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Com os resultados da pesquisa do economista Eric Gil Dantas, divulgados no artigo ‘50 dias sem PPI: o que mudou?’, a AEPET-BA analisa os preços da Acelen desde o fim do PPI.

Neste mês, no dia 06 de julho, a nova política de preços da Petrobrás, que substitui o Preço de Paridade de Importação (PPI), completou 50 dias. O economista do Ibeps, Eric Gil Dantas, divulgou um estudo, comparando o preço da Petrobrás de gasolina, diesel e GLP com duas referências de PPI. A primeira é a da ANP, que é uma média semanal publicada toda terça-feira referente à semana anterior. A segunda é a da ABICOM, que publica a defasagem diária de segunda a sexta-feira para gasolina e diesel. Comparando com estes dois dados poderemos tirar alguma conclusão se o PPI ainda é a referência da Petrobras para precificar seus produtos.

Leia o artigo ‘50 dias sem PPI: o que mudou?’ na íntegra.

 

A AEPET-BA, a partir das informações e dos resultados do economista Eric Gil, realizou uma análise dos preços praticados pela Acelen, administradora privada da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), desde o fim do PPI, utilizando a primeira referência da ANP.

 

Preço da Gasolina: PPI X Petrobrás X Acelen

A primeira comparação é dos preços da gasolina, destacando o período de 15 de maio a 30 de junho. O economista concluiu que “desde o fim do PPI tivemos o preço da gasolina da Petrobrás sistematicamente abaixo desta referência. Enquanto a média do PPI da gasolina para este período foi de R$ 2,82, a Petrobrás cobrou um preço médio de R$ 2,73, ou seja, 9 centavos mais barato.”

Logo após o anúncio de que não seguiria a nova política da Petrobrás, no dia 18 de maio, a Acelen comunicou uma queda nos preços da gasolina vendida pela refinaria de Mataripe que passou de R$ 2,78 para R$ 2,64. No dia 25 de maio, o combustível sofreu reajuste de 5%, passando a custar R$2,77.

O último reajuste, dentro do período destacado, aconteceu em 1º de junho, aumentou a gasolina em 8,4%, fixando o valor em R$ 3,00. Assim, o preço médio cobrado pela Acelen foi de R$ 2,80, sendo 7 centavos mais caro que a Petrobrás.

A Tabela 1 mostra que desde o fim do PPI tivemos o preço da gasolina da Petrobrás sistematicamente abaixo desta referência. Enquanto a média do PPI da gasolina para este período foi de R$ 2,82, a Petrobras cobrou um preço médio de R$ 2,73, ou seja, 9 centavos mais barata.

Preço do Diesel: PPI X Petrobrás X Acelen

Para o diesel S-10, Eric Gil observou que “após a mudança na política de preços os valores cobrados pela Petrobrás passaram a ficar sistematicamente abaixo do PPI, com uma média de 18 centavos abaixo desta referência no período pós-PPI. Enquanto a média do PPI do diesel foi de R$ 3,20, a Petrobrás cobrou um preço médio de R$ 3,02” 

No período, a Acelen reajustou o preço do diesel na refinaria de R$ 3,11 o litro, para R$ 3,08. Dias depois, o combustível foi reajustado em 2%, passando a custar R$ 3,14. O último reajuste, dentro do período destacado, aconteceu em 1º de junho, aumentou o diesel em 7,3%, fixando o valor em R$ 3,36. Assim, o preço médio cobrado pela Acelen foi de R$3,19, sendo 17 centavos mais caro que a Petrobrás.

 

Veja a tabela 2.

Preço do GLP: PPI X Petrobrás X Acelen

Para o GLP os resultados encontrados pelo economista foram diferentes. A Petrobrás vendeu GLP em média R$ 4,54 acima do PPI. “Há anos a Petrobras vem cobrando pelo GLP preços acima do PPI, o que não era necessariamente verdade, mesmo sob o governo Bolsonaro, para a gasolina e o diesel”, analisou Eric Gil. Enquanto a média do PPI do GLP foi de R$ 28,60, a Petrobrás cobrou um preço médio de R$ 33,47.

Em maio deste ano, a Acelen anunciou redução do quilo do gás de R$ 3,69 para R$ 3,60, deixando o botijão de 13kg no preço de R$ 46,80 na refinaria. Dentro do período de análise, a administradora não realizou novos reajustes.

Veja a tabela 3

Atuação da Acelen pós PPI

Eric Gil concluiu que “desde o fim do PPI, no dia 17 de maio, a Petrobrás cobra preços sistematicamente abaixo da paridade de importação para a gasolina e o diesel. Mas para o GLP isto não ocorre”. 

 

Para a análise da atuação da administradora privada da antiga Refinaria Landulpho Alves (RLAM), podemos concluir que a Acelen pratica preços médios acima dos valores da Petrobrás, indo de encontro à declaração da empresa de que comercializa os combustíveis em valores mais baixos do que os da estatal. 

Inclusive, na quinta-feira, 13 de julho, a Acelen praticou um novo aumento no preço da gasolina em Salvador. O reajuste na gasolina foi R$ 0,07 por litro, o equivalente a 2,7%.

Com a mudança, a gasolina comum pode ser encontrada por até R$ 6,28 em postos na capital esta sexta-feira (14), segundo a plataforma ‘Preço da Hora’, gerida pelo governo do Estado. Até a quarta-feira (12), um levantamento feito pela TV Bahia indicou que o preço máximo era R$ 5,64, o que representa uma diferença de R$ 0,64, ou 11,3%.

No reajuste do diesel foi R$ 0,03 por litro — 0,9% no diesel S10 e 1% no diesel S500

Segundo a empresa, “os preços dos produtos seguem critérios de mercado que levam em consideração variáveis como custo do petróleo, que é comprado a preços internacionais, dólar e frete, o que pode variar para mais ou menos”.


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