{"id":47701,"date":"2026-02-23T13:26:29","date_gmt":"2026-02-23T16:26:29","guid":{"rendered":"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/?p=47701"},"modified":"2026-02-23T13:26:29","modified_gmt":"2026-02-23T16:26:29","slug":"a-engenharia-brasileira-em-declinio-estrutural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/a-engenharia-brasileira-em-declinio-estrutural\/","title":{"rendered":"A Engenharia brasileira em decl\u00ednio estrutural"},"content":{"rendered":"<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-47701-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/A-Engenharia-brasileira-em-declinio-estrutural.mp3?_=1\" \/><source type=\"audio\/ogg\" src=\"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/A-Engenharia-brasileira-em-declinio-estrutural.ogg?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/A-Engenharia-brasileira-em-declinio-estrutural.mp3\">https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/A-Engenharia-brasileira-em-declinio-estrutural.mp3<\/a><\/audio>\n<p><em>Por Gustavo Jos\u00e9 Sim\u00f5es*<\/em><\/p>\n<p>A Engenharia constitui um dos pilares materiais da soberania nacional e do desenvolvimento econ\u00f4mico de longo prazo. Ela sustenta a capacidade produtiva, o dom\u00ednio tecnol\u00f3gico e a coordena\u00e7\u00e3o industrial de um pa\u00eds. Na aus\u00eancia dessa base, a economia torna-se estruturalmente dependente e incapaz de definir autonomamente seus rumos produtivos.<\/p>\n<p>Essa rela\u00e7\u00e3o entre Engenharia e soberania pode ser observada empiricamente na evolu\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o de engenheiros. A Figura 1 explicita esse processo ao comparar o n\u00famero de engenheiros formados por milh\u00e3o de habitantes no Brasil, na China e na Noruega entre 2000 e 2025. Observa-se que o Brasil n\u00e3o apenas forma menos engenheiros, como tamb\u00e9m apresenta uma trajet\u00f3ria de estagna\u00e7\u00e3o e posterior decl\u00ednio relativo. Enquanto pa\u00edses com projetos nacionais claros ampliaram de maneira consistente sua base de forma\u00e7\u00e3o em Engenharia.<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental destacar, para a correta interpreta\u00e7\u00e3o da Figura 1, que os impactos da desarticula\u00e7\u00e3o produtiva n\u00e3o se manifestam de forma imediata nos indicadores de forma\u00e7\u00e3o. A decis\u00e3o de ingressar em um curso de Engenharia, assim como sua conclus\u00e3o, responde a expectativas constru\u00eddas ao longo de anos, em contextos anteriores de elevado investimento, grandes projetos e forte absor\u00e7\u00e3o de engenheiros. Desse modo, embora a inflex\u00e3o estrutural da demanda por engenheiros tenha ocorrido ainda na primeira metade da d\u00e9cada de 2010, seus efeitos estat\u00edsticos s\u00f3 se tornam plenamente vis\u00edveis a partir de 2018, quando se esgota a in\u00e9rcia do ciclo anterior de expans\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse contexto, a Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato atuou como um choque desestruturante adicional sobre cadeias produtivas estrat\u00e9gicas, especialmente nos setores de energia, \u00f3leo e g\u00e1s e constru\u00e7\u00e3o pesada. Ao interromper grandes projetos, fragmentar empresas l\u00edderes e desarticular pol\u00edticas de conte\u00fado nacional, a opera\u00e7\u00e3o contribuiu para a destrui\u00e7\u00e3o de empregos qualificados e para a perda de capacidades organizacionais e tecnol\u00f3gicas acumuladas, afetando de forma duradoura a demanda por engenheiros e a atratividade da forma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea.<\/p>\n<p><strong>Figura 1 \u2013 Engenheiros formados por milh\u00e3o de habitantes, Brasil, China e Noruega (2000-2025).\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-24188\" src=\"https:\/\/aepet.org.br\/wp-content\/uploads\/GR1-4.png\" alt=\"\" width=\"923\" height=\"583\" \/><\/strong>Fonte: elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria com base em INEP; MOE China\/UNESCO (UIS); Statistics Norway\/OECD; IBGE; World Bank (ver Refer\u00eancias).