\u00e3o entre o ambientalismo e o capitalismo. A chamada transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica emerge como uma solu\u00e7\u00e3o para todos os problemas, como se novas formas de energia permitissem recursos infinitos. &#8220;Tudo deve mudar para que tudo fique como est\u00e1&#8221;, j\u00e1 dizia um personagem do filme &#8220;O Leopardo&#8221;, de 1963, do diretor italiano Luchino Visconti.<\/p>\n<p>A energia verde n\u00e3o \u00e9 exatamente o que parece, n\u00e3o nos salvar\u00e1. N\u00e3o existe energia completamente limpa. Este artigo n\u00e3o refuta a introdu\u00e7\u00e3o das fontes renov\u00e1veis na sociedade, mas algumas verdades inconvenientes precisam ser discutidas. S\u00e3o inc\u00f4modas para grupos que se recusam a compreender as necessidades de uma sociedade que n\u00e3o quer mudar o seu padr\u00e3o de consumo, mas criam ilus\u00f5es sobre energias totalmente limpas. As m\u00e1quinas e equipamentos fabricados pela civiliza\u00e7\u00e3o industrial podem nos salvar da civiliza\u00e7\u00e3o industrial?<\/p>\n<p>O Sol e o vento s\u00e3o fontes de energia renov\u00e1veis, mas os materiais da tecnologia verde n\u00e3o o s\u00e3o. Pain\u00e9is fotovoltaicos, turbinas el\u00e9tricas, aerogeradores e ve\u00edculos el\u00e9tricos devem ser fabricados e eventualmente substitu\u00eddos por novos dispositivos, pois t\u00eam um ciclo de vida.<\/p>\n<p>A gera\u00e7\u00e3o de energia renov\u00e1vel, em larga escala, utilizando usinas e\u00f3licas e solares, tem a limita\u00e7\u00e3o do fornecimento intermitente de energia. Mas, al\u00e9m disso, os argumentos a favor de sua utiliza\u00e7\u00e3o ignoram a necessidade de produzir grandes quantidades de metais e terras raras, cuja extra\u00e7\u00e3o resulta em muito mais polui\u00e7\u00e3o do solo do que os combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>V\u00e1rios metais raros ser\u00e3o necess\u00e1rios para que a \u201cera verde\u201d seja vi\u00e1vel. Em carros el\u00e9tricos ao contr\u00e1rio dos carros com motores de combust\u00e3o interna, metais raros desempenham fun\u00e7\u00f5es importantes relacionados ao funcionamento do carro (bateria, motor). Bem como tecnologias na \u00e1rea das energias renov\u00e1veis (c\u00e9lulas solares, turbinas e\u00f3licas).<\/p>\n<p>A Ag\u00eancia Internacional de Energia [2] estima que os materiais mais cr\u00edticos para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica s\u00e3o o l\u00edtio, n\u00edquel, cobalto, cobre, grafite e as terras raras. Os elementos de terras raras incluem lant\u00e2nio, dispr\u00f3sio, t\u00e9rbio, neod\u00edmio, c\u00e9rio, h\u00f3lmio, \u00e9rbio, sam\u00e1rio, eur\u00f3pio, esc\u00e2ndio, it\u00e9rbio, lut\u00e9cio, t\u00falio, prom\u00e9cio e gadol\u00ednio. A maioria \u00e9 radioativa e dif\u00edcil de extrair.<\/p>\n<p>Por exemplo, o neod\u00edmio \u00e9 usado para fazer \u00edm\u00e3s usados em motores el\u00e9tricos. A bateria \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o de um carro el\u00e9trico. E n\u00e3o funcionar\u00e1 sem metais raros, como o cobalto, o grafite e especialmente o l\u00edtio. Os \u00edm\u00e3s tamb\u00e9m s\u00e3o necess\u00e1rios para os motores e os rotores de turbinas e\u00f3licas. Os metais raros tamb\u00e9m s\u00e3o utilizados para as c\u00e9lulas dos pain\u00e9is solares.<\/p>\n<p>Os projetos de minera\u00e7\u00e3o para extrair esses metais podem levar em m\u00e9dia 16 anos para entrar em opera\u00e7\u00e3o. Consequentemente, espera-se que essa escassez aumente na pr\u00f3xima d\u00e9cada [3]. A transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica requer quantidades significativas de metais como cobre, o n\u00edquel, o cobalto e o l\u00edtio [3]. A procura de L\u00edtio poder\u00e1 aumentar mais de 40 vezes [2] at\u00e9 2040, seguido do grafite, do cobalto e do n\u00edquel (cerca de 20-25 vezes).