Investimentos ainda são tímidos diante do que o povo baiano merece
A Petrobrás anunciou, na última semana, a retomada da perfuração de poços terrestres na Bahia, com a abertura do poço 7-TQ-240D-BA, localizado no campo de Taquipe, em São Sebastião do Passé, a cerca de 80 km de Salvador.
A perfuração foi realizada pela sonda EBS-08, operada pela empresa EBS Perfurações. Trata-se da primeira de três sondas já contratadas para atuar em áreas terrestres no estado. A previsão da Petrobrás é perfurar 100 novos poços ao longo dos próximos cinco anos, em municípios com histórico de produção, como São Sebastião do Passé, e também em Alagoinhas, Entre Rios, Esplanada, Cardeal da Silva, Araçás, Catu e Candeias.
A novidade, embora bem-vinda, chega com bastante atraso e levanta questionamentos sobre a real disposição da atual gestão em reconstruir a presença da empresa na Bahia. É urgente uma política de investimentos mais robusta e duradoura.
A simples retomada da perfuração, após anos de abandono, não pode servir de cortina de fumaça para a política de austeridade imposta pela atual gestão, que tem adiado projetos e reduzido investimentos sob o pretexto de “controle de custos”.
Atualmente, a UO-BA conta com cerca de 4,3 mil trabalhadores e trabalhadoras, responsáveis por uma produção diária de 17 mil barris de petróleo em 20 concessões e aproximadamente 2 mil poços terrestres. Há ainda a produção de gás natural na plataforma de Manati, na Bacia de Camamu, em Valença.
Com essa estrutura e capacidade instalada, a Petrobrás tem plenas condições de ampliar seus investimentos, gerar empregos e impulsionar a economia local.
O presidente da AEPET-BA, Marcos André, reconhece a importância da reativação de atividades como a perfuração de poços, mas alerta que isso ainda está muito aquém do necessário. “O povo baiano quer e merece uma Petrobrás pública, forte, presente no estado e comprometida com o desenvolvimento regional. A empresa precisa deixar de lado a austeridade seletiva e reassumir seu papel estratégico no estado, com a retomada de projetos de refino, logística, energias renováveis e valorização da força de trabalho local”, finaliza ele.
A Bahia tem petróleo, tem história e tem futuro. Cabe à Petrobrás voltar a investir com coragem, reconstruir sua presença no estado e retomar as unidades estratégicas vendidas nos governos anteriores.
