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Os consumidores baianos começaram o mês de junho enfrentando mais um aumento no preço do gás de cozinha

Passou a vigorar na segunda-feira, dia 1º de junho, o reajuste de 9,6% no preço do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) vendido às distribuidoras, medida que deverá elevar o valor do botijão de 13 kg entre R$ 8 e R$ 10 para o consumidor final. O anúncio foi feito pela Acelen, que administra a antiga RLAM, hoje Refinaria Mataripe.

Segundo Sindicato das Revendedoras de Gás de Cozinha da Bahia (SindRevGás), o reajuste passa a valer imediatamente e se soma a um aumento anterior, ocorrido em maio, que havia sido absorvido pelas revendedoras sem repasse ao consumidor.

O presidente da entidade, Robério Souza, explicou que o novo reajuste torna inevitável a alta dos preços, pois no dia 1º de maio já teve um aumento que a rede de revendedores do estado da Bahia não repassou. Agora soma-se esse novo reajuste, que vai impactar os preços em aproximadamente R$ 8 a R$ 10 em relação aos preços