{"id":42483,"date":"2023-10-31T11:53:37","date_gmt":"2023-10-31T14:53:37","guid":{"rendered":"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/?p=42483"},"modified":"2023-10-31T11:53:37","modified_gmt":"2023-10-31T14:53:37","slug":"eolica-e-solar-fotovoltaica-nao-sao-renovaveis-nem-confiaveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/eolica-e-solar-fotovoltaica-nao-sao-renovaveis-nem-confiaveis\/","title":{"rendered":"E\u00f3lica e solar fotovoltaica n\u00e3o s\u00e3o renov\u00e1veis, nem confi\u00e1veis"},"content":{"rendered":"<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-42483-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Eolica-e-solar-fotovoltaica-nao-sao-renovaveis-nem-confiaveis.mp3?_=1\" \/><source type=\"audio\/ogg\" src=\"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Eolica-e-solar-fotovoltaica-nao-sao-renovaveis-nem-confiaveis.ogg?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Eolica-e-solar-fotovoltaica-nao-sao-renovaveis-nem-confiaveis.mp3\">https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Eolica-e-solar-fotovoltaica-nao-sao-renovaveis-nem-confiaveis.mp3<\/a><\/audio>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p><em>Por Felipe Coutinho e Mariana Costa**<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>As energias dos ventos e do sol s\u00e3o renov\u00e1veis na sua condi\u00e7\u00e3o original, dispersa e pouqu\u00edssimo concentrada em energia. Elas precisam ser concentradas para que sejam adequadas ao uso.<\/p>\n<p>O termo \u201ctransi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica\u201d traz a ideia que deixaremos de usar rapidamente certas fontes para usar outras. Geralmente se pressup\u00f5e que as piores fontes ficam para tr\u00e1s e as melhores chegam para as substituir.<\/p>\n<p>No entanto, a realidade \u00e9 bem distinta. As fontes energ\u00e9ticas t\u00eam se alterado historicamente de forma lenta, sendo que as fontes anteriores n\u00e3o s\u00e3o simplesmente substitu\u00eddas por novas, mas se somam a elas, como pode ser visualizado no Gr\u00e1fico 1 que apresenta o consumo mundial das energias prim\u00e1rias, por fonte, de 1800 a 2022. [1]<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-large wp-image-20369\" src=\"https:\/\/aepet.org.br\/wp-content\/uploads\/eolica-1024x723.png\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"565\" \/><\/p>\n<p><em>Gr\u00e1fico 1: Consumo mundial de energia prim\u00e1ria por fonte (1800-2022)<\/em><\/p>\n<p>No passado, \u00e0 biomassa (lenha, carv\u00e3o vegetal etc), acrescentou-se o carv\u00e3o mineral e o petr\u00f3leo, que s\u00e3o fontes mais baratas de serem produzidas, concentradas em energia e de f\u00e1cil armazenamento e transporte, o que os torna flex\u00edveis, de pronta disponibilidade e bastante confi\u00e1veis. Assim, foi observado um aumento da qualidade das energias utilizadas. Por outro lado, as novas fontes energ\u00e9ticas dispon\u00edveis comercialmente hoje (e\u00f3lica, solar fotovoltaica e biocombust\u00edveis) s\u00e3o mais caras e competem pelo uso do solo, sendo que a energia e\u00f3lica e solar s\u00e3o intermitentes, pouco concentradas em energia, de dif\u00edcil armazenamento e transporte, ou seja, de pior qualidade.<\/p>\n<p>Assim, h\u00e1 diversos aspectos que limitam que essas novas fontes energ\u00e9ticas cumpram papel hist\u00f3rico equivalente ao das energias de origem f\u00f3ssil, do ponto de vista do desenvolvimento econ\u00f4mico, social e ambiental.