{"id":43543,"date":"2024-02-27T08:10:38","date_gmt":"2024-02-27T11:10:38","guid":{"rendered":"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/?p=43543"},"modified":"2024-02-26T16:08:19","modified_gmt":"2024-02-26T19:08:19","slug":"um-ano-tumultuado-para-a-industria-petrolifera-da-america-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/um-ano-tumultuado-para-a-industria-petrolifera-da-america-do-sul\/","title":{"rendered":"Um ano tumultuado para a ind\u00fastria petrol\u00edfera da Am\u00e9rica do Sul"},"content":{"rendered":"<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-43543-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Um-ano-tumultuado-para-a-industria-petrolifera-da-America-do-Sul.mp3?_=1\" \/><source type=\"audio\/ogg\" src=\"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Um-ano-tumultuado-para-a-industria-petrolifera-da-America-do-Sul.ogg?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Um-ano-tumultuado-para-a-industria-petrolifera-da-America-do-Sul.mp3\">https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Um-ano-tumultuado-para-a-industria-petrolifera-da-America-do-Sul.mp3<\/a><\/audio>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Brasil lidera o aumento da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na Am\u00e9rica do Sul com uma produ\u00e7\u00e3o recorde, enquanto a Venezuela registra uma breve recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica no meio de tens\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p>O ano passado, 2023, foi um per\u00edodo tumultuado para a ind\u00fastria petrol\u00edfera da Am\u00e9rica do Sul. O aumento do reconhecimento das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas fez com que os governos regionais pressionassem para reduzir as emiss\u00f5es e implementar pol\u00edticas destinadas a melhorar a prote\u00e7\u00e3o ambiental. A elevada instabilidade geopol\u00edtica, juntamente com o aumento do escrut\u00ednio regulamentar e os aumentos de impostos, tiveram um impacto ainda maior na ind\u00fastria petrol\u00edfera do continente. Entretanto, os mega booms petrol\u00edferos offshore da Guiana e do Brasil atra\u00edram uma aten\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel das grandes empresas petrol\u00edferas e dos governos de todo o mundo, nomeadamente dos l\u00edderes do cartel petrol\u00edfero da OPEP, que temem perder o controle dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo. A Am\u00e9rica do Sul est\u00e1 mais uma vez emergindo como uma pot\u00eancia produtora de hidrocarbonetos, com muitos pa\u00edses regionais, incluindo a Guiana e o Brasil, reportando uma produ\u00e7\u00e3o recorde durante 2023. Aqui est\u00e3o os principais desenvolvimentos do ano passado para os quatro maiores produtores de petr\u00f3leo da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<h2><strong>Argentina<\/strong><\/h2>\n<p>A Argentina, a segunda maior economia da Am\u00e9rica do Sul, com um produto interno bruto (PIB) de 622 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em 2023, \u00e9 o quarto maior produtor de petr\u00f3leo do continente. O pa\u00eds, que est\u00e1 a atravessar um boom \u00e9pico do petr\u00f3leo e do g\u00e1s de shale, est\u00e1 mais uma vez mergulhado numa crise econ\u00f4mica catastr\u00f3fica. A gravidade do desastre econ\u00f4mico que se desenrola na Argentina \u00e9 sublinhada pela infla\u00e7\u00e3o em 2023 que atingiu um m\u00e1ximo de v\u00e1rias d\u00e9cadas de 211,4%, superando os 190% da Venezuela, dando ao pa\u00eds a segunda maior taxa de infla\u00e7\u00e3o anual do mundo, depois do L\u00edbano. O agravamento da crise, que pode ser atribu\u00eddo aos erros das sucessivas administra\u00e7\u00f5es peronistas, viu o estranho pol\u00edtico e autodenominado anarcocapitalista Javier Milei vencer as elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2023 na Argentina.