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Entrando no 18º dia de uma greve de fome, Leninha Farias, demitida política da Petrobrás, persiste em sua luta pela vida e por justiça. Desde o dia 21 de novembro, a petroleira está em resistência, em frente ao Edisen, no Rio de Janeiro, reivindicando a sua reintegração e restabelecimento do seu contrato para que a Petrobrás pague o que deve a ela.

Demitida em 2009 sob alegação de abandono de emprego após afastamento por problemas de saúde relacionados ao trabalho, Leninha busca não apenas sua reintegração, mas também o custeamento de tratamentos médicos urgentes. A petroleira sofre há 14 anos pela perda de seu único emprego e agora enfrenta a batalha pela própria saúde.

Em boletins diários sobre a mobilização, Leninha compartilha sua determinação e compromisso com a categoria: “Vou sair daqui vitoriosa, vamos arrancar um ACT digno sem discriminação e opressão para aposentados, pensionistas e trabalhadores ativos.”

A militante política, que atuou na CIPA da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), destacou-se na luta por Saúde, Meio Ambiente e Segurança (SMS). No entanto, agora, desamparada pela Petrobrás, ela clama por tratamento médico para seguir adiante.

Leninha está acampada há 102 dias em frente ao EDISEN, sendo 46 entre maio/junho, incluindo 2 dias em greve de fome, e agora, no período de outubro/novembro, já são 56 dias, com 18 em greve de fome. Ela enfatiza que esta greve será mantida até que a Petrobrás resolva sua situação com decência.

A petroleira destaca que a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) tem prestado apoio à sua causa e enviou um ofício à Petrobrás, solicitando uma reunião com ela. Mesmo debilitada, Leninha demonstra firmeza em seu propósito e, atualmente, está em um Airbnb, custeado por doações, aguardando a resposta da Petrobrás.

 

Denúncia de negligência em carta

 

No início deste mês, a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) divulgou uma carta impactante, que foi encaminhada à Petrobràs, onde relata o décimo dia da greve de fome de Leninha. No comunicado, ela descreve seu estado debilitado após ingerir apenas água, isotônico e água de coco, e destaca as condições físicas precárias decorrentes de suas patologias ocupacionais.

Leninha denuncia a violência da Petrobrás em sua vida, mencionando um colapso no segundo dia da greve, com sintomas preocupantes, incluindo sudorese, formigamento, e taquicardia. A empresa teria se omitido quanto à assistência médica necessária, agravando sua situação.

A carta ressalta que Leninha está acompanhada por uma amiga 24 horas por dia e pede a informação à Petrobrás sobre a violação do protocolo internacional, a Declaração de Malta, que trata das diretrizes durante greves de fome. Ela afirma que só voltará a Salvador com reparação pelos prejuízos sofridos ou em um caixão, caso haja recurso para o traslado.

Leninha anuncia a suspensão temporária do acampamento, mas mantém a greve de fome, dando um prazo à Petrobrás para negociação. A carta encerra com um apelo por sensibilização diante da situação crítica de Leninha e sua busca por justiça após 14 anos de prejuízos causados pela Petrobrás.

 

A AEPET-BA e toda a categoria exige direito

 

A Associação dos Engenheiros da Petrobrás, núcleo Bahia (AEPET-BA), manifesta solidariedade à jornada de Leninha e destaca a importância de sua luta. A AEPET-BA ressalta que o reconhecimento da demissão política é uma questão de justiça e pede à Petrobrás que resolva a situação de Leninha, seja reintegrando-a ou anistiando-a para que ela recupere seus direitos, incluindo o plano de saúde.

A eliminação simbólica, epistêmica ou a eliminação física de uma militante em razão de suas opiniões é prática reconhecida do desgoverno derrotado nas urnas pelo povo. O direito à vida e à saúde  é condição fundamental de humanidade. As consequências de uma tragédia, se ocorrer, manchará a gestão Prates pela desumanidade de não socorrer a uma mulher, mãe e militante numa situação tão dramática, ao menos até que solução definitiva seja construída

A entidade reitera sua solidariedade às reivindicações de Leninha de Farias e pede à Petrobrás que resolva sua situação de maneira justa e humana.


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