<\/p>\n<h2><strong>Alto custo de produ\u00e7\u00e3o com externalidades negativas<\/strong><\/h2>\n<p>Os custos de produ\u00e7\u00e3o das novas fontes energ\u00e9ticas s\u00e3o relativamente mais altos, considerando os custos externalizados pelos seus produtores, como o custo de transmiss\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o, o custo do complemento de suprimento de energia confi\u00e1vel para compensar a intermit\u00eancia, al\u00e9m das subven\u00e7\u00f5es diretas e indiretas tais como os impostos relativamente mais baixos, os cr\u00e9ditos de carbono, o acesso priorit\u00e1rio \u00e0 rede de transmiss\u00e3o e de distribui\u00e7\u00e3o da energia el\u00e9trica e os subs\u00eddios de capital.<\/p>\n<p>O pre\u00e7o de equil\u00edbrio da eletricidade \u00e9 o pre\u00e7o m\u00ednimo requerido para viabilizar a economicidade da sua produ\u00e7\u00e3o a partir de alguma fonte prim\u00e1ria de energia. \u00c9 o pre\u00e7o que traz a receita m\u00e9dia por unidade de eletricidade gerada que \u00e9 necess\u00e1rio para recuperar os custos de constru\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o de uma central geradora, durante uma vida financeira e um ciclo de funcionamento assumidos. O pre\u00e7o de equil\u00edbrio \u00e9 geralmente medido em termos de d\u00f3lares por mega watt-hora (US$\/MWh).<\/p>\n<p>A energia e\u00f3lica e solar fotovoltaica n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o competitivas em termos de custos como sugerem algumas narrativas. Embora o pre\u00e7o de equil\u00edbrio da eletricidade proveniente de fontes ditas renov\u00e1veis seja compar\u00e1vel com fontes de energia despach\u00e1veis, como o g\u00e1s natural de ciclo combinado, hidrel\u00e9tricas, esta compara\u00e7\u00e3o \u00e9 altamente enganadora.<\/p>\n<p>A intermit\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00edpica das energias e\u00f3lica e solar fotovoltaica, j\u00e1 que elas dependem da disponibilidade do sol e do vento. Ou seja, de fatores como o tempo, esta\u00e7\u00e3o do ano e a hora do dia, gerando energia apenas 25% a 34% do ano. [2]<\/p>\n<p>No Sistema El\u00e9trico, toda energia gerada precisa ser imediatamente consumida. E toda energia que se deseja consumir, precisa ser imediatamente gerada, pois n\u00e3o h\u00e1 armazenamento significativo dessa forma de energia. Tanto e\u00f3lica quanto a solar fotovoltaica precisam de complemento de fontes confi\u00e1veis, para que o suprimento seja garantido mesmo com sua intermit\u00eancia. Assim, as fontes de energia de origem hidroel\u00e9trica, nuclear, do carv\u00e3o e do g\u00e1s natural, produzem eletricidade conforme a demanda, sendo chamadas de despach\u00e1veis (o Operador Nacional do Sistema El\u00e9trico solicita a entrada dessas fontes, \u201cdespachando-as\u201d). Dessa forma, nota-se que essas novas fontes energ\u00e9ticas, que s\u00e3o intermitentes, n\u00e3o s\u00e3o despach\u00e1veis, ou seja, n\u00e3o realizam o mesmo tipo de servi\u00e7o para o Sistema El\u00e9trico.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os de equil\u00edbrio deve ser feita entre energias da mesma qualidade, ou seja, comparar o pre\u00e7o de uma energia firme e sempre dispon\u00edvel com outra que n\u00e3o \u00e9 confi\u00e1vel e varia n\u00e3o \u00e9 adequado. Diferentes fontes prim\u00e1rias produzem energia el\u00e9trica, mas s\u00e3o energias de diferentes qualidades, uma confi\u00e1vel e outra n\u00e3o. A segunda precisa ser complementada pela primeira, e o contr\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 verdadeiro. S\u00e3o servi\u00e7os diferentes, que precisam ser remunerados de forma diferenciada. O aumento da quantidade dessas novas fontes energ\u00e9ticas no Sistema El\u00e9trico aumenta a import\u00e2ncia das energias \u201cdespach\u00e1veis\u201d.