<\/p>\n<p>Imediatamente ap\u00f3s tomar posse, o Presidente Milei come\u00e7ou a implementar uma terapia de choque econ\u00f4mico destinada a estabilizar a economia e a controlar a infla\u00e7\u00e3o galopante. No entanto, estes representam um risco consider\u00e1vel e fizeram com que a infla\u00e7\u00e3o de dezembro de 2023 disparasse para um m\u00e1ximo hist\u00f3rico mensal de 25,5%. \u00c0 medida que o Presidente Milei desfaz os complexos controles de capital, reduz as despesas fiscais e reduz os dispendiosos subs\u00eddios \u00e0 energia e aos transportes, haver\u00e1 consequ\u00eancias financeiras consider\u00e1veis. H\u00e1 receios de que, \u00e0 medida que essas medidas sejam implementadas, o custo de vida, juntamente com a taxa de desemprego, suba em espiral, provocando protestos e potencialmente desencadeando outra crise pol\u00edtica. Isto est\u00e1 ocorrerendo apesar dos consider\u00e1veis ganhos econ\u00f4micos inesperados proporcionados pelo crescente boom do petr\u00f3leo n\u00e3o convencional na Argentina, que receber\u00e1 um impulso significativo pelas pol\u00edticas energ\u00e9ticas de Milei.<\/p>\n<p>Dados do Minist\u00e9rio da Economia da Argentina mostram que a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo em dezembro de 2023 atingiu um m\u00e1ximo hist\u00f3rico de 699.684 barris por dia, com a produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s natural caindo para o menor n\u00edvel em 10 meses, pouco menos de 4,2 bilh\u00f5es de p\u00e9s c\u00fabicos por dia, bem abaixo do m\u00e1ximo hist\u00f3rico de 5,1 bilh\u00f5es de p\u00e9s c\u00fabicos registrado em agosto de 2023. A explora\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da forma\u00e7\u00e3o de shale Vaca Muerta de 7,5 milh\u00f5es de acres \u00e9 respons\u00e1vel por esse crescimento s\u00f3lido, com o \u00f3leo de shale para dezembro de 2023 compreendendo quase 53% de todo o petr\u00f3leo extra\u00eddo na Argentina. Na verdade, a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo n\u00e3o convencional ultrapassou a metade pela primeira vez em Outubro de 2023. Entretanto, 58% do g\u00e1s natural produzido durante esse per\u00edodo foi extra\u00eddo do shale.<\/p>\n<p>Buenos Aires v\u00ea a Vaca Muerta como uma solu\u00e7\u00e3o m\u00e1gica para a economia da Argentina, propensa a cat\u00e1strofes, que est\u00e1 presa num ciclo exagerado de expans\u00e3o e recess\u00e3o. A \u00e1rea de shale, que os analistas afirmam ser superior a muitas forma\u00e7\u00f5es dos EUA, experimentar\u00e1 um maior crescimento da produ\u00e7\u00e3o \u00e0 medida que a YPF, controlada pelo estado, e perfuradores estrangeiros investem em Vaca Muerta. A YPF, que planeja gastar entre 5 bilh\u00f5es e 6 bilh\u00f5es de d\u00f3lares anualmente, est\u00e1 em processo de desinvestimento em campos petrol\u00edferos maduros e envelhecidos para que possa concentrar-se na abundante \u00e1rea plantada de petr\u00f3leo e g\u00e1s de shale em Vaca Muerta. As grandes empresas energ\u00e9ticas estrangeiras tamb\u00e9m est\u00e3o aumentando o investimento nas \u00e1reas petrol\u00edferas n\u00e3o convencionais da Argentina. Isto levar\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o para um pico previsto de 2,2 milh\u00f5es de barris por dia at\u00e9 2035. Embora as pol\u00edticas controversas de Milei possam finalmente tirar a Argentina da crise econ\u00f4mica, o boom petrol\u00edfero de Vaca Muerta impulsionar\u00e1 o PIB, melhorar\u00e1 a balan\u00e7a comercial e refor\u00e7ar\u00e1 as receitas fiscais.