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O anúncio da assinatura do protocolo de intenções com a Stanley Oil para a construção de uma refinaria em Alagoinhas e a retomada dos investimentos da Petrobrás em campos terrestres do Recôncavo baiano trazem boas perspectivas para a economia da Bahia.

A escolha de Alagoinhas para sediar a refinaria se justifica pelo histórico da cidade com a indústria do petróleo e gás, o que pode impulsionar ainda mais seu desenvolvimento. Além disso, a atração desse novo investimento pode estimular outras iniciativas ligadas à cadeia produtiva do setor, promovendo capacitação profissional e fortalecimento da economia local.

No entanto, é fundamental olhar para o contexto mais amplo da indústria do petróleo na Bahia. A nova refinaria terá capacidade de refinar apenas 3 mil barris de petróleo por dia, enquanto a antiga Refinaria Landulpho Alves (RLAM), hoje sob controle da Acelen, tem uma capacidade de 320 mil barris/dia.

Embora a chegada da Stanley Oil possa ajudar a reduzir os preços dos combustíveis em alguns municípios, o grande problema estrutural da Bahia continua: a venda da RLAM, um ativo estratégico da Petrobrás, por um preço muito abaixo do seu valor de mercado.

Retomada da RLAM

Os investimentos anunciados são importantes, mas não podem desviar o foco da necessidade urgente de recuperar a RLAM para a Petrobrás. Desde sua venda para o fundo árabe Mubadala Capital, que controla a Acelen, os baianos passaram a pagar os preços mais altos do país por gasolina, diesel e gás de cozinha, devido ao monopólio privado regional.

Essa situação prejudica tanto a economia estadual quanto a população, que sofre com combustíveis caros enquanto a empresa busca apenas maximizar seus lucros.

A privatização da RLAM ocorreu de forma questionável. O governo Bolsonaro vendeu o cluster da refinaria, incluindo o Terminal de Madre de Deus (Temadre), por apenas US$ 1,65 bilhão, enquanto estudos do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Naturais e Biocombustíveis (Ineep) e de bancos como XP e BTG estimaram seu real valor entre US$ 3 e 4 bilhões.

Ou seja, a refinaria foi vendida por menos da metade do que valia, um verdadeiro prejuízo ao patrimônio nacional. O próprio Tribunal de Contas da União (TCU) apontou indícios de irregularidades no processo de venda, levantando suspeitas sobre subfaturamento e falta de transparência na negociação.

Diante desse cenário, a construção de uma nova refinaria é bem-vinda, mas não pode ser vista como solução para o problema central: a Bahia precisa recuperar sua refinaria histórica e garantir que o refino de petróleo continue sendo um ativo estratégico da Petrobrás.

Somente assim será possível garantir preços justos para a população e fortalecer a soberania energética do país.

Saiba mais: O economista e ex-diretor da AEPET-BA, Marival Matos dos Santos, divulgou um estudo aprofundado sobre o tema. Leia o estudo: “Quanto vale uma refinaria?”


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