<\/p>\n<p>As tecnologias verdes n\u00e3o cont\u00eam apenas metais raros, mas tamb\u00e9m consistem em metais mais abundantes, como a\u00e7o, alum\u00ednio e cobre. A transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica requer muito cobre, em 30 anos teremos que produzir a mesma quantidade de cobre produzida desde o in\u00edcio da humanidade.<\/p>\n<p>A figura 3 mostra os minerais utilizados em carros el\u00e9tricos em compara\u00e7\u00e3o com carros convencionais [2]. E a figura 4 apresenta os minerais utilizados nas tecnologias de energia limpa em compara\u00e7\u00e3o com outras fontes de produ\u00e7\u00e3o de eletricidade [2]. Esses gr\u00e1ficos indicam que para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica se viabilizar ser\u00e1 necess\u00e1ria uma produ\u00e7\u00e3o mundial enorme de minerais.<\/p>\n<p>Ou seja, da depend\u00eancia do petr\u00f3leo, surgir\u00e1 a depend\u00eancia desses minerais. Esses materiais devem ser produzidos atrav\u00e9s de processos industriais mais custosos e que sacrificam o meio ambiente e a sa\u00fade das pessoas. Al\u00e9m disso, a produ\u00e7\u00e3o desses materiais tamb\u00e9m depende de energias f\u00f3sseis.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-19861\" src=\"https:\/\/aepet.org.br\/wp-content\/uploads\/gus3.png\" alt=\"\" width=\"806\" height=\"795\" \/><\/p>\n<p><em>Figura 3 &#8211; Minerais usados em carros el\u00e9tricos em compara\u00e7\u00e3o com carros convencionais [2]<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-19862\" src=\"https:\/\/aepet.org.br\/wp-content\/uploads\/gus4.png\" alt=\"\" width=\"787\" height=\"767\" \/><\/p>\n<p><em>Figura 4 &#8211; Minerais utilizados nas tecnologias de energia limpa em compara\u00e7\u00e3o com outras fontes de produ\u00e7\u00e3o de eletricidade [2]<\/em><\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o a ser considerada \u00e9 que a produ\u00e7\u00e3o de muitos minerais relacionados a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica est\u00e1 mais concentrada geograficamente do que a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo ou o g\u00e1s natural [2]. A figura 5 mostra a participa\u00e7\u00e3o (%) dos tr\u00eas principais pa\u00edses produtores de cada mineral, comparando tamb\u00e9m com a participa\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas maiores pa\u00edses produtores e refinadores de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural do mundo. Em rela\u00e7\u00e3o ao cobalto o pa\u00eds que mais extrai esse mineral \u00e9 o Congo (DRC).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-19863\" src=\"https:\/\/aepet.org.br\/wp-content\/uploads\/gus5.png\" alt=\"\" width=\"993\" height=\"433\" \/><\/p>\n<p><em>Figura 5 \u2013 Participa\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas principais pa\u00edses produtores de minerais e combust\u00edveis f\u00f3sseis, 2019 [2]<\/em><\/p>\n<p>De acordo com o relat\u00f3rio sobre o papel dos minerais cr\u00edticos para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, de 2022, da Ag\u00eancia Internacional de Energia [2], poder\u00e1 haver escassez de l\u00edtio, n\u00edquel e importantes elementos de terras raras, como neod\u00edmio e dispr\u00f3sio, nos pr\u00f3ximos anos. As preocupa\u00e7\u00f5es com os recursos se referem tamb\u00e9m com a qualidade. Nos \u00faltimos anos, a qualidade do min\u00e9rio de diversas mat\u00e9rias-primas continuou a diminuir. Por exemplo, o grau m\u00e9dio do min\u00e9rio de cobre no Chile diminuiu 30% nos \u00faltimos 15 anos.