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Por Jai Santiago*

 

Eu não tenho medo.

Minto. Também tenho medo.

O medo é primitivo, remonta aos primórdios da nossa existência.

Tudo o que é desconhecido causa medo. 

Mas saiba: não há nada que você possa fazer para evitá-lo.

O que não pode é se deixar paralisar.

De tudo o que ouvimos e vemos, tentamos assimilar algo essencial,

um aprendizado sobre o que não devemos fazer.

Mas o que fazer, então? 

Devemos recuperar as energias que nos são sugadas todos os dias,

especialmente no trabalho.

São horas entregues com dedicação, qualidade e ideias para melhorar.

Mesmo para aqueles que, deslocados de suas áreas de formação,

foram “arrastados” para o administrativo.

Que, insatisfeitos, ainda sustentam outras vidas que dependem deles.

Mas, apesar dos alertas e tentativas de encorajamento,

o medo paralisa muitos.

E a esses, eu digo:

Olhe para si. Para sua história. Para o seu eu.

Você precisa permanecer de pé, carregar seu próprio peso.

O que lhe coube.

Essas lágrimas que chora às escondidas,

enquanto se mostra tranquilo perante os demais,

enquanto se dobra, permissivo, diante dos seus gestores,

não o levarão a lugar algum.

Não percebe que o manipularam — e ainda manipulam?

Querem seu silêncio, sua submissão,

para reforçarem seu poder de autoridade.

Mudaram sua vida. Acorde.

Não esqueça os anos em outra cidade.

O salário reduzido.

O desprestígio profissional.

O preconceito que sofreu.

É hora de se recompor. 

De sair dessa prisão mental,

tão cruel quanto a prisão laboral que lhe impuseram.

Saiba: você pode sair dessa.

Não é justo que seus colegas saiam para a batalha,

se exponham — eles também sentem medo —

enquanto você se entrega,

se acomodando na covardia.

Tenha dignidade. 

Como olhar nos olhos de seus filhos, netos, cônjuge e falar de dignidade,

se a todo momento você se curva a quem o oprime?

Olhe ao seu redor. 

Veja os guerreiros que lutam não apenas por melhores condições de trabalho,

mas por qualidade de vida.

 

*Jai Santiago, (trabalhador Petrobrás, Torre Pituba)


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