<\/p>\n<h2><strong>Venezuela<\/strong><\/h2>\n<p>O ano passado assistiu a uma s\u00e9rie de avan\u00e7os impressionantes para a Venezuela, o estado p\u00e1ria da Am\u00e9rica do Sul, que antes da revolu\u00e7\u00e3o socialista bolivariana de Hugo Ch\u00e1vez em 1999 era o maior produtor de petr\u00f3leo do continente. Num movimento imprevisto, o Presidente dos EUA, Joe Biden, durante o m\u00eas de outubro de 2023, aliviou amplamente as san\u00e7\u00f5es contra a Venezuela por um per\u00edodo de seis meses em troca de garantias de elei\u00e7\u00f5es presidenciais livres e democr\u00e1ticas em 2024. Isto permitiu que Caracas recome\u00e7asse a extrair e exportar petr\u00f3leo, bem como receber pagamentos pelas vendas de petr\u00f3leo. Ocorreu depois de a Casa Branca, em novembro de 2022, ter autorizado a Chevron a retomar o transporte de petr\u00f3leo na Venezuela para exporta\u00e7\u00e3o para os Estados Unidos.<\/p>\n<p>Por essas raz\u00f5es, a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo da Venezuela e, subsequentemente, a economia dependente do petr\u00f3leo cresceram a um ritmo s\u00f3lido durante 2023. Ao longo de 2021, \u00e0 medida que a pandemia da COVID-19 diminu\u00eda, os dados da OPEP mostram que a Venezuela bombeou uma m\u00e9dia de 553.000 barris por dia, o que em 2023 aumentou not\u00e1veis 35%, para 749.000 barris por dia. Durante dezembro de 2023, a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo da Venezuela atingiu o m\u00e1ximo plurianual de 786.000 barris por dia. Isto foi respons\u00e1vel por um aumento material na atividade econ\u00f4mica, com o PIB em 2023 a expandir-se em 4% e o FMI a prever um crescimento de 4,5% para 2024. O aumento da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo refor\u00e7ar\u00e1 os cofres do governo, ao mesmo tempo que permitir\u00e1 \u00e0 empresa petrol\u00edfera nacional PDVSA financiar a reconstru\u00e7\u00e3o de uma infraestrutura petrol\u00edfera em ru\u00ednas que est\u00e1 atualmente impedindo um maior crescimento da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto, h\u00e1 sinais de que a recupera\u00e7\u00e3o da Venezuela poder\u00e1 durar pouco. O autorit\u00e1rio Presidente Maduro, durante 2023, intensificou o uso de sabres contra a vizinha Guiana e as reivindica\u00e7\u00f5es da Venezuela sobre a regi\u00e3o de Essequibo, amea\u00e7ando mesmo invadir a regi\u00e3o contestada. Na verdade, no final de 2023 havia receios genu\u00ednos de que Maduro utilizasse o referendo falso, que foi favor\u00e1vel \u00e0 incorpora\u00e7\u00e3o do Essequibo na Venezuela, como pretexto para invadir o territ\u00f3rio. Isto atraiu a ira de muitas pot\u00eancias regionais, nomeadamente dos EUA e do Brasil, enquanto o Reino Unido, num sinal de solidariedade, enviou um navio de guerra para a sua antiga col\u00f4nia. Maduro est\u00e1 utilizando a disputa de Essequibo para pressionar a oposi\u00e7\u00e3o da Venezuela e como uma distra\u00e7\u00e3o das pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es presidenciais, que, se forem livres e democr\u00e1ticas, ver\u00e3o o seu regime removido do poder. O regime ditatorial acusou a principal figura da oposi\u00e7\u00e3o, Maria Corina Machado, de agir de forma corrupta com a Exxon para lavar dinheiro e minar a reivindica\u00e7\u00e3o de Caracas sobre o Essequibo.