<\/p>\n<p>O gr\u00e1fico mostra que entre 2002 e 2017 ocorreu um crescimento cont\u00ednuo no n\u00famero de engenheiros formados por milh\u00e3o de habitantes, passando de aproximadamente 174 para 552 engenheiros por milh\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse movimento, no entanto, n\u00e3o deve ser interpretado como resultado de um ambiente estrutural plenamente favor\u00e1vel \u00e0 Engenharia ao longo de todo o per\u00edodo. J\u00e1 nos anos 1990, as privatiza\u00e7\u00f5es e a retra\u00e7\u00e3o do papel do Estado na coordena\u00e7\u00e3o do desenvolvimento produtivo haviam desarticulado importantes instrumentos de pol\u00edtica industrial, cujos efeitos n\u00e3o se manifestam de forma imediata, mas com defasagem temporal.<\/p>\n<p>A partir de 2018, a retra\u00e7\u00e3o dos investimentos p\u00fablicos e privados em setores intensivos em engenharia passou a se traduzir na interrup\u00e7\u00e3o do crescimento e no decl\u00ednio relativo do indicador. A persist\u00eancia dessa tend\u00eancia at\u00e9 o per\u00edodo mais recente evidencia a necessidade de recomposi\u00e7\u00e3o do papel do Estado na coordena\u00e7\u00e3o do desenvolvimento produtivo, condi\u00e7\u00e3o fundamental para a recupera\u00e7\u00e3o estrutural da Engenharia nacional.<\/p>\n<p>Mesmo em um per\u00edodo de expans\u00e3o da ind\u00fastria nacional e de elevada demanda por engenheiros, como em 2010, a Figura 2 evidencia que o n\u00famero de engenheiros formados per capita no Brasil permanecia significativamente inferior ao observado em outros pa\u00edses do BRICS e em economias com maior densidade tecnol\u00f3gica. Esse dado refor\u00e7a que o crescimento observado ao longo da d\u00e9cada n\u00e3o foi suficiente para superar a fragilidade estrutural da forma\u00e7\u00e3o em engenharia no pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Figura 2 \u2013 Graduados em engenharia por 10 000 habitantes em diversos pa\u00edses (2010).<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-24189\" src=\"https:\/\/aepet.org.br\/wp-content\/uploads\/GR1-5.png\" alt=\"\" width=\"765\" height=\"480\" \/><\/strong><\/p>\n<p>Fonte: PMKB (2013), com base em dados da CNI, OCDE e PISA.<\/p>\n<p>O contraste \u00e9 revelador. A China, ao longo dessas duas d\u00e9cadas, expandiu agressivamente sua forma\u00e7\u00e3o de engenheiros como parte de uma estrat\u00e9gia deliberada de ascens\u00e3o tecnol\u00f3gica e industrial. A Noruega, mesmo com uma popula\u00e7\u00e3o pequena, manteve uma forma\u00e7\u00e3o elevada e est\u00e1vel, coerente com um modelo de desenvolvimento que articula recursos naturais, engenharia avan\u00e7ada e soberania produtiva. O Brasil, por sua vez, falhou em transformar crescimento econ\u00f4mico epis\u00f3dico em fortalecimento estrutural de sua capacidade t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da quantidade total de engenheiros formados, a distribui\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o por \u00e1reas revela a dimens\u00e3o qualitativa do desequil\u00edbrio estrutural. A Figura 3 apresenta a distribui\u00e7\u00e3o dos graduados, em valores per capita, nas engenharias El\u00e9trica, Mec\u00e2nica, Civil e Qu\u00edmica no Brasil e na China, evidenciando contrastes significativos entre os dois pa\u00edses analisados.<\/p>\n<p><strong>Figura 3 &#8211; Graduados em Engenharia por milh\u00e3o de habitantes, por pa\u00eds (Brasil e China), 2023.<\/strong><\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-24190\" src=\"https:\/\/aepet.org.br\/wp-content\/uploads\/GR1-6.png\" alt=\"\" width=\"794\" height=\"438\" \/><\/strong><\/p>\n<p>Fonte: elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria com base em INEP; MOE China\/UNESCO (UIS); IBGE; World Bank (ver Refer\u00eancias).