{"id":48626,"date":"2026-09-22T14:31:13","date_gmt":"2026-09-22T17:31:13","guid":{"rendered":"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/?p=48626"},"modified":"2026-09-22T14:31:13","modified_gmt":"2026-09-22T17:31:13","slug":"o-rentismo-esta-sangrando-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/o-rentismo-esta-sangrando-o-brasil\/","title":{"rendered":"O rentismo est\u00e1 sangrando o Brasil"},"content":{"rendered":"<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-48626-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/O-rentismo-esta-sangrando-o-Brasil.mp3?_=1\" \/><source type=\"audio\/ogg\" src=\"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/O-rentismo-esta-sangrando-o-Brasil.ogg?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/O-rentismo-esta-sangrando-o-Brasil.mp3\">https:\/\/aepetba.org.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/O-rentismo-esta-sangrando-o-Brasil.mp3<\/a><\/audio>\n<blockquote><p><em>Especialista da Auditoria Cidad\u00e3 da D\u00edvida relaciona crescimento do endividamento \u00e0 transfer\u00eancia de recursos para os bancos e alerta para os impactos sobre os servi\u00e7os e investimentos p\u00fablicos.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<h2>D\u00edvida p\u00fablica \u00e9 a \u201ccorrup\u00e7\u00e3o no atacado\u201d, afirma Paulo Lindesay<\/h2>\n<p>A corrup\u00e7\u00e3o que ocupa diariamente o notici\u00e1rio brasileiro movimenta cifras expressivas, mas estaria longe de representar o principal mecanismo de transfer\u00eancia de recursos p\u00fablicos para interesses privados no pa\u00eds. Para Paulo Lindesay, integrante da Auditoria Cidad\u00e3 da D\u00edvida no Rio de Janeiro e t\u00e9cnico do IBGE, \u00e9 preciso olhar para outro lugar: o sistema da d\u00edvida p\u00fablica.<\/p>\n<p>Em entrevista ao programa Trabalhadores do Brasil, que foi ao ar no dia 20\/08, apresentado por Andr\u00e9 Lob\u00e3o e pelo professor Jo\u00e3o Amado no Canal A Voz Trabalhadora, Lindesay sustentou que o debate sobre corrup\u00e7\u00e3o normalmente se concentra naquilo que classifica como \u201ccorrup\u00e7\u00e3o no varejo\u201d, enquanto o mecanismo de transfer\u00eancia de recursos associado \u00e0 d\u00edvida p\u00fablica opera em escala muito maior.<\/p>\n<p>\u201cEstamos sendo enganados at\u00e9 mesmo na corrup\u00e7\u00e3o, porque a corrup\u00e7\u00e3o que n\u00f3s estamos vendo na televis\u00e3o, na m\u00eddia, \u00e9 a corrup\u00e7\u00e3o do varejo\u201d, afirmou. Para Lindesay, casos envolvendo institui\u00e7\u00f5es financeiras e emendas parlamentares podem representar graves problemas, mas n\u00e3o alcan\u00e7am a dimens\u00e3o dos recursos mobilizados pelo servi\u00e7o da d\u00edvida.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o feita pelo entrevistado \u00e9 provocadora: enquanto a sociedade acompanha esc\u00e2ndalos envolvendo milh\u00f5es ou bilh\u00f5es de reais, como o caso do Banco Master, que provocou um rombo de mais de R$ 57 bilh\u00f5es o pagamento relacionado \u00e0 d\u00edvida movimenta valores dessa magnitude de forma permanente. Na entrevista, Lindesay estimou em cerca de R$ 5,1 bilh\u00f5es por dia o montante correspondente aos valores que citou para o servi\u00e7o da d\u00edvida no ano anterior.<\/p>\n<p>Segundo o t\u00e9cnico do IBGE, o Brasil em 2025 desembolsou cerca de R$1,007 trilh\u00e3o, somente no pagamento de juros, e nos seis primeiros meses de 2026 esses pagamentos totalizaram R$ 669 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cAs emendas parlamentares representam a corrup\u00e7\u00e3o no varejo. S\u00e3o migalhas para o grande capital, servindo para ado\u00e7ar a boca de seus servi\u00e7ais\u201d, afirma. Para o ano de 2026, conforme a Lei Or\u00e7ament\u00e1ria, as emendas parlamentares somam um montante de R$61 bilh\u00f5es. At\u00e9 a metade do ano de 2026, o governo federal j\u00e1 havia pago cerca de R$33,89 bilh\u00f5es em emendas para cumprir o cronograma exigido pela legisla\u00e7\u00e3o eleitoral.