<\/p>\n<p>No in\u00edcio deste ano, o governo autorit\u00e1rio de Maduro chegou ao ponto de proibir Machado, que venceu as prim\u00e1rias para se tornar o candidato da unidade da oposi\u00e7\u00e3o em 2024, de ocupar cargos p\u00fablicos durante 15 anos, por motivos que s\u00e3o t\u00eanues. Isto gerou especula\u00e7\u00f5es consider\u00e1veis de que a administra\u00e7\u00e3o Biden n\u00e3o renovar\u00e1 o al\u00edvio das san\u00e7\u00f5es ap\u00f3s o prazo final de abril de 2024. O Departamento de Estado dos EUA, num aviso emitido aos venezuelanos ap\u00f3s a proibi\u00e7\u00e3o de Machado, sublinhou que o al\u00edvio das san\u00e7\u00f5es s\u00f3 ser\u00e1 renovado se Caracas cumprir o seu compromisso com elei\u00e7\u00f5es livres e justas. \u00c9 improv\u00e1vel que Maduro cumpra essa promessa, com elei\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas abertas, provavelmente levando \u00e0 sua remo\u00e7\u00e3o do poder, levando \u00e0 reposi\u00e7\u00e3o das san\u00e7\u00f5es dos EUA.<\/p>\n<h2><strong>Col\u00f4mbia<\/strong><\/h2>\n<p>O ano passado foi tumultuado para a ind\u00fastria petrol\u00edfera da Col\u00f4mbia, depois de um 2022 j\u00e1 conturbado. O primeiro presidente esquerdista do pa\u00eds andino, devastado por conflitos, Gustavo Petro, que assumiu o cargo em 7 de agosto de 2022, continuou com a sua agenda para afastar a Col\u00f4mbia da sua depend\u00eancia de combust\u00edveis f\u00f3sseis. A chave para o plano de Petro era deixar de conceder novos contratos para a explora\u00e7\u00e3o de hidrocarbonetos e proibir a fratura\u00e7\u00e3o hidr\u00e1ulica ou fracking. Esse plano agressivo para apoiar o impulso \u00e0s energias renov\u00e1veis, juntamente com os aumentos de impostos de novembro de 2022 direcionados \u00e0s ind\u00fastrias extrativas, fez com que o investimento em hidrocarbonetos em 2023 ca\u00edsse. O \u00f3rg\u00e3o m\u00e1ximo da ind\u00fastria, a Associa\u00e7\u00e3o Colombiana de Petr\u00f3leo (ACP), afirma que o investimento privado em hidrocarbonetos caiu um ter\u00e7o durante 2023.<\/p>\n<p>Durante 2023, a ind\u00fastria petrol\u00edfera da Col\u00f4mbia foi abalada pela dissid\u00eancia civil e pelo aumento da viol\u00eancia. Uma parte significativa foi motivada pelas crescentes preocupa\u00e7\u00f5es ambientais entre as comunidades afetadas por derrames de petr\u00f3leo e outras formas de degrada\u00e7\u00e3o ambiental, bem como pelo fracasso de alguns perfuradores em manter uma licen\u00e7a social s\u00f3lida. Protestos violentos envolveram a Emerald Oil, subsidi\u00e1ria da Sinopec, no departamento de Caquet\u00e1 em mar\u00e7o de 2023, onde policiais e funcion\u00e1rios da empresa foram feitos ref\u00e9ns. Os bloqueios comunit\u00e1rios e outros protestos s\u00e3o comuns na Bacia do Putumayo e noutras regi\u00f5es remotas de produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, como o departamento de Arauca, e esses eventos perturbam as opera\u00e7\u00f5es da ind\u00fastria, causando assim a queda da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>A crescente produ\u00e7\u00e3o de coca\u00edna, que atingiu outro recorde hist\u00f3rico em 2022, \u00e9 respons\u00e1vel pelo aumento da viol\u00eancia e da ilegalidade em muitas regi\u00f5es remotas onde a ind\u00fastria