<\/p>\n<p>Essas \u00e1reas foram selecionadas por representarem n\u00facleos centrais da capacidade industrial e tecnol\u00f3gica, estando diretamente associadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de bens de capital, infraestrutura energ\u00e9tica e cadeias industriais complexas.<\/p>\n<p>A desagrega\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o em Engenharia por \u00e1reas evidencia com maior clareza o desequil\u00edbrio estrutural brasileiro. No Brasil, h\u00e1 forte concentra\u00e7\u00e3o na Engenharia Civil (30%), seguida \u00e0 dist\u00e2ncia pelas engenharias Mec\u00e2nica (13%), El\u00e9trica (12%) e Qu\u00edmica (5%). O resultado \u00e9 uma base formativa pouco diversificada e excessivamente orientada \u00e0 constru\u00e7\u00e3o civil, com baixa densidade industrial.<\/p>\n<p>Na China, o perfil \u00e9 distinto. Embora a Engenharia Civil mantenha peso relevante (17%), observa-se uma distribui\u00e7\u00e3o mais equilibrada entre Mec\u00e2nica (24%), El\u00e9trica (21%), Qu\u00edmica (7%), refletindo uma estrat\u00e9gia deliberada de industrializa\u00e7\u00e3o complexa e intensiva em tecnologia.<\/p>\n<p>O contraste revela que o problema brasileiro n\u00e3o \u00e9 apenas quantitativo, mas sobretudo qualitativo: a concentra\u00e7\u00e3o em poucas \u00e1reas e a baixa participa\u00e7\u00e3o das engenharias mais intensivas em tecnologia limitam a capacidade nacional de sustentar cadeias industriais complexas e avan\u00e7ar em soberania produtiva.<\/p>\n<p>Esses dados indicam que o decl\u00ednio da engenharia nacional n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno educacional isolado, nem resultado de escolhas individuais dos jovens. Trata-se de um reflexo direto da perda de centralidade da Engenharia no projeto de pa\u00eds. Quando o Estado abdica da coordena\u00e7\u00e3o do desenvolvimento produtivo, desmonta empresas estrat\u00e9gicas e enfraquece cadeias industriais, a demanda por engenheiros cai \u2014 e, com ela, o interesse social pela profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao conversar com jovens, esse esvaziamento torna-se evidente. Participo h\u00e1 anos de um projeto como palestrante no ensino m\u00e9dio e constato, de forma recorrente, o decl\u00ednio do interesse pela Engenharia. Muitos apontam a dificuldade excessiva, o peso da matem\u00e1tica ou, sobretudo, a falta de perspectiva profissional. H\u00e1 cerca de quinze anos, ainda existia um p\u00fablico numeroso e curioso, especialmente interessado em carreiras como Engenharia Mec\u00e2nica, Engenharia Civil, Engenharia El\u00e9trica e Engenharia Qu\u00edmica. Hoje, o cen\u00e1rio \u00e9 outro: em um grande col\u00e9gio particular do Rio de Janeiro, uma palestra sobre Engenharia reuniu menos alunos do que o n\u00famero de palestrantes presentes. No mesmo dia, uma palestra sobre marketing digital atraiu dezenas de jovens.<\/p>\n<p>Essa percep\u00e7\u00e3o emp\u00edrica encontra respaldo nos dados. Uma pesquisa nacional encomendada pelo Centro de Integra\u00e7\u00e3o Empresa-Escola (CIEE) e realizada pelo Instituto Locomotiva, com 1.150 estudantes do Ensino M\u00e9dio, revela que apenas 12% manifestam interesse em cursar Engenharia \u2014 o equivalente a cerca de 2,3 milh\u00f5es de jovens, segundo estimativas baseadas na PNAD 2024. Trata-se de um fen\u00f4meno amplo, nacional e estrutural. (CIEE\/Instituto Locomotiva).<\/p>\n<p>Em contraste com os apenas 12 % de jovens brasileiros que manifestam interesse em cursar Engenharia, observa-se que, na China, a forma\u00e7\u00e3o em engenharia ocupa uma posi\u00e7\u00e3o central no sistema universit\u00e1rio. Dados compilados a partir das estat\u00edsticas oficiais do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o da China, divulgados e sistematizados por ve\u00edculos especializados, indicam que cerca de 36 % dos estudantes universit\u00e1rios chineses optam por cursos de engenharia, propor\u00e7\u00e3o muito superior \u00e0 observada em economias ocidentais (Slashdot, 2025).