<\/p>\n<p>\u00c9 a partir dessa diferen\u00e7a de escala que emerge a ideia que atravessou a conversa: se os esc\u00e2ndalos normalmente conhecidos pela popula\u00e7\u00e3o representam a corrup\u00e7\u00e3o no varejo, a d\u00edvida p\u00fablica funcionaria, na avalia\u00e7\u00e3o de Lindesay, como uma esp\u00e9cie de \u201ccorrup\u00e7\u00e3o no atacado\u201d.<\/p>\n<h2><strong>\u00c9 poss\u00edvel uma d\u00edvida p\u00fablica \u201csadia\u201d?<\/strong><\/h2>\n<p>O argumento de Lindesay n\u00e3o \u00e9 de que toda d\u00edvida p\u00fablica seja necessariamente prejudicial. Pelo contr\u00e1rio. Ele considera leg\u00edtimo que o Estado se endivide quando os recursos s\u00e3o utilizados para ampliar a infraestrutura econ\u00f4mica e social do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cSe voc\u00ea tiver uma d\u00edvida onde voc\u00ea vai criar a estrutura do pa\u00eds, criar escola, criar saneamento b\u00e1sico, criar toda a estrutura de Estado e de servi\u00e7o p\u00fablico, isso \u00e9 uma d\u00edvida sadia\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Segundo ele, o problema est\u00e1 na finalidade assumida pelo endividamento brasileiro. Em sua avalia\u00e7\u00e3o, uma ferramenta que deveria financiar o desenvolvimento teria sido transformada em mecanismo de remunera\u00e7\u00e3o do sistema financeiro e das grandes corpora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Essa transforma\u00e7\u00e3o teria consequ\u00eancias diretas sobre as prioridades nacionais. Lindesay citou dados utilizados pela Auditoria Cidad\u00e3 da D\u00edvida segundo os quais uma parcela expressiva do or\u00e7amento federal est\u00e1 relacionada ao servi\u00e7o da d\u00edvida, enquanto diversas fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas disputam uma fra\u00e7\u00e3o muito menor dos recursos dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>A disputa pelo or\u00e7amento \u00e9, portanto, o ponto fundamental de sua cr\u00edtica.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do entrevistado, a necessidade de assegurar recursos para a d\u00edvida condiciona as demais decis\u00f5es do Estado: quanto maior a prioridade concedida ao sistema financeiro, maior a press\u00e3o para reduzir despesas com servidores, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, pesquisa, saneamento e outras pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Essa rela\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m estaria, segundo Lindesay, por tr\u00e1s das sucessivas reformas administrativas e fiscais. Para ele, o objetivo central dessas mudan\u00e7as n\u00e3o seria simplesmente tornar o Estado mais eficiente, mas reduzir despesas obrigat\u00f3rias.<\/p>\n<p>\u201cSe eles gastam menos com servi\u00e7os p\u00fablicos, com servidores p\u00fablicos, acontece que vai sobrar mais dinheiro para d\u00edvida\u201d, afirmou. Lindesay relacionou essa l\u00f3gica tanto \u00e0s mudan\u00e7as administrativas quanto \u00e0s regras fiscais que estabelecem limites para o crescimento das despesas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Um Estado tomado pelo neoliberalismo que corta custos nas pol\u00edticas p\u00fablicas<\/p>\n<p>Na interpreta\u00e7\u00e3o apresentada durante o programa, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, pesquisa cient\u00edfica, produ\u00e7\u00e3o de estat\u00edsticas, saneamento e outras fun\u00e7\u00f5es essenciais passam a ser submetidas permanentemente \u00e0 necessidade de ajuste fiscal, enquanto os compromissos financeiros recebem tratamento diferenciado.<\/p>\n<p>Esse processo ajuda a compreender, segundo Lindesay, por que a discuss\u00e3o sobre d\u00edvida p\u00fablica n\u00e3o pode ficar restrita a indicadores econ\u00f4micos. Ela chega ao cotidiano da popula\u00e7\u00e3o por meio da redu\u00e7\u00e3o da capacidade estatal de prestar servi\u00e7os.