{"id":48346,"date":"2026-07-21T14:47:47","date_gmt":"2026-07-21T17:47:47","guid":{"rendered":"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/?p=48346"},"modified":"2026-07-21T14:47:47","modified_gmt":"2026-07-21T17:47:47","slug":"o-estado-do-seculo-xxi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/o-estado-do-seculo-xxi\/","title":{"rendered":"O Estado do s\u00e9culo XXI"},"content":{"rendered":"<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-48346-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/O-Estado-do-Seculo-XXI.mp3?_=1\" \/><source type=\"audio\/ogg\" src=\"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/O-Estado-do-Seculo-XXI.ogg?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/O-Estado-do-Seculo-XXI.mp3\">https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/O-Estado-do-Seculo-XXI.mp3<\/a><\/audio>\n<p><em>Por Marcio Pochmann*<\/em><\/p>\n<p>Pela primeira vez na hist\u00f3ria, poucas e grandes empresas privadas caminham para possuir mais conhecimento sobre uma na\u00e7\u00e3o do que o pr\u00f3prio Estado nacional. N\u00e3o haver\u00e1 soberania nacional quando o conhecimento mais profundo sobre o pa\u00eds estiver armazenado em servidores privados localizados fora de seu territ\u00f3rio<\/p>\n<p>Poucas vezes na hist\u00f3ria a humanidade assistiu a uma transforma\u00e7\u00e3o t\u00e3o profunda quanto a que vivemos atualmente. N\u00e3o se trata apenas da substitui\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas por computadores, nem da troca de f\u00e1bricas por plataformas digitais. O que est\u00e1 em curso \u00e9 uma mudan\u00e7a na pr\u00f3pria natureza do poder. Se a Revolu\u00e7\u00e3o industrial reorganizou a economia em torno da m\u00e1quina, a transforma\u00e7\u00e3o digital reorganiza a sociedade em torno dos dados, dos algoritmos e da intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n<p>O s\u00e9culo XX foi moldado pela ind\u00fastria. Este in\u00edcio do s\u00e9culo XXI est\u00e1 sendo moldado pela capacidade de produzir, integrar e transformar dados em conhecimento estrat\u00e9gico. O ativo decisivo das na\u00e7\u00f5es deixa de ser apenas o capital f\u00edsico e passa a incluir o patrim\u00f4nio informacional. A riqueza j\u00e1 n\u00e3o depende exclusivamente do controle de f\u00e1bricas, energia, infraestrutura e for\u00e7a de trabalho, mas tamb\u00e9m da capacidade de organizar redes digitais, desenvolver intelig\u00eancia artificial, comandar fluxos de informa\u00e7\u00e3o e antecipar comportamentos.<\/p>\n<p>\u00c9 essa capacidade de antecipa\u00e7\u00e3o que define o novo capitalismo. Antes, a f\u00e1brica disciplinava corpos, agora, os algoritmos influenciam escolhas, desejos e expectativas. Se o rel\u00f3gio regulava o tempo do trabalhador industrial, as plataformas digitais regulam nossa aten\u00e7\u00e3o. Se a publicidade vendia mercadorias, a intelig\u00eancia artificial comercializa previs\u00f5es sobre nossos comportamentos. O capitalismo contempor\u00e2neo n\u00e3o deseja apenas vender produtos: deseja prever, induzir e capturar condutas.<\/p>\n<p>As grandes plataformas tecnol\u00f3gicas sabem onde estamos, o que consumimos, quais s\u00e3o nossos h\u00e1bitos, v\u00ednculos sociais, prefer\u00eancias culturais, inclina\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e at\u00e9 aquilo que provavelmente faremos amanh\u00e3. Elas n\u00e3o administram apenas informa\u00e7\u00f5es, pois administram probabilidades. E quem controla probabilidades passa a influenciar decis\u00f5es econ\u00f4micas, culturais e pol\u00edticas. Ou seja, quem controla os dados controla parte crescente da pr\u00f3pria capacidade social de decidir.<\/p>\n<p>Essa transforma\u00e7\u00e3o representa uma ruptura hist\u00f3rica compar\u00e1vel ao surgimento do Estado moderno ou \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o industrial. No s\u00e9culo XIX, construir ferrovias significava integrar o territ\u00f3rio e consolidar a soberania nacional. No s\u00e9culo XX, estruturar sistemas estat\u00edsticos nacionais permitiu conhecer a popula\u00e7\u00e3o e o territ\u00f3rio, organizar pol\u00edticas p\u00fablicas com base na realidade observada e planejar os passos do desenvolvimento. Neste primeiro ter\u00e7o do s\u00e9culo XXI, a soberania passa tamb\u00e9m pelo dom\u00ednio das infraestruturas digitais, da intelig\u00eancia