<\/p>\n<p>Mas a responsabilidade n\u00e3o \u00e9 do jovem. Esse desinteresse n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno global nem resultado de uma suposta \u201cavers\u00e3o \u00e0 dificuldade\u201d. Ele \u00e9 consequ\u00eancia direta de escolhas pol\u00edticas e econ\u00f4micas. A partir dos anos 1990, com a ado\u00e7\u00e3o de uma agenda neoliberal \u2014 iniciada no governo FHC e aprofundada posteriormente \u2014 o pa\u00eds desmontou deliberadamente instrumentos de pol\u00edtica industrial. Mais recentemente, a Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato contribuiu para a desarticula\u00e7\u00e3o de cadeias produtivas estrat\u00e9gicas, especialmente nos setores de energia e constru\u00e7\u00e3o pesada, pulverizando empresas, empregos qualificados e capacidades de engenharia associadas ao conte\u00fado nacional.<\/p>\n<p>A esse processo somaram-se privatiza\u00e7\u00f5es realizadas sem uma estrat\u00e9gia tecnol\u00f3gica e industrial de longo prazo \u2014 como a da Eletrobr\u00e1s \u2014 que enfraqueceram o papel das estatais como \u00e2ncoras de planejamento, investimento em engenharia, conte\u00fado nacional e articula\u00e7\u00e3o de cadeias produtivas estrat\u00e9gicas.<\/p>\n<p>As privatiza\u00e7\u00f5es dos anos 1990 foram apresentadas como caminho para a moderniza\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento, mas resultaram na perda da capacidade nacional de coordenar estrategicamente o progresso produtivo. Ativos estrat\u00e9gicos foram vendidos em um contexto de crise fiscal, juros elevados e c\u00e2mbio pressionado \u2014 n\u00e3o como parte de um projeto de desenvolvimento, mas como resposta emergencial. Empresas foram entregues a pre\u00e7os depreciados, como no caso emblem\u00e1tico da Vale. Com isso, centros de pesquisa, departamentos de engenharia e cadeias produtivas inteiras foram desmontados. As estatais deixaram de cumprir seu papel como \u00e2ncoras tecnol\u00f3gicas e articuladoras da ind\u00fastria nacional. A engenharia brasileira perdeu escala, continuidade e capacidade de inova\u00e7\u00e3o, tornando o pa\u00eds mais dependente de tecnologia externa e de decis\u00f5es tomadas fora de seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Esse quadro se agrava quando observado em perspectiva hist\u00f3rica. Durante s\u00e9culos, o Brasil se organizou como exportador de mat\u00e9rias-primas de baixo valor agregado \u2014 o que hoje chamamos de commodities. Passamos pelo ciclo do a\u00e7\u00facar, do ouro, do caf\u00e9 e, mais recentemente, do min\u00e9rio de ferro e do petr\u00f3leo cru. Em todos esses ciclos, repetiu-se a mesma l\u00f3gica: exportar produtos prim\u00e1rios e importar bens industrializados, tecnologia e conhecimento. O resultado \u00e9 conhecido: crescimento epis\u00f3dico, concentra\u00e7\u00e3o de renda e baixa capacidade de transformar riqueza natural em desenvolvimento social duradouro.<\/p>\n<p>Romper esse padr\u00e3o exige a constru\u00e7\u00e3o deliberada de capacidade produtiva nacional \u2014 e isso passa, necessariamente, pela Engenharia. S\u00e3o engenheiros que projetam m\u00e1quinas, refinarias, estaleiros, sistemas de transporte, infraestrutura energ\u00e9tica, telecomunica\u00e7\u00f5es, f\u00e1bricas e centros de pesquisa. Sem essa base t\u00e9cnica, o pa\u00eds fica condenado a comprar tecnologia pronta, pagando caro por patentes, equipamentos e servi\u00e7os que poderia produzir internamente.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia internacional confirma esse diagn\u00f3stico. Pa\u00edses que conseguiram se desenvolver \u2014 como China e Noruega \u2014 n\u00e3o abriram m\u00e3o do Estado, mas o utilizaram como coordenador do processo: investimento p\u00fablico pesado, planejamento de longo prazo, fortalecimento de empresas nacionais e integra\u00e7\u00e3o entre universidades, centros de pesquisa e ind\u00fastria. No Brasil, os momentos de maior avan\u00e7o industrial e tecnol\u00f3gico coincidiram com projetos nacionais de desenvolvimento, como na era Vargas e no ciclo desenvolvimentista do p\u00f3s-guerra, quando surgiram a Petrobras, a Eletrobras, a Embraer e grandes obras de infraestrutura.