<\/p>\n<p>\u00c9 demasiadamente complexo a reciclagem dos materiais envolvidos na tecnologia verde. Pode-se ter o um problema equivalente ao do lixo nuclear. Na verdade, o que \u00e9 extra\u00eddo custa menos do que um caro processo de reciclagem. Al\u00e9m disso, certos materiais nem sabemos como recicl\u00e1-los.<br \/>\nDeve-se interrogar se existem recursos suficientes para viabilizar uma suposta transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica completa. Atualmente, os dados revelam uma lacuna iminente entre as ambi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas refor\u00e7adas do mundo e a disponibilidade de minerais cr\u00edticos que s\u00e3o essenciais para concretizar essas ambi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de recursos minerais para viabilizar a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica causam uma s\u00e9rie de quest\u00f5es ambientais e sociais que podem prejudicar as comunidades locais. Regi\u00f5es que fabricam os materiais da energia verde sacrificam o territ\u00f3rio e a sa\u00fade de seus habitantes e formam buracos gigantes e lagos podres. E se os males da tecnologia verde forem piores dos que os males dos combust\u00edveis f\u00f3sseis?<\/p>\n<p>Com o desenvolvimento de tecnologias verdes, surgiram s\u00e9rios problemas ambientais. \u00c1guas residuais da produ\u00e7\u00e3o de metais raros se infiltram no solo, contaminando os len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos. No Chile, na mina de Chuquicamata, a produ\u00e7\u00e3o de cobre cresce a cada ano. Os ge\u00f3logos j\u00e1 preveem problemas de abastecimento nos pr\u00f3ximos anos, a produ\u00e7\u00e3o diminuir\u00e1 nas d\u00e9cadas de 2030 e 2040.<\/p>\n<p>Tal como a produ\u00e7\u00e3o de grafite na China, Chuquicamata polui o solo e os rios atrav\u00e9s da sua produ\u00e7\u00e3o. A \u00e1gua \u00e9 necess\u00e1ria para extrair e refinar o cobre. A mina consome 2.000 litros de \u00e1gua por segundo. O ar tamb\u00e9m est\u00e1 polu\u00eddo. No norte do Chile, o c\u00e2ncer do pulm\u00e3o j\u00e1 \u00e9 a principal causa de morte. Na Austr\u00e1lia s\u00e3o necess\u00e1rios cerca de 2 milh\u00f5es de litros de \u00e1gua para cada tonelada de l\u00edtio extra\u00eddo.<\/p>\n<p>Em resumo, o mundo nunca teve uma riqueza t\u00e3o concentrada atrav\u00e9s do sistema financeiro capitalista. Uma elite poderosa financia ilus\u00f5es. J\u00e1 est\u00e1 completa a fus\u00e3o entre o ambientalismo e o capitalismo. A transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica n\u00e3o deve ser vista como uma solu\u00e7\u00e3o m\u00e1gica para os problemas atuais, utilizada como mero instrumento de propaganda. Poderia ser avaliada seriamente, tendo em conta as suas principais limita\u00e7\u00f5es e os seus poss\u00edveis usos complementares.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><br \/>\n[1] L. Chancel, T. Piketty, E. Saez e G. Zucman, \u201cWorld Inequality Report 2022, World Inequality Lab wir2022.wid.world,\u201d 2022.<br \/>\n[2] IEA. International Energy Agency report. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.iea.org\/reports\/the-role-of-critical-minerals-in-clean-energy-transitions\/executive-summary&gt;. Acesso em: setembro de 2023.<br \/>\n[3] Pescatori, Andreas and Boer, Lukas and Stuermer, Martin, Energy Transition Metals (October 1, 2021). IMF Working Paper No. 2021\/243, Available at SSRN: https:\/\/ssrn.com\/abstract=4026470.<br \/>\n[4] G. Sim\u00f5es, \u201cOs gases de um efeito antidesenvolvimentista,\u201d 2023.<\/p>\n<p><strong>Autor:<\/strong><br \/>\n<em>Gustavo Jos\u00e9 Sim\u00f5es, doutor em Engenharia Mec\u00e2nica pela UFRJ e Historiador.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Por Gustavo Jos\u00e9 Sim\u00f5es, doutor em Engenharia Mec\u00e2nica pela UFRJ e Historiador. Uma elite poderosa financia ilus\u00f5es. 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