artificial e dos sistemas p\u00fablicos de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>2. Um pa\u00eds que n\u00e3o controla seus pr\u00f3prios dados dificilmente controlar\u00e1 o seu pr\u00f3prio destino. A depend\u00eancia informacional tende a se tornar a forma mais sofisticada de depend\u00eancia nacional. No passado, a subordina\u00e7\u00e3o se expressava pelo controle externo da terra, dos portos, das minas, das ferrovias, da ind\u00fastria e do financiamento. Agora, ela se amplia pelo controle externo das nuvens digitais, dos algoritmos, dos modelos de intelig\u00eancia artificial, dos sistemas de pagamento, das plataformas de comunica\u00e7\u00e3o, dos mapas, das identidades digitais e dos fluxos de dados.<\/p>\n<p>Mas essa mudan\u00e7a n\u00e3o transforma apenas a economia. Ela exige uma profunda reinven\u00e7\u00e3o do Estado constru\u00eddo durante a era industrial e organizado segundo a l\u00f3gica da f\u00e1brica. A estrutura estatal moderna tornou-se fragmentada, dividida em minist\u00e9rios, secretarias e \u00f3rg\u00e3os especializados, cada qual respons\u00e1vel por um setor espec\u00edfico da realidade. A sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, transporte, seguran\u00e7a, habita\u00e7\u00e3o, meio ambiente, trabalho e economia passaram a ser tratados separadamente, como se a vida social pudesse ser repartida em gavetas administrativas.<\/p>\n<p>Esse modelo cumpriu papel decisivo na constru\u00e7\u00e3o das sociedades modernas. Foi gra\u00e7as aos censos, \u00e0s pesquisas estat\u00edsticas, aos registros administrativos e \u00e0s institui\u00e7\u00f5es de planejamento que os governos passaram a conhecer sua popula\u00e7\u00e3o, mapear o territ\u00f3rio e formular pol\u00edticas p\u00fablicas baseadas em evid\u00eancias. O Estado industrial aprendeu a contar, classificar, medir e planejar. Essa foi uma revolu\u00e7\u00e3o civilizat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Entretanto, havia um limite nessa forma de organiza\u00e7\u00e3o. As informa\u00e7\u00f5es permaneciam dispersas entre diferentes institui\u00e7\u00f5es, dificultando uma compreens\u00e3o integrada da realidade. O Estado produzia bons diagn\u00f3sticos, mas quase sempre sobre fatos j\u00e1 consumados. Suas pol\u00edticas p\u00fablicas atuavam principalmente sobre as consequ\u00eancias dos problemas, corrigindo aquilo que j\u00e1 havia acontecido. Era um Estado planejador, por\u00e9m essencialmente reativo.<\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o digital rompe essa limita\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. Cada vez mais, torna-se poss\u00edvel integrar estat\u00edsticas oficiais, registros administrativos, informa\u00e7\u00f5es geoespaciais, imagens de sat\u00e9lite, sensores ambientais e sistemas de intelig\u00eancia artificial em uma mesma infraestrutura p\u00fablica de conhecimento. As big techs j\u00e1 avan\u00e7aram nessa dire\u00e7\u00e3o, mas pelo caminho da privatiza\u00e7\u00e3o dos dados e do esvaziamento da soberania digital das na\u00e7\u00f5es. Poucos pa\u00edses possuem hoje um projeto efetivo de soberania informacional.<\/p>\n<p>A integra\u00e7\u00e3o de m\u00faltiplas fontes de informa\u00e7\u00e3o \u00e9 estrat\u00e9gica porque permite enxergar conex\u00f5es antes invis\u00edveis entre economia, territ\u00f3rio, clima, mobilidade, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, mundo do trabalho, din\u00e2mica demogr\u00e1fica, seguran\u00e7a alimentar, transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e organiza\u00e7\u00e3o urbana. Dessa forma, o Estado pode deixar de conhecer apenas partes isoladas da realidade para compreender seus sistemas complexos de forma integrada. O desafio n\u00e3o \u00e9 apenas ter mais dados, mas transformar dados em intelig\u00eancia p\u00fablica.<\/p>\n<p>Com isso, transforma-se tamb\u00e9m a natureza das pol\u00edticas p\u00fablicas. Elas deixam de atuar apenas sobre os efeitos para antecipar tend\u00eancias, identificar vulnerabilidades, simular cen\u00e1rios e prevenir crises. O planejamento deixa de ser exerc\u00edcio peri\u00f3dico para se tornar capacidade permanente de antecipa\u00e7\u00e3o. Trata-se de pol\u00edticas p\u00fablicas de novo tipo, orientadas pela predi\u00e7\u00e3o e pela a\u00e7\u00e3o sobre as causas antes que as consequ\u00eancias se consolidem plenamente como realidade.