Compartilhe

O Carnaval da Bahia, reconhecido mundialmente por sua diversidade, alegria e ocupação democrática dos espaços públicos, também tem sido palco de importantes campanhas de enfrentamento à violência contra as mulheres. Entre elas, a campanha “Não é Não”, que ganhou visibilidade nacional em 2017 e chegou à Bahia em 2018, tornou-se referência na luta contra o assédio sexual, especialmente durante grandes eventos populares.

Em Salvador, a iniciativa tem forte presença nas ruas. No Carnaval do ano passado, o coletivo responsável pela campanha distribuiu cerca de 25 mil tatuagens temporárias com a mensagem “Não é Não”, ajudando a conscientizar foliões e fortalecer uma rede de apoio entre mulheres. Em 2026, a campanha foi lançada nacionalmente e deve acontecer em 15 estados brasileiros, reforçando a mobilização em todo o país.

Violência que os números revelam

Os dados evidenciam a urgência dessas ações. Na Bahia, uma mulher é agredida a cada 56 minutos. No Brasil, uma em cada três mulheres já sofreu algum tipo de violência ao longo da vida, segundo a ONU Mulheres. Dados da organização internacional ActionAid apontam que 86% das brasileiras já sofreram assédio em espaços públicos.

Essas situações, muitas vezes naturalizadas, não têm hora nem lugar para acontecer e afetam diretamente a saúde física e emocional das mulheres. “Consequência de uma sociedade machista e patriarcal, as violências contra as mulheres afetam diretamente na qualidade de vida delas, quando não nos tira a vida”, ressalta Julieta Palmeira, secretária de Políticas para as Mulheres do Estado da Bahia (SPM-BA).

Assédio não é paquera

Seguindo as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), o assédio sexual é considerado uma questão de saúde pública. Trata-se de qualquer comportamento indesejado de cunho sexual que fere a dignidade da pessoa ou cria um ambiente hostil. Comentários obscenos, cantadas ofensivas, toques sem consentimento, gestos ou atos obscenos são formas de violência — e não elogio.

“Paquera não causa medo nem angústia. É possível flertar sem constranger ou invadir o espaço do outro”, afirma Gabriela Guimarães, coordenadora local da campanha Não é Não. Para ela, a iniciativa também promove transformação individual e coletiva. “Queremos criar uma rede de apoio entre mulheres, onde uma possa proteger a outra. Se ver uma mulher em situação de risco no Carnaval, pegue na mão dela e diga: ‘Eu tô do seu lado’.”

Campanhas nacionais fortalecem a rede de proteção

Além da mobilização da sociedade civil, o poder público também tem ampliado ações de enfrentamento à violência no Carnaval. O Governo do Brasil lançou a campanha “Se liga ou eu ligo 180”, coordenada pelo Ministério das Mulheres, reforçando que violência não faz parte da festa e que a responsabilidade pelo combate ao assédio é coletiva.

Todas as peças divulgam o Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher, serviço gratuito, disponível 24 horas por dia, inclusive por WhatsApp, no número (61) 9610-0180, para orientação, acolhimento e encaminhamento de denúncias.

Outras iniciativas também integram a ação governamental, como “Sem Racismo o Carnaval Brilha Mais”, do Ministério da Igualdade Racial, e “Pule, Brinque e Cuide”, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, voltada ao enfrentamento do abuso e da exploração sexual de crianças e adolescentes.

Onde procurar ajuda em Salvador

Mulheres em situação de violência podem e devem buscar apoio. Em Salvador, há uma rede de serviços especializados:

  • CRLV – Centro de Referência Loreta Valadares
    Atendimento jurídico, psicológico e social
    📍 Praça Almirante Coelho Neto, nº 1 – Barris
    📞 (71) 3235-4268
  • DEAM – Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher
    • Brotas – Rua Padre José Filgueiras, s/n
    📞 (71) 3116-7000
    • Periperi – Praça do Sol, s/n
    📞 (71) 3117-8217
  • GEDEM – Ministério Público da Bahia
    📍 Av. Joana Angélica, nº 1312, sala 309 – Nazaré
    📞 (71) 3103-6407 / 6406 / 6424
  • NUDEM – Defensoria Pública do Estado da Bahia
    📍 Rua Pedro Lessa, nº 123 – Canela
    📞 (71) 3117-6935
  • 1ª Vara de Violência Doméstica e Familiar
    📍 Rua Conselheiro Spínola, nº 77 – Barris
    📞 (71) 3328-1195 / 3329-5038

Dizer não é um direito

Dizer não ao assédio é afirmar o direito das mulheres ao corpo, à liberdade e à cidade. Campanhas como essas reforçam que o Carnaval deve ser um espaço de alegria, respeito e igualdade — na Bahia e em todo o Brasil.

Fonte: Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher; Think OLGA; Think EVA; ONU Mulheres; ActionAid; Secretaria de Políticas para as Mulheres do Estado da Bahia; Governo do Brasil.

 


Compartilhe