<\/p>\n<p>A energia solar e a e\u00f3lica podem ser mais baratas do que os combust\u00edveis f\u00f3sseis em rar\u00edssimas situa\u00e7\u00f5es. Para a esmagadora maioria das necessidades energ\u00e9ticas do mundo, a energia solar e a e\u00f3lica s\u00e3o completamente incapazes de substituir os combust\u00edveis f\u00f3sseis ou s\u00e3o muito mais caras.<\/p>\n<p>Acrescenta-se que \u00e9 necess\u00e1rio transportar as energias e\u00f3lica e solar produzidas primordialmente no nordeste brasileiro para os grandes centros consumidores, por meio de constru\u00e7\u00e3o de novas linhas e subesta\u00e7\u00f5es que refletem no aumento de tarifa da energia el\u00e9trica cobrada de todos os consumidores brasileiros.<\/p>\n<p>Ademais, a energia el\u00e9trica n\u00e3o serve para os mesmos fins que os combust\u00edveis l\u00edquidos e o carv\u00e3o. Os combust\u00edveis l\u00edquidos de origem f\u00f3ssil s\u00e3o fundamentais para o transporte de mercadorias e pessoas, energia t\u00e9rmica para a ind\u00fastria, navega\u00e7\u00e3o e avia\u00e7\u00e3o. As atividades industriais de minera\u00e7\u00e3o, siderurgia e tantas outras dependem das energias f\u00f3sseis. Os combust\u00edveis l\u00edquidos e o carv\u00e3o s\u00e3o facilmente transport\u00e1veis e armazenados.<\/p>\n<p>Os biocombust\u00edveis apesar de apresentarem algumas caracter\u00edsticas similares aos combust\u00edveis de origem f\u00f3ssil (facilidade de transporte e armazenamento) necessitam de grandes extens\u00f5es de terra para serem produzidos, competindo com a produ\u00e7\u00e3o aliment\u00edcia. Os principais biocombust\u00edveis (etanol, biodiesel e diesel renov\u00e1vel) s\u00e3o mais caros que seus substitutos de origem f\u00f3ssil (gasolina e diesel, respectivamente), sendo necess\u00e1rio menores impostos, subs\u00eddios e obrigatoriedade de mistura com os combust\u00edveis, o que encarece os combust\u00edveis l\u00edquidos para o consumidor.<\/p>\n<h2><strong>N\u00e3o renov\u00e1veis e n\u00e3o confi\u00e1veis<\/strong><\/h2>\n<p>Os defensores das novas fontes energ\u00e9ticas apontam frequentemente para os fluxos totais de energia para a Terra e proclamam que os recursos de energias renov\u00e1veis s\u00e3o essencialmente ilimitados. Sim, \u00e9 verdade: estamos rodeados por quantidades incr\u00edveis de energia renov\u00e1vel difusa (por exemplo, radia\u00e7\u00e3o solar e vento). Infelizmente, por\u00e9m, essa energia \u00e9 in\u00fatil para n\u00f3s, a menos que seja concentrada em formas como a eletricidade ou os combust\u00edveis.<\/p>\n<p>As energias dos ventos e do sol s\u00e3o renov\u00e1veis na sua condi\u00e7\u00e3o original, dispersa e pouqu\u00edssimo concentrada em energia. Elas precisam ser concentradas para que sejam adequadas ao uso. A concentra\u00e7\u00e3o da energia e\u00f3lica \u00e9 feita pelos aerogeradores, enquanto a concentra\u00e7\u00e3o da energia solar ocorre por meio dos pain\u00e9is fotovoltaicos. Se na sua condi\u00e7\u00e3o original as energias dos ventos e do sol s\u00e3o renov\u00e1veis, na qualidade concentrada e transformada em energia el\u00e9trica n\u00e3o s\u00e3o. S\u00e3o necess\u00e1rias energias e insumos n\u00e3o renov\u00e1veis para se fabricar e manter aerogeradores e pain\u00e9is fotovoltaicos, assim como para se construir e conservar a infraestrutura para a transmiss\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o da energia el\u00e9trica.