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria apresenta\u00e7\u00e3o do programa chamou aten\u00e7\u00e3o para essa rela\u00e7\u00e3o ao mencionar os efeitos das restri\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias sobre institui\u00e7\u00f5es como universidades p\u00fablicas, Fiocruz e IBGE.<\/p>\n<p>Lindesay v\u00ea ainda uma liga\u00e7\u00e3o direta entre essa pol\u00edtica e a reforma administrativa. Servidor do IBGE h\u00e1 mais de quatro d\u00e9cadas, ele recuperou a experi\u00eancia do servi\u00e7o p\u00fablico anterior \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 para advertir sobre o risco de expans\u00e3o de v\u00ednculos tempor\u00e1rios e celetistas em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0s carreiras p\u00fablicas estruturadas. Para ele, reduzir despesas permanentes com servidores integra a mesma l\u00f3gica de libera\u00e7\u00e3o de recursos para outras prioridades fiscais.<\/p>\n<h2><strong>O poder do rentismo<\/strong><\/h2>\n<p>A cr\u00edtica de Lindesay vai al\u00e9m do tamanho da d\u00edvida. Para ele, o sistema de endividamento tornou-se um instrumento de poder econ\u00f4mico capaz de condicionar governos.<\/p>\n<p>Durante a entrevista, ele descreveu esse processo como uma \u201ccaptura do or\u00e7amento\u201d e ressaltou que sua cr\u00edtica n\u00e3o se restringe a uma administra\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. Segundo Lindesay, governos de diferentes orienta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas mantiveram mecanismos que privilegiam a d\u00edvida e o capital financeiro.<\/p>\n<p>O entrevistado tamb\u00e9m questionou mecanismos utilizados pelo Banco Central, como as opera\u00e7\u00f5es compromissadas. Na interpreta\u00e7\u00e3o de Lindesay, instrumentos apresentados como mecanismos de pol\u00edtica monet\u00e1ria acabam funcionando como formas adicionais de remunera\u00e7\u00e3o do capital financeiro. Ele estendeu a cr\u00edtica aos dep\u00f3sitos volunt\u00e1rios remunerados e a outras opera\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse ponto que a express\u00e3o \u201ccorrup\u00e7\u00e3o no atacado\u201d ganha seu sentido pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Lindesay n\u00e3o utiliza o conceito apenas para denunciar eventuais ilegalidades individuais. Sua cr\u00edtica \u00e9 dirigida \u00e0 pr\u00f3pria arquitetura institucional que, segundo ele, permite transfer\u00eancias gigantescas de recursos p\u00fablicos para o setor financeiro dentro de mecanismos previstos pela legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O resultado seria uma esp\u00e9cie de c\u00edrculo vicioso: o Estado se endivida, parcela crescente de seus recursos \u00e9 comprometida com a d\u00edvida e novas medidas de austeridade s\u00e3o justificadas pela necessidade de garantir sua sustentabilidade.<\/p>\n<h2><strong>Estados tamb\u00e9m entram na engrenagem<\/strong><\/h2>\n<p>A entrevista tamb\u00e9m abordou os efeitos do endividamento sobre os estados.<\/p>\n<p>Lindesay dedicou especial aten\u00e7\u00e3o ao Rio de Janeiro, argumentando que sucessivos processos de refinanciamento e recupera\u00e7\u00e3o fiscal produziram um crescimento expressivo das obriga\u00e7\u00f5es estaduais, acompanhado de condicionantes envolvendo patrim\u00f4nio p\u00fablico, gastos e pol\u00edticas de pessoal.<\/p>\n<p>Ao falar sobre o Regime de Recupera\u00e7\u00e3o Fiscal, ele afirmou que valores originalmente muito menores cresceram significativamente ao longo dos anos e relacionou esse processo \u00e0s restri\u00e7\u00f5es enfrentadas pelos servi\u00e7os p\u00fablicos estaduais.<\/p>\n<p>Para Lindesay, portanto, o mecanismo se reproduz em diferentes n\u00edveis da Federa\u00e7\u00e3o. Uni\u00e3o, estados e munic\u00edpios passam a organizar suas pol\u00edticas fiscais em torno do pagamento de obriga\u00e7\u00f5es financeiras, diminuindo a margem para investimentos e pol\u00edticas sociais.<\/p>\n<h2><strong>\u201cA d\u00edvida p\u00fablica \u00e9 o centro de tudo\u201d<\/strong><\/h2>\n<p>J\u00e1 no fim da entrevista, Lindesay foi questionado sobre qual seria, em sua avalia\u00e7\u00e3o, o principal problema estrutural brasileiro. A resposta voltou ao ponto central da conversa.