petrol\u00edfera opera. Isto impede ainda mais as atividades de explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo que \u00e9 respons\u00e1vel pelo aumento do roubo de petr\u00f3leo da rede de oleodutos da Col\u00f4mbia. A Cenit, uma subsidi\u00e1ria da empresa petrol\u00edfera nacional Ecopetrol que opera os oleodutos da Col\u00f4mbia, estima que 65% do petr\u00f3leo roubado se destina ao fabrico de coca\u00edna, sendo processado numa forma bruta de gasolina. Veja bem, s\u00e3o necess\u00e1rios volumes substanciais de gasolina para extrair o alcal\u00f3ide da folha de coca, que \u00e9 o principal precursor necess\u00e1rio para fabricar coca\u00edna. O Cenit afirma ter reduzido o roubo de petr\u00f3leo em 36% durante 2023 atrav\u00e9s da implanta\u00e7\u00e3o de drones, sensores de press\u00e3o de oleodutos e da implanta\u00e7\u00e3o de patrulhas militares para monitorizar os oleodutos.<\/p>\n<p>Esses acontecimentos est\u00e3o tendo um impacto acentuado na ind\u00fastria petrol\u00edfera da Col\u00f4mbia. A produ\u00e7\u00e3o, desde a pandemia de COVID-19 de 2020, est\u00e1 aparentemente presa numa espiral de decl\u00ednio sem fim. Dados do regulador de petr\u00f3leo da Col\u00f4mbia, a Ag\u00eancia Nacional de Hidrocarbonetos (ANH ), mostram que o pa\u00eds bombeou uma m\u00e9dia de 776.817 barris de petr\u00f3leo e 1,1 bilh\u00e3o de p\u00e9s c\u00fabicos de g\u00e1s natural por dia durante 2023.<\/p>\n<p>Embora isso classifique a Col\u00f4mbia como o segundo maior produtor de petr\u00f3leo de petr\u00f3leo da Am\u00e9rica do Sul, est\u00e1 bem abaixo dos 885.863 barris por dia reportados para 2019. \u00c9 improv\u00e1vel que a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo da Col\u00f4mbia cres\u00e7a significativamente e regresse aos n\u00edveis pr\u00e9-pand\u00eamicos, especialmente com impostos industriais mais elevados, maior incerteza geopol\u00edtica e crescente inseguran\u00e7a dissuadindo investimento estrangeiro em energia.<\/p>\n<h2><strong>Brasil<\/strong><\/h2>\n<p>Enquanto os membros da OPEP+, nomeadamente a Ar\u00e1bia Saudita, t\u00eam reduzido a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, o Brasil, que \u00e9 o maior produtor da Am\u00e9rica do Sul, tem reportado uma produ\u00e7\u00e3o recorde. Dados do regulador de hidrocarbonetos, Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis (ANP) mostram que o pa\u00eds produziu uma m\u00e9dia de 4,3 milh\u00f5es de barris de \u00f3leo equivalente por dia durante 2023. Este valor foi um pouco mais de 10% superior em compara\u00e7\u00e3o com um ano antes e a primeira vez que o Brasil bombeou mais de quatro milh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo equivalente, com o petr\u00f3leo representando 78% ou 3,4 milh\u00f5es de barris da produ\u00e7\u00e3o total do pa\u00eds. Isso classifica o Brasil como o s\u00e9timo maior produtor de petr\u00f3leo do mundo, atr\u00e1s da China e \u00e0 frente dos Emirados \u00c1rabes Unidos, membro da OPEP.<\/p>\n<p>O governo federal de Bras\u00edlia planeja, por meio do programa Potencializa E&amp;P, elevar a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo para 5,4 milh\u00f5es de barris por dia at\u00e9 o final desta d\u00e9cada. Se o pa\u00eds, que \u00e9 a maior economia da Am\u00e9rica do Sul, atingir essa meta elevada, ultrapassar\u00e1 o Canad\u00e1 e se tornar\u00e1 o quarto maior produtor de petr\u00f3leo do mundo. Apesar de isso exigir um aumento maci\u00e7o de 54% na produ\u00e7\u00e3o, h\u00e1 indica\u00e7\u00f5es de que o Brasil possui o potencial de hidrocarbonetos para atingir uma meta t\u00e3o ambiciosa. Em dezembro de 2023, a maior economia da Am\u00e9rica do Sul extraiu quase 3,6 milh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo e 5,6 mil milh\u00f5es de p\u00e9s c\u00fabicos de g\u00e1s natural por dia.