<\/p>\n<p>N\u00e3o se produz pain\u00e9is fotovoltaicos, baterias e aerogeradores a partir da energia el\u00e9trica. Minera\u00e7\u00e3o de metais, siderurgia e fus\u00e3o de metais para produ\u00e7\u00e3o de ligas dependem de energias muito concentradas e de altas temperaturas, ou seja, precisam de fontes prim\u00e1rias de energia de alta qualidade. A Figura 1 apresenta a quantidade m\u00e9dia de ferro e a\u00e7o necess\u00e1ria para constru\u00e7\u00e3o de uma turbina e\u00f3lica de 4MW em terra. [3]<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-large wp-image-20370\" src=\"https:\/\/aepet.org.br\/wp-content\/uploads\/eolica1-1024x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"800\" \/><\/p>\n<p><em>Figura 1: Quantidade de ferro e a\u00e7o necess\u00e1ria para constru\u00e7\u00e3o de aerogerador para produ\u00e7\u00e3o de 4MW em terra<\/em><\/p>\n<p>Os pain\u00e9is fotovoltaicos s\u00e3o, em sua maior parte, produzidos pela China, que utiliza em sua matriz energ\u00e9tica carv\u00e3o mineral e outras fontes f\u00f3sseis. Os aerogeradores e seus demais equipamentos auxiliares est\u00e3o instalados primordialmente pr\u00f3ximo \u00e0 costa brasileira, sujeitos \u00e0 corros\u00e3o, com necessidade de substitui\u00e7\u00e3o constante.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a constru\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o da rede de transmiss\u00e3o e de distribui\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica, depende de materiais de origem f\u00f3ssil, como para obten\u00e7\u00e3o dos elementos met\u00e1licos dos cabos, equipamentos el\u00e9tricos, das torres, entre outros.<\/p>\n<p>J\u00e1 os biocombust\u00edveis s\u00e3o normalmente provenientes de monoculturas (de cana de a\u00e7\u00facar e de soja), necessitando de grandes quantidades de fertilizantes e combust\u00edveis de origem f\u00f3ssil para movimenta\u00e7\u00e3o de equipamentos, transporte e seu processamento.<\/p>\n<p>Dessa forma, a hip\u00f3tese de que as \u201cenergias renov\u00e1veis\u201d ir\u00e3o substituir as fontes f\u00f3sseis \u00e9 falsa e uma distra\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a import\u00e2ncia do petr\u00f3leo, seja hoje ou no futuro. Na entrevista recente do atual presidente da Petrobr\u00e1s, Jean Paul Prates, para a TV 247, sobre a qual\u00a0<a href=\"https:\/\/youtu.be\/i8d6qkFPzRM\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">reagi gravando um v\u00eddeo com coment\u00e1rios<\/a>, ele estima que o pico de produ\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo brasileiro ocorrer\u00e1 entre 2030 e 2032. H\u00e1 previs\u00e3o que no futuro o Brasil ter\u00e1 que importar petr\u00f3leo, mantida a produ\u00e7\u00e3o atual, com exporta\u00e7\u00e3o de mais de 1,5 milh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo cru por dia, o que representa 45% da produ\u00e7\u00e3o nacional, sendo mais de 60% por petrol\u00edferas estrangeiras. \u00c9 necess\u00e1rio proibir, ou limitar severamente, a exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo cru brasileiro e investir na explora\u00e7\u00e3o em busca de novas descobertas pela Petrobr\u00e1s. A volta da necessidade de se importar petr\u00f3leo traria graves impactos \u00e0 soberania nacional, balan\u00e7a comercial, pre\u00e7o dos combust\u00edveis (sujeito \u00e0 oscila\u00e7\u00e3o internacional) e a toda cadeia produtiva nacional e sua competitividade. [4] [5]<\/p>\n<h2><strong>Pior qualidade<\/strong><\/h2>\n<p>A segunda lei da termodin\u00e2mica estabelece as condi\u00e7\u00f5es para que as transforma\u00e7\u00f5es possam ocorrer espontaneamente, explica a transforma\u00e7\u00e3o de calor em trabalho e afirma que a energia deve fluir de uma fonte concentrada para outra mais difusa para realizar trabalho. Toda a nossa sociedade foi constru\u00edda com base no trabalho realizado atrav\u00e9s da transforma\u00e7\u00e3o da energia f\u00f3ssil concentrada em calor difuso e, para competir, as tecnologias de energia renov\u00e1vel tamb\u00e9m precisam fornecer essa energia concentrada.