<\/p>\n<p>Hoje, a aus\u00eancia de um projeto nacional claro nos empurra novamente para a depend\u00eancia tecnol\u00f3gica. Exportamos commodities e importamos m\u00e1quinas; vendemos petr\u00f3leo cru e compramos derivados; exportamos min\u00e9rio e importamos a\u00e7o especial. Falta coordena\u00e7\u00e3o nacional para transformar ciclos econ\u00f4micos favor\u00e1veis em cadeias produtivas duradouras. Falta investimento p\u00fablico consistente em Engenharia, ci\u00eancia e inova\u00e7\u00e3o \u2014 n\u00e3o como gasto, mas como estrat\u00e9gia de soberania.<\/p>\n<p>Sem isso, o pa\u00eds permanece vulner\u00e1vel \u00e0s flutua\u00e7\u00f5es do mercado internacional, \u00e0s decis\u00f5es tecnol\u00f3gicas de outros pa\u00edses e \u00e0 perda cont\u00ednua de quadros t\u00e9cnicos qualificados. Defender a Engenharia, nesse contexto, n\u00e3o \u00e9 corporativismo. \u00c9 defender um projeto de pa\u00eds capaz de transformar riqueza natural em desenvolvimento industrial, autonomia tecnol\u00f3gica e inclus\u00e3o social.<\/p>\n<p>O desinteresse dos jovens pela Engenharia \u00e9 um sintoma, n\u00e3o a causa do problema. Ao longo da hist\u00f3ria, a juventude respondeu \u00e0s oportunidades concretas oferecidas pela sociedade. Quando essas perspectivas se retraem, o afastamento n\u00e3o decorre de escolhas individuais, mas da perda de centralidade da Engenharia no projeto nacional.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a desarticula\u00e7\u00e3o de cadeias produtivas, o enfraquecimento de centros de pesquisa e a aus\u00eancia de um projeto de desenvolvimento de longo prazo reduziram a demanda social e econ\u00f4mica por engenheiros. Privatiza\u00e7\u00f5es retiraram do Estado instrumentos de planejamento e coordena\u00e7\u00e3o do desenvolvimento, fragmentaram a base industrial e esvaziaram as perspectivas associadas \u00e0 profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse contexto, o jovem n\u00e3o abandona a Engenharia por avers\u00e3o \u00e0 dificuldade, mas porque j\u00e1 n\u00e3o a percebe como um caminho socialmente relevante ou economicamente promissor. O problema, portanto, \u00e9 estrutural: sem ind\u00fastria forte, pol\u00edtica tecnol\u00f3gica e planejamento de longo prazo, a forma\u00e7\u00e3o em Engenharia perde sentido social.<\/p>\n<p>O decl\u00ednio da Engenharia brasileira assume, assim, um car\u00e1ter civilizacional. Ele expressa a escolha entre permanecer como economia prim\u00e1rio-exportadora ou reconstruir um projeto nacional baseado em soberania produtiva, inova\u00e7\u00e3o e desenvolvimento. Recolocar a Engenharia no centro do debate \u00e9 uma exig\u00eancia estrat\u00e9gica e deve ser tratada como tal nos f\u00f3runs progressistas e nacional-desenvolvimentistas. Trata-se, portanto, de uma escolha hist\u00f3rica entre depend\u00eancia produtiva e soberania tecnol\u00f3gica, exatamente o dilema que atravessa todo o debate sobre o desenvolvimento nacional.<\/p>\n<p>Como advertia Darcy Ribeiro, \u201ca crise da educa\u00e7\u00e3o no Brasil n\u00e3o \u00e9 uma crise; \u00e9 um projeto\u201d. No caso da Engenharia, o que est\u00e1 em jogo \u00e9 a recusa hist\u00f3rica em construir um projeto nacional que reconhe\u00e7a o conhecimento nessa \u00e1rea como base da soberania produtiva, da autonomia tecnol\u00f3gica e da capacidade do pa\u00eds de decidir sobre sua infraestrutura, sua ind\u00fastria e seu futuro.<\/p>\n<h2><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h2>\n<p>CIEE; INSTITUTO LOCOMOTIVA. Pesquisa sobre interesse dos estudantes do Ensino M\u00e9dio em cursos de Engenharia (1.150 estudantes). Centro de Integra\u00e7\u00e3o Empresa-Escola (CIEE), 2025. Relat\u00f3rio em PDF. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/ciee-comunicacao.s3.dualstack.sa-east-1.amazonaws.com\/portal-ciee\/Pesquisas\/Pesquisa_Engenharia-2025-2.pdf.