<\/p>\n<p>Embora isso seja 2,5% e 3,4% inferior aos m\u00e1ximos recordes de produ\u00e7\u00e3o atingidos em novembro de 2023, h\u00e1 amplas evid\u00eancias de que a produ\u00e7\u00e3o de hidrocarbonetos do Brasil continuar\u00e1 a crescer a um ritmo constante. O investimento estrangeiro em energia continua a fluir para o gigantesco boom petrol\u00edfero offshore do Brasil, que \u00e9 impulsionado pelos imensos reservat\u00f3rios de petr\u00f3leo do pr\u00e9-sal do pa\u00eds, que compreendem 77% das reservas provadas, totalizando 14,9 mil milh\u00f5es de barris.<\/p>\n<p>Embora os fluxos de capital estrangeiro sejam cruciais para o desenvolvimento do imenso potencial petrol\u00edfero offshore do Brasil, \u00e9 a empresa petrol\u00edfera nacional Petrobr\u00e1s que lidera o esfor\u00e7o para desenvolver as bacias de hidrocarbonetos offshore do pa\u00eds. A grande empresa de energia integrada planeia investir 102 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, o que \u00e9 31% superior ao plano anterior, entre 2024 e 2028, com 72%, ou 73 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, desse montante destinado a atividades de explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o. Esses gastos consider\u00e1veis financiar\u00e3o a perfura\u00e7\u00e3o de 50 po\u00e7os de explora\u00e7\u00e3o, juntamente com mais de 350 po\u00e7os de desenvolvimento de produ\u00e7\u00e3o, permitindo ao mesmo tempo a implanta\u00e7\u00e3o de 14 novos navios flutuantes de armazenamento e descarga de produ\u00e7\u00e3o (FPSO). A Petrobr\u00e1s estima que isso aumentar\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o da empresa em 14% entre 2024 e 2028, para 3,2 milh\u00f5es de barris de \u00f3leo equivalente por dia.<\/p>\n<p>Os enormes investimentos da Petrobr\u00e1s, juntamente com grandes fluxos de investimento privado estrangeiro em energia, apontam para que Bras\u00edlia alcance o seu objetivo de elevar a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo para 5,4 milh\u00f5es de barris at\u00e9 2029. Isto far\u00e1 com que o Brasil ultrapasse o Canad\u00e1 e se torne o quarto maior produtor mundial, atr\u00e1s da Ar\u00e1bia Saudita. Num desenvolvimento chocante, sublinhando a amea\u00e7a representada pelo boom petrol\u00edfero e pela produ\u00e7\u00e3o crescente do Brasil, o cons\u00f3rcio OPEP+, no final de 2023, convidou o maior produtor de petr\u00f3leo da Am\u00e9rica do Sul a juntar-se ao grupo. O governo federal de Bras\u00edlia aceitou o convite para ingressar no cartel do petr\u00f3leo em janeiro de 2024, embora o Brasil n\u00e3o esteja sujeito a cotas de produ\u00e7\u00e3o. Este \u00e9 um grande golpe para o cartel do petr\u00f3leo e diminui a sua capacidade de influenciar os pre\u00e7os globais da energia.<\/p>\n<p>Fonte: Oilprice.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; O Brasil lidera o aumento da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na Am\u00e9rica do Sul com uma produ\u00e7\u00e3o recorde, enquanto a Venezuela registra uma breve recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica no meio de tens\u00f5es pol\u00edticas. 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