O vice-presidente da AEPET-BA, José Augusto Fernandes Filho, participou na terça-feira (12/11) da Roda de Conversas com as Geociências, projeto de extensão do Instituto de Geociências da UFBA (IGEO/UFBA), que promove debates abertos sobre temas estratégicos para o desenvolvimento científico e energético do país. O encontro, realizado no Museu de Geociências (MUGEO), abordou o tema “Por que tem tanto petróleo nas rochas do Pré-Sal?”.
A roda contou com dois especialistas convidados:
• Cícero Pereira, geólogo com extensa trajetória na Petrobrás e pesquisador visitante da ANP/UFBA, referência nacional em rochas carbonáticas;
• Ana Santana, geóloga, professora do IGEO/UFBA e pesquisadora nas áreas de estratigrafia de sequências e rochas carbonáticas.
Os palestrantes apresentaram aspectos técnicos da geologia e geofísica que explicam a formação e o grande potencial petrolífero do Pré-Sal brasileiro. Ao final, o vice-presidente da AEPET-BA contribuiu com reflexões sobre a trajetória exploratória da Petrobrás na Bacia de Santos e sobre as decisões políticas que definiram o futuro do Pré-Sal.
José Augusto lembrou que, desde o início das pesquisas na região, a Petrobrás já identificava um enorme potencial “O óleo da Bacia de Santos era uma expectativa nutrida por todos nós exploracionistas. Sabíamos que aquele petróleo tinha sua origem no Pré-Sal e que havia ali um volume extraordinário a ser descoberto.”
Ele destacou que a superação das barreiras tecnológicas foi determinante para o sucesso, pois as dificuldades eram imensas: lâmina d’água superior a 2.000 metros e uma camada de sal com outros 2.000 metros de espessura. As empresas internacionais desistiram. Só a Petrobrás investiu pesado em tecnologia — e quando conseguiu atingir o objetivo, descobriu um campo gigante, com mais de 30 mil barris/dia por poço.
No debate, o representante da AEPET-BA relembrou a decisão do governo federal de alterar o regime de exploração para o modelo de partilha, garantindo ao país a maior parte da produção. “Era uma mudança estratégica: o governo passaria a ser dono de pelo menos 50% da produção, e a Petrobrás seria operadora única dos blocos mais promissores da chamada ‘picanha azul’. Isso traria resultados extraordinários para o Brasil.”
José Augusto citou também o marco histórico da lei sancionada pela presidenta Dilma Rousseff, que destinava 75% dos lucros do Pré-Sal para a educação e 25% para a saúde.
Entretanto, ele lembrou que essas políticas foram revertidas após o golpe de 2016, “o governo Temer alterou a lei, destinou os lucros para o pagamento da dívida pública e ainda acabou com o regime de partilha na região mais promissora do Pré-Sal. Foi um retrocesso enorme para a soberania energética e para o futuro do povo brasileiro.”
A participação da AEPET-BA na roda de conversa reforça o compromisso da entidade com a defesa da Petrobrás pública, integrada e estratégica, além da importância de difundir conhecimento sobre o Pré-Sal — uma das maiores riquezas do país e patrimônio essencial para o desenvolvimento nacional.


