A Petrobrás divulgou na quinta-feira (03/08), os resultados para o período entre abril e junho. A Petrobrás lucrou R$ 28,782 bilhões no segundo semestre de 2023, valor acima das previsões, mas abaixo dos valores trimestrais e anuais anteriores. Em relação ao mesmo período do ano passado, o resultado atual representa uma queda de 47%, quando o lucro da petroleira foi de R$ 54,3 bilhões.
O presidente da Petrobrás, Jean Paul Prates, disse que a queda do lucro da companhia na comparação entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano não deve ser atribuída à mudança na política de preços. Segundo ele, o principal fator para a queda é a variação da cotação do barril de petróleo tipo brent, referência do mercado internacional.
O resultado apresentado tem forte relação com a queda no preço do barril do petróleo. O preço médio do petróleo tipo brent ficou em US$ 78,39 por barril entre abril e junho, queda de 31,1% em comparação com o ano anterior, quando custava US$ 113,78.
Com o fim do PPI, a Petrobrás tem vendido combustíveis abaixo da paridade de importação. Segundo dados da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), a gasolina vendida pela estatal é 20% mais barata do que a do exterior. Para o diesel, a defasagem é de 24%.
De acordo com a estatal, a queda nos resultados se deve ainda às maiores despesas tributárias, à redução nos crack spreads internacionais de diesel e às menores receitas com exportações.
Assim, a receita líquida da companhia ficou em R$ 113,840 bilhões, frente ao trimestre anterior, 18,1% menor, quando estava em R$ 139,068 bilhões. No caso da base anual, a queda foi de 33,4%, em relação à receita anterior de R$ 170,960.
Em nota, Jean Paul Prates, declarou que a companhia “apresentou uma performance financeira e operacional consistente no segundo trimestre, mantendo sua rentabilidade de maneira sustentável e com total atenção às pessoas. Vamos seguir trabalhando, focados no presente, mas também de olho no futuro.”
Ainda na quinta-feira, a Petrobrás anunciou a distribuição de remuneração aos acionistas. O valor total a ser pago é de cerca de R$ 15 bilhões, sendo R$ 1,149304 por ação ordinária e preferencial. Os dividendos serão pagos em duas parcelas nos meses de novembro e dezembro.
A distribuição de mais da metade do lucro é uma temeridade, causando necessidade de alavancagem para financiar os investimentos e aumento potencial do endividamento. Verdade que nada se compara com a distribuição de valor superior ao lucro, como aconteceu com na gestão passada, mas neste momento de reconstrução fundamental que todos os recursos possíveis sejam destinados ao investimento.
A Petrobrás precisa investir para que o Brasil atinja a autossuficiência em derivados. Retornar para a distribuição, recomprar as refinarias privatizadas, realizar investimentos em novas áreas de exploração, na transição energética e na petroquímica são passos necessários para alcançar a reconstrução. Por isso, distribuir dividendos tão alarmantes é dar o dinheiro que está no caixa, sem ser obrigado, e depois ter que contrair empréstimos a altos juros.
