Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilônia, tantas vezes destruída,
Quem outras tantas a reconstruiu?
A Petrobrás apresentou na última quinta-feira, 08 de fevereiro, seu relatório de produção e vendas referente ao quarto trimestre de 2023, consolidando um ano de recordes. Com uma produção média de óleo, líquido de gás natural (LGN) e gás natural próprios de 2,94 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed), a estatal registrou um crescimento de 2% em relação ao terceiro trimestre do mesmo ano.
Os resultados foram impulsionados pelos ramp-ups das plataformas P-71 no campo de Itapu, FPSO Almirante Barroso no campo de Búzios, e dos FPSOs Anna Nery e Anita Garibaldi nos campos de Marlim e Voador. A produção própria de óleo no pré-sal atingiu 1,937 milhões de boed, representando um aumento de 3,5% em comparação com o trimestre anterior.
O presidente da Petrobrás, Jean Paul Prates, expressou satisfação com os resultados: “O ano de 2023 foi de muito trabalho, mas ao mesmo tempo de muitos êxitos e conquistas pela Petrobrás. Recordes ocorreram em diversas áreas da companhia, do E&P ao Refino, coroando todo o esforço do nosso time”.
Os números do quarto trimestre consolidaram recordes trimestrais, com a produção total operada alcançando 4,05 milhões de boed por dia, superando o recorde anterior do terceiro trimestre. A produção própria no pré-sal foi de 2,33 milhões de boed, representando 79% da produção total da Petrobrás. Além disso, o Índice de Utilização do Gás Associado (IUGA) atingiu 98%, contribuindo para a redução das emissões e maior eficiência em carbono.
Dividendos expressivos e PLR incompatível
Com base nos resultados robustos, analistas apontam para a possibilidade de a Petrobrás distribuir dividendos significativos. O BTG Pactual destaca que a produção do quarto trimestre está 7% acima do guidance da companhia para 2024, sugerindo que o Plano Estratégico pode ser considerado conservador. A divulgação dos resultados financeiros e dos dividendos está programada para o dia 7 de março.
De acordo com projeções dos analistas do Bradesco BBI, a Petrobrás está prevista para reportar um Ebitda de aproximadamente US$ 15 bilhões e um resultado final próximo a US$ 7,5 bilhões no quarto trimestre, com base nos sólidos números de produção e vendas divulgados recentemente. Os analistas enfatizam que o foco do mercado estará nos dividendos declarados, com expectativas variando entre US$ 5 e 10 bilhões.
O Bradesco BBI acredita que a Petrobrás ficará mais próxima do topo dessa faixa, com projeções de US$ 9 bilhões, sendo US$ 4 bilhões relativos a dividendos mínimos trimestrais e US$ 5 bilhões como pagamento extraordinário para 2023.
Essa análise sobre os dividendos ocorre em meio a debates intensos sobre a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) proposta pela Petrobrás para o ano de 2023.
A AEPET-BA discordou da proposta de PLR de 2023 apresentada pela Petrobrás, em janeiro de 2024. O montante destinado ao pagamento está muito aquém dos resultados financeiros apresentados pela empresa até o momento, considerando a relevância da Petrobrás como a maior pagadora de dividendos e impostos no Brasil.
A proposta da Petrobrás para a PLR, no valor de R$ 2,8 bilhões, é criticada por ser um valor muito menor do que os R$ 7,5 bilhões possíveis com base nos parâmetros estabelecidos pela Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST). Após um ano de resultados expressivos, a hierarquia da empresa busca beneficiar os acionistas em detrimento dos empregados.
Foram os acionistas que produziram os lucros? Quanto suor, quanto assédio, quanta pressão. Quem as sofreu? Quantos riscos, acidentes, dias e noites longe da família. Foram os acionistas que colocaram sua vida e saúde em riscos para os tão robustos resultados? Enquanto não tivermos lideranças que não compreendam que nossa participação deve ser proporcional ao lucro, ficaremos felizes apenas com as migalhas.
A AEPET-BA reitera a insatisfação com a disparidade entre os resultados financeiros da empresa, evidenciada pela projeção de distribuição de dividendos, e o montante destinado à PLR. Os acionistas são mais importantes que os petroleiros e petroleiras que contribuíram para esses resultados? É isso que a Petrobrás está dizendo através da distribuição dos benefícios gerados, principalmente, por conta do empenho e atuação dos petroleiros e petroleiras.
Para reflexão, divulgamos esse poema do dramaturgo e poeta alemão Bertolt Brecht que abre a nossa matéria:
Perguntas de um Operário que Lê (Bertolt Brecht)
Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilônia, tantas vezes destruída,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China,
para onde foram os seus pedreiros?
A grande Roma está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu?
Sobre quem triunfaram os Césares?
A tão cantada Bizâncio
Só tinha palácios
Para os seus habitantes?
Até a legendária Atlântida,
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.
O jovem Alexandre conquistou as Índias
Sozinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua Invencível Armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos.
Quem mais a ganhou?
Em cada página uma vitória…
Quem cozinhava nos festins?
Em cada década um grande homem…
Quem pagava as despesas?
Tantas histórias,
Quantas perguntas!
