A Petrobrás anunciou nesta quarta-feira, 10 de janeiro, que não renovará os termos atuais do acordo de licenciamento de marcas para o grupo Vibra Energia, antiga BR Distribuidora. O contrato, que teve início em 28 de junho de 2019, se encerrará em 28 de junho de 2029.
A decisão da Petrobrás levanta questionamentos sobre o futuro da marca BR Distribuidora, destacando a possibilidade de a estatal retomar sua atuação no mercado de distribuição de derivados de petróleo.
Em comunicado, a Vibra informou que a decisão da Petrobrás “não gera qualquer mudança na estratégia da companhia em relação a seus revendedores e clientes em geral” e disse que a possibilidade de não renovação do acordo após 2029 já estava em seu radar.
Importância da marca BR Distribuidora
A BR Distribuidora foi privatizada em duas etapas durante o governo Bolsonaro em 2019 e 2021, se tornando a Vibra Energia. Mesmo com a mudança de controle, a empresa manteve a marca BR em seus postos de combustíveis, continuando a representar, falsamente, um legado histórico ligado à Petrobrás.
A não renovação da licença da marca BR Distribuidora pela Petrobrás pode ter implicações significativas no mercado de distribuição de combustíveis, em especial para os consumidores que pagam mais caro sem perceber que não estão adquirindo produtos da Petrobrás.
A marca BR Distribuidora, criada há 50 anos, foi concebida como um símbolo nacionalista. Ao longo do tempo, a empresa construiu um patrimônio público significativo, controlando uma parcela expressiva do mercado de combustíveis no Brasil. A Associação dos Engenheiros da Petrobrás, núcleo Bahia (AEPET-BA) destaca que a não renovação da licença pela Petrobrás é um passo significativo que pode abrir caminho para a estatal retomar suas atividades no setor, sobretudo considerando a importância estratégica da distribuição de derivados de petróleo para a soberania nacional.
Para o presidente da AEPET-BA, Marcos André, além da não renovação da licença, é necessário punir adequadamente quem colaborou para que a empresa não seja exposta a novos aventureiros para atacar o patrimônio público, dando aparência de legal ao que causou sérios riscos econômicos e operacionais à Petrobrás.
“Não deve haver anistia para aqueles que ajudaram a destruir o patrimônio, da mesma forma que não houve para os golpistas “terroristas” que invadiram os Três Poderes no ato antidemocrático do dia 08 de janeiro de 2023. Todas as não conformidades, crimes e malfeitos devem ser apurados e todos devem ser responsabilizados conforme a participação, tantos os agentes políticos e econômicos, quanto os colaboradores internos,” defende o Marcos.
A AEPET-BA defende, ainda, o retorno da Petrobrás à distribuição, que garantiria um mercado para os produtos das refinarias da estatal e contribuiria para a redução dos preços ao consumidor. Além disso, a Associação destaca que a Petrobrás, ao retomar suas atividades, cumpriria a promessa de campanha do presidente Lula, priorizando a soberania nacional e a oferta de combustíveis a preços mais acessíveis e justos.