<\/p>\n<p>3. Esse salto institucional \u00e9 decisivo. O Estado do s\u00e9culo XX esperava a fome aparecer nas estat\u00edsticas para ent\u00e3o agir. O Estado do s\u00e9culo XXI deve antecipar onde a inseguran\u00e7a alimentar pode crescer. O Estado tradicional esperava a evas\u00e3o escolar se materializar. O Estado inteligente deve identificar previamente os territ\u00f3rios, fam\u00edlias e condi\u00e7\u00f5es que elevam esse risco. O Estado reativo contava v\u00edtimas depois da trag\u00e9dia clim\u00e1tica. O Estado preditivo precisa mapear riscos, prevenir desastres e proteger vidas antes que a cat\u00e1strofe se imponha.<\/p>\n<p>Essa talvez seja a maior inova\u00e7\u00e3o institucional desde a constru\u00e7\u00e3o do Estado de bem-estar social no s\u00e9culo XX. N\u00e3o se trata de substituir governantes por algoritmos, nem de delegar decis\u00f5es \u00e0 intelig\u00eancia artificial. Ao contr\u00e1rio: quanto maior o poder da tecnologia, maior deve ser o controle democr\u00e1tico sobre ela. O problema n\u00e3o est\u00e1 na intelig\u00eancia artificial em si, mas em quem a controla, com quais interesses, com quais crit\u00e9rios, com qual transpar\u00eancia e a servi\u00e7o de qual projeto de sociedade.<\/p>\n<p>A intelig\u00eancia artificial precisa permanecer subordinada ao interesse p\u00fablico. Os dados produzidos pela sociedade devem constituir patrim\u00f4nio coletivo, e n\u00e3o mat\u00e9ria-prima exclusiva das plataformas digitais globais. \u00c9 exatamente nesse ponto que se encontra uma das grandes disputas geopol\u00edticas do nosso tempo. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas tecnol\u00f3gica. \u00c9 pol\u00edtica, econ\u00f4mica, democr\u00e1tica e civilizat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Pela primeira vez na hist\u00f3ria, poucas e grandes empresas privadas caminham para possuir mais conhecimento sobre uma na\u00e7\u00e3o do que o pr\u00f3prio Estado nacional. Conhecem h\u00e1bitos de consumo, padr\u00f5es de mobilidade, redes sociais, prefer\u00eancias culturais, tend\u00eancias econ\u00f4micas e din\u00e2micas territoriais em escala jamais imaginada. Se essa capacidade permanecer concentrada nas grandes corpora\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, os governos tender\u00e3o a perder autonomia justamente naquilo que define sua raz\u00e3o de existir, como o conhecer da sociedade para govern\u00e1-la, transformando-a.<\/p>\n<p>N\u00e3o haver\u00e1 soberania nacional quando o conhecimento mais profundo sobre o pa\u00eds estiver armazenado em servidores privados localizados fora de seu territ\u00f3rio. N\u00e3o haver\u00e1 democracia robusta quando a esfera p\u00fablica for mediada por algoritmos opacos, desenhados por interesses comerciais estrangeiros. N\u00e3o haver\u00e1 planejamento nacional quando os dados estrat\u00e9gicos da popula\u00e7\u00e3o, da economia e do territ\u00f3rio estiverem submetidos \u00e0 l\u00f3gica de plataformas globais que respondem a acionistas, e n\u00e3o \u00e0 cidadania.<\/p>\n<p>Por isso, a grande disputa estrat\u00e9gica deste in\u00edcio do s\u00e9culo XXI n\u00e3o seguira sendo apenas por petr\u00f3leo, minerais cr\u00edticos, energia ou rotas comerciais. Ser\u00e1, cada vez mais, pelo dom\u00ednio das infraestruturas do conhecimento. A independ\u00eancia nacional passa a incluir, necessariamente, a independ\u00eancia digital. A soberania, antes associada ao territ\u00f3rio, \u00e0 moeda, \u00e0s For\u00e7as Armadas, \u00e0 ind\u00fastria e \u00e0 energia, passa a depender tamb\u00e9m da capacidade de produzir, proteger e governar dados.<\/p>\n<p>4. O Brasil possui condi\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias para liderar esse processo. Disp\u00f5e de uma das mais respeitadas institui\u00e7\u00f5es estat\u00edsticas e geocient\u00edficas do mundo, com capacidade cient\u00edfica reconhecida, universidades p\u00fablicas relevantes, centros de pesquisa, experi\u00eancia hist\u00f3rica em pol\u00edticas sociais de grande escala e um patrim\u00f4nio territorial, ambiental e social cuja complexidade exige crescente e massiva intelig\u00eancia de Estado.