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Em 21 de janeiro de 1939, o bairro do Lobato, em Salvador, entrou definitivamente para a história do Brasil. Há 87 anos, o petróleo jorrou pela primeira vez do subsolo brasileiro, inaugurando uma nova etapa do desenvolvimento econômico, industrial e tecnológico nacional. O Poço Lobato não foi apenas uma descoberta geológica: foi o ponto de partida de uma longa luta pela soberania energética e pelo controle nacional de um recurso estratégico.

A confirmação da existência de petróleo em Lobato desafiou interesses estrangeiros, ceticismos técnicos e resistências políticas. Ainda em meados da década de 1930, quando a presença de petróleo era tratada como mera especulação, o engenheiro geógrafo Manoel Ignácio Bastos e Oscar Cordeiro insistiram em defender a viabilidade da jazida.

Cordeiro chegou a denunciar tentativas de sabotagem atribuídas a interesses externos, enquanto setores da elite técnica negavam categoricamente a existência do “ouro negro” em solo baiano. Apesar das adversidades, em janeiro de 1939, os técnicos responsáveis pelas perfurações anunciaram a descoberta que “encheu de júbilo todos os brasileiros”, como registrou a imprensa da época.

A notícia se espalhou rapidamente, transformando o local da perfuração em ponto de romaria popular. Lobato, bairro periférico de Salvador, tornou-se símbolo de esperança e orgulho nacional. Embora o poço não tenha se mostrado comercialmente viável, seu impacto foi decisivo: provou que havia petróleo no Brasil e abriu caminho para a consolidação da indústria petrolífera nacional. A partir dali, novas descobertas no Recôncavo Baiano e em outras regiões do país confirmaram o potencial energético brasileiro.

Entre essas descobertas está o Poço Candeias 1, identificado em 1941 como o primeiro poço comercial do Brasil. Hoje, privatizado no contexto do desmonte do Sistema Petrobrás, Candeias 1 simboliza uma contradição histórica: um ativo estratégico nascido do esforço nacionalista e que atualmente é alvo da luta da categoria petroleira por sua reestatização. Campos como Dom João, Água Grande, além das bacias de Campos e de Santos, são frutos diretos da semente plantada em Lobato.

A trajetória iniciada em 1939 impulsionou o movimento “O Petróleo é Nosso”, que mobilizou amplos setores da sociedade brasileira contra a entrega das riquezas nacionais. Essa luta resultou, em 1953, na criação da Petrobrás, empresa pública responsável por estruturar a exploração, a produção e o desenvolvimento tecnológico do setor, garantindo por décadas o monopólio estatal do petróleo.

Com a descoberta do pré-sal, em 2006, o Brasil consolidou-se como uma das maiores potências petrolíferas do mundo. A Petrobrás tornou-se referência internacional pela eficiência operacional, pela alta produtividade e pela menor emissão de CO₂ por barril produzido, quando comparada à média global. Atualmente, o país produz cerca de 2,99 milhões de barris de óleo equivalente por dia, representando um aumento de 11% em relação à produção de 2024. Isso reafirma o papel estratégico do petróleo na economia nacional.

Ao celebrar os 87 anos da descoberta do Poço Lobato, a AEPET-BA reafirma a importância de preservar essa memória histórica e de fortalecer a luta pela soberania energética. O petróleo brasileiro, que começou a jorrar em solo baiano, deve continuar a serviço do desenvolvimento nacional, da geração de empregos, da justiça social e da reconstrução da Petrobrás na Bahia e em todo o país. O Poço Lobato permanece como símbolo de resistência, determinação e do direito do povo brasileiro de decidir os rumos de suas riquezas naturais.

 


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