<\/p>\n<p>Portanto, existe diferen\u00e7a entre quantidade e qualidade das energias prim\u00e1rias. Por exemplo, as energias solar, e\u00f3lica, das ondas e mar\u00e9s t\u00eam densidades energ\u00e9ticas muito baixas, relativamente baixa capacidade de realiza\u00e7\u00e3o de trabalho, elevado custo para suas obten\u00e7\u00f5es, reduzidas facilidades, flexibilidades e confiabilidades aos seus usos, al\u00e9m de que limitadas temperaturas podem ser atingidas a partir de suas aplica\u00e7\u00f5es.<br \/>\nA densidade energ\u00e9tica do petr\u00f3leo \u00e9 de 35 a 45 giga joules por metro c\u00fabico. A energia solar tem uma densidade de 1,5 micro joules por metro c\u00fabico, mais de vinte quatrilh\u00f5es de vezes menos do que o petr\u00f3leo. O vento e mar\u00e9 t\u00eam densidades de energia de 0,5 a 50 joules por metro c\u00fabico. A qualidade das fontes prim\u00e1rias de energia reflete inversamente nos seus custos, ou seja, quanto pior a qualidade da fonte prim\u00e1ria, maior o seu custo.<\/p>\n<p>Conclu\u00edmos com um exemplo, \u201cConsideremos o que \u00e9 necess\u00e1rio para substituir uma pequena turbina a g\u00e1s natural, que produz 100 megawatts de eletricidade, suficientes para at\u00e9 100 mil casas, com energia e\u00f3lica. Voc\u00ea precisaria de cerca de 20 enormes turbinas e\u00f3licas. Para construir essas turbinas ser\u00e3o necess\u00e1rias cerca de 30 mil toneladas de ferro e quase 50 mil toneladas de concreto, juntamente com 900 toneladas de pl\u00e1stico e fibra de vidro para as p\u00e1s e 540 toneladas de cobre (ou tr\u00eas vezes mais para um parque e\u00f3lico offshore). A turbina a g\u00e1s, por outro lado, consumiria cerca de 300 toneladas de ferro, 2.000 toneladas de concreto e talvez 50 toneladas de cobre nos enrolamentos e transformadores. Com base num c\u00e1lculo, precisar\u00edamos extrair mais cobre nos pr\u00f3ximos 22 anos do que em todos os \u00faltimos 5.000 anos da hist\u00f3ria humana.\u201d [6]<\/p>\n<p><em>* Felipe Coutinho \u00e9 engenheiro qu\u00edmico e vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Engenheiros da Petrobr\u00e1s (AEPET)<\/em><br \/>\n<em>** Mariana Costa \u00e9 engenheira qu\u00edmica e tem experi\u00eancia de 15 anos no setor de energia<\/em><\/p>\n<h2><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h2>\n<p>[1] Our World in Data.<br \/>\n[2] P. Bonifas e T. J. Considine, \u201cThe Limits to Green Energy,\u201d 2023.<br \/>\n[3] World Steel Association, \u201cIron and steel required for a typical 4 MW onshore wind turbine,\u201d 2023.<br \/>\n[4] F. Coutinho, \u201cFelipe Coutinho reage \u00e0 entrevista de Jean Paul Prates para TV 247,\u201d 2023.<br \/>\n[5] F. Coutinho, \u201cExporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo cru \u00e9 recorde, Lula conduz o Brasil na rota colonial pavimentada por Temer e Bolsonaro,\u201d 2023.<br \/>\n[6] E. Conway, Material World &#8211; a substantial story of our past and future, 2023.<br \/>\n[7] S. Coloete, \u201cThe Fundamental Limitations of Renewable Energy,\u201d 2013.<br \/>\n[8] B. E. Layton, \u201cA Comparison of energy densities of prevalent energy sources in units of joules per cubic meter,\u201d 2008.<br \/>\n[9] A. Epstein, \u201cThe Ultimate Debunking of \u201cSolar and Wind are Cheaper than Fossil Fuels,\u201d 2023.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Por Felipe Coutinho e Mariana Costa** As energias dos ventos e do sol s\u00e3o renov\u00e1veis na sua condi\u00e7\u00e3o original, dispersa e pouqu\u00edssimo concentrada em energia. Elas precisam ser concentradas para que sejam adequadas ao uso. 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