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O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, será marcado em Salvador por mobilização social e denúncias contra a violência de gênero. Organizações feministas, sindicatos e movimentos sociais realizam o ato “Mulheres vivas, em luta e sem medo: Por Democracia com soberania, pelo Bem Viver, fim do feminicídio e da escala 6×1”.

Em Salvador, a concentração será às 9h, no Cristo da Barra, e caminhada até o Farol da Barra.

Organizado pelo Movimento 8M Bahia, o ato pretende transformar a data — tradicionalmente associada a homenagens — em um momento de reflexão e luta diante do aumento da violência contra mulheres no estado. O protesto denuncia a escalada do feminicídio e cobra políticas públicas eficazes de prevenção, proteção e acolhimento às vítimas.

Bahia entre os estados com mais feminicídios

Os dados que motivam a mobilização são preocupantes. Em 2025, 103 mulheres foram assassinadas na Bahia, colocando o estado na quarta posição no ranking nacional de feminicídios, segundo o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça.

As estatísticas revelam também um recorte racial e social marcante: mais de 80% das vítimas são mulheres negras, jovens e trabalhadoras.

De acordo com levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), que analisou 5.729 casos de feminicídio registrados no Brasil entre 2021 e 2024, 62,6% das vítimas eram mulheres negras, enquanto 36,8% eram brancas. Mulheres indígenas e amarelas representaram 0,3% cada.

Para a diretora executiva do FBSP, Samira Bueno, os dados mostram que a violência de gênero no país está profundamente ligada às desigualdades estruturais.

Outro dado alarmante do levantamento é o local onde ocorrem os assassinatos. 66,3% dos feminicídios acontecem dentro da própria residência da vítima, demonstrando que a violência doméstica continua sendo um dos principais fatores de risco.

O perfil das vítimas também revela impacto social profundo: metade das mulheres assassinadas tinha entre 30 e 49 anos, faixa etária considerada economicamente ativa e muitas vezes responsável pelo sustento da família e pelo cuidado de filhos.

Mobilização do 8M denuncia violência

Diante desse cenário, o Movimento 8M Bahia afirma que o ato do dia 8 de março é uma forma de denunciar a naturalização da violência contra as mulheres e exigir respostas efetivas do poder público.

Segundo a coordenação do movimento, o feminicídio representa o ponto extremo de um sistema de desigualdades que inclui desde a falta de creches e serviços de acolhimento até a ausência de políticas estruturadas de proteção às mulheres.

Além do combate à violência, a mobilização também traz para o debate temas ligados às condições de vida e trabalho das mulheres, como a defesa da redução da jornada laboral e o fim da escala 6×1, proposta discutida atualmente no país.

Democracia e direito à vida

Para as organizações que integram o movimento, não há democracia plena enquanto mulheres continuarem sendo silenciadas pelo medo ou pela violência. A mobilização do 8 de março, portanto, busca reafirmar o direito das mulheres à vida, à segurança e à igualdade.

Em um país marcado por profundas desigualdades sociais e raciais, o enfrentamento ao feminicídio passa necessariamente pela ampliação das políticas públicas, pela proteção efetiva às vítimas e pelo compromisso da sociedade com a defesa dos direitos humanos.

 


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