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/ciee-comunicacao.s3.dualstack.sa-east-1.amazonaws.com\/portal-ciee\/Pesquisas\/Pesquisa_Engenharia-2025-2.pdf.<\/a><\/p>\n<p>CONFEDERA\u00c7\u00c3O NACIONAL DA IND\u00daSTRIA (CNI). Engenharia no Brasil: forma\u00e7\u00e3o e mercado de trabalho. Bras\u00edlia: CNI, 2010.<\/p>\n<p>INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTAT\u00cdSTICA (IBGE). Censos Demogr\u00e1ficos e estimativas intercensit\u00e1rias de popula\u00e7\u00e3o. Rio de Janeiro: IBGE. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.ibge.gov.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.ibge.gov.br<\/a>. Acesso em: 29 jan. 2026.<\/p>\n<p>INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS AN\u00cdSIO TEIXEIRA (INEP). Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior. Bras\u00edlia: MEC, 2000\u20132023. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/inep\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.gov.br\/inep<\/a>. Acesso em: 29 jan. 2026.<\/p>\n<p>MINISTRY OF EDUCATION OF THE PEOPLE\u2019S REPUBLIC OF CHINA. Educational Statistics Yearbook of China. Beijing: MOE. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/en.moe.gov.cn\/documents\/statistics\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/en.moe.gov.cn\/documents\/statistics\/<\/a>. Acesso em: 29 jan. 2026.<\/p>\n<p>ORGANISATION FOR ECONOMIC CO-OPERATION AND DEVELOPMENT (OECD). Education at a Glance \u2013 Norway. Paris: OECD. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.oecd.org\/education\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.oecd.org\/education\/<\/a>. Acesso em: 29 jan. 2026.<\/p>\n<p>PAIVA, Du\u00edlio. Entendendo o cen\u00e1rio da engenharia no Brasil. PMKB \u2013 Project Management Knowledge Base, 13 dez. 2013. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/pmkb.com.br\/entendendo-o-cenario-da-engenharia-no-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/pmkb.com.br\/entendendo-o-cenario-da-engenharia-no-brasil\/<\/a>. Acesso em: 29 jan. 2026.<\/p>\n<p>SLASHDOT. 36% of Chinese undergraduates choose engineering, compared to 5% in the US and UK. 27 jun. 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/news.slashdot.org\/story\/25\/06\/27\/1340213\/36-of-chinese-undergraduates-choose-engineering-compared-to-5-in-us-and-uk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/news.slashdot.org\/story\/25\/06\/27\/1340213\/36-of-chinese-undergraduates-choose-engineering-compared-to-5-in-us-and-uk<\/a>. Acesso em: 30 jan. 2026.<\/p>\n<p>STATISTICS NORWAY. Education statistics \u2013 higher education. Oslo: SSB. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.ssb.no\/en\/utdanning\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.ssb.no\/en\/utdanning<\/a>. Acesso em: 29 jan. 2026.<\/p>\n<p>UNESCO INSTITUTE FOR STATISTICS (UIS). Tertiary graduates by field of education: Engineering, Manufacturing and Construction (ISCED 2013). Montreal: UNESCO. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/uis.unesco.org\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/uis.unesco.org<\/a>. Acesso em: 29 jan. 2026.<\/p>\n<p>WORLD BANK. World Development Indicators: Population, total. Washington, DC: World Bank. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/data.worldbank.org\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/data.worldbank.org<\/a>. Acesso em: 29 jan. 2026.<\/p>\n<p><strong><em>*Gustavo Jos\u00e9 Sim\u00f5es \u00e9 Engenheiro mec\u00e2nico e vice-diretor cultural da Associa\u00e7\u00e3o dos Engenheiros da Petrobr\u00e1s (AEPET)<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Gustavo Jos\u00e9 Sim\u00f5es* A Engenharia constitui um dos pilares materiais da soberania nacional e do desenvolvimento econ\u00f4mico de longo prazo. Ela sustenta a capacidade produtiva, o dom\u00ednio tecnol\u00f3gico e a coordena\u00e7\u00e3o industrial de um pa\u00eds. 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