<\/p>\n<p>Mas potencial n\u00e3o \u00e9 destino. O Brasil pode transformar essa base em projeto nacional ou assistir passivamente \u00e0 coloniza\u00e7\u00e3o digital de sua economia, de sua sociedade e de seu Estado. Pode construir uma intelig\u00eancia p\u00fablica soberana ou terceirizar seu futuro \u00e0s plataformas privadas. Pode usar dados para aprofundar a democracia, reduzir desigualdades e planejar o desenvolvimento, ou permitir que os dados de seu povo sejam convertidos em renda privada, vigil\u00e2ncia comercial e depend\u00eancia tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>O desafio consiste em dar um novo passo hist\u00f3rico. Assim como o pa\u00eds construiu empresas estrat\u00e9gicas, universidades, institutos de pesquisa, bancos p\u00fablicos, infraestrutura produtiva e um moderno sistema estat\u00edstico durante a industrializa\u00e7\u00e3o, precisa agora construir uma infraestrutura p\u00fablica superior, com a integrada de dados, intelig\u00eancia artificial soberana, computa\u00e7\u00e3o de alto desempenho e governan\u00e7a democr\u00e1tica da informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o basta digitalizar servi\u00e7os p\u00fablicos. Digitalizar a burocracia antiga \u00e9 insuficiente. \u00c9 preciso reinventar uma nova arquitetura do Estado. A Revolu\u00e7\u00e3o industrial produziu o Estado planejador, a transforma\u00e7\u00e3o digital requer o Estado inteligente. Um Estado capaz de integrar suas bases de conhecimento, articular estat\u00edsticas, geoci\u00eancias e registros administrativos, proteger seu patrim\u00f4nio informacional e produzir pol\u00edticas p\u00fablicas preditivas, capazes de antecipar problemas antes que eles se transformem em crises.<\/p>\n<p>Esse Estado inteligente n\u00e3o pode ser confundido com tecnocracia autorit\u00e1ria. Ao contr\u00e1rio, deve ser mais democr\u00e1tico, mais transparente, mais controlado socialmente e mais comprometido com direitos. O uso p\u00fablico de dados precisa estar submetido a regras claras, prote\u00e7\u00e3o da privacidade, seguran\u00e7a institucional, participa\u00e7\u00e3o social e finalidade p\u00fablica. A intelig\u00eancia de Estado deve servir \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o coletiva, n\u00e3o \u00e0 vigil\u00e2ncia dos cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>Essa n\u00e3o \u00e9 apenas uma agenda tecnol\u00f3gica. \u00c9 um novo projeto nacional de desenvolvimento. No s\u00e9culo passado, governar poderia significar planejar. Neste come\u00e7o de s\u00e9culo, governar significa tamb\u00e9m antecipar. Porque soberania continua sendo conhecer. Mas, na era dos algoritmos, conhecer j\u00e1 n\u00e3o basta. \u00c9 preciso integrar para antecipar, antecipar para decidir e decidir para construir um futuro em que a intelig\u00eancia p\u00fablica permane\u00e7a a servi\u00e7o da democracia, do desenvolvimento e da na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o decisiva \u00e9 saber se o Brasil aceitar\u00e1 ser apenas fornecedor de dados brutos, consumidor de plataformas estrangeiras e territ\u00f3rio passivo da economia digital global, ou se ser\u00e1 capaz de construir sua pr\u00f3pria intelig\u00eancia p\u00fablica soberana. A escolha \u00e9 hist\u00f3rica. Assim como houve pa\u00edses que lideraram a Revolu\u00e7\u00e3o industrial e pa\u00edses que foram subordinados por ela, haver\u00e1 pa\u00edses que comandar\u00e3o a revolu\u00e7\u00e3o digital e pa\u00edses que ser\u00e3o comandados por seus algoritmos.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a revolu\u00e7\u00e3o silenciosa que definir\u00e1 quais na\u00e7\u00f5es ser\u00e3o protagonistas e quais permanecer\u00e3o dependentes na nova economia do conhecimento. O Brasil ainda tem a oportunidade de escolher de que lado da hist\u00f3ria deseja estar. Mas essa escolha exige coragem. Exige Estado. Exige projeto nacional. Exige compreender que, no s\u00e9culo XXI, a soberania n\u00e3o ser\u00e1 defendida apenas nas fronteiras f\u00edsicas, mas tamb\u00e9m nas fronteiras invis\u00edveis dos dados, dos algoritmos e da intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n<p><em>*Marcio Pochmann, professor titular de economia na Unicamp, \u00e9 o atual presidente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Marcio Pochmann* Pela primeira vez na hist\u00f3ria, poucas e grandes empresas privadas caminham para possuir mais conhecimento sobre uma na\u00e7\u00e3o do que o pr\u00f3prio Estado nacional. 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