<\/p>\n<p>\u201cA d\u00edvida p\u00fablica \u00e9 exatamente o centro de tudo que est\u00e1 acontecendo\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Segundo ele, a necessidade de assegurar o pagamento aos detentores dos t\u00edtulos restringe a possibilidade de expans\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos e subordina governos \u00e0s exig\u00eancias do sistema financeiro.<\/p>\n<p>Para ilustrar sua tese, Lindesay recorreu \u00e0 figura do agiota: assim como o credor toma os bens daquele que n\u00e3o consegue honrar uma d\u00edvida, o endividamento dos pa\u00edses poderia abrir caminho para a apropria\u00e7\u00e3o de patrim\u00f4nio e riquezas estrat\u00e9gicas. \u201cEu vou levar seu petr\u00f3leo, eu vou levar sua terra rara, eu vou levar todas as riquezas que voc\u00ea tem no teu territ\u00f3rio\u201d, comparou.<\/p>\n<p>A d\u00edvida, nesse sentido, n\u00e3o seria apenas um problema cont\u00e1bil. Na interpreta\u00e7\u00e3o de Lindesay, ela se transforma em mecanismo de disputa pela riqueza nacional e pela pr\u00f3pria capacidade do Estado de definir suas prioridades.<\/p>\n<h2><strong>Auditoria como ponto de partida<\/strong><\/h2>\n<p>Para enfrentar o problema, Lindesay defende a realiza\u00e7\u00e3o de uma auditoria da d\u00edvida p\u00fablica.<\/p>\n<p>Durante o programa, ele lembrou a previs\u00e3o existente no artigo 26 do Ato das Disposi\u00e7\u00f5es Constitucionais Transit\u00f3rias (ADCT) da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, que determinou a realiza\u00e7\u00e3o de exame anal\u00edtico e pericial dos atos e fatos geradores do endividamento externo brasileiro por uma comiss\u00e3o mista do Congresso Nacional.<\/p>\n<p>A proposta defendida pela Auditoria Cidad\u00e3 \u00e9 investigar a origem das obriga\u00e7\u00f5es, identificar quem s\u00e3o seus benefici\u00e1rios, verificar a legalidade dos mecanismos utilizados e distinguir aquilo que efetivamente corresponde a financiamento p\u00fablico das parcelas que resultam de juros, refinanciamentos e outros mecanismos financeiros.<\/p>\n<p>Lindesay reconhece, entretanto, que colocar essa discuss\u00e3o no centro da agenda pol\u00edtica significa enfrentar interesses poderosos.<\/p>\n<p>\u201cPara voc\u00ea falar de auditoria da d\u00edvida, voc\u00ea tem que enfrentar o grande capital\u201d, resumiu.<\/p>\n<p>Essa talvez seja a principal conclus\u00e3o da entrevista exibida pelo Trabalhadores do Brasil: discutir a d\u00edvida p\u00fablica significa discutir quem se apropria dos recursos arrecadados pelo Estado e quem suporta o custo das escolhas feitas no or\u00e7amento.<\/p>\n<p>Para Lindesay, enquanto milh\u00f5es de brasileiros acompanham diariamente den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o e desvios de dinheiro p\u00fablico, uma transfer\u00eancia de riqueza muito maior permanece distante do debate cotidiano.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que ele desloca a discuss\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o do \u201cvarejo\u201d para o \u201catacado\u201d. Em sua interpreta\u00e7\u00e3o, o verdadeiro esc\u00e2ndalo n\u00e3o estaria apenas nos recursos desviados ilegalmente, mas em um sistema econ\u00f4mico e fiscal que transforma o or\u00e7amento p\u00fablico em instrumento de remunera\u00e7\u00e3o do capital financeiro \u2014 enquanto faltam recursos para financiar plenamente os direitos e os servi\u00e7os que justificam a pr\u00f3pria exist\u00eancia do Estado.<\/p>\n<p>Fonte: Substack &#8211; Andre Lobao<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialista da Auditoria Cidad\u00e3 da D\u00edvida relaciona crescimento do endividamento \u00e0 transfer\u00eancia de recursos para os bancos e alerta para os impactos sobre os servi\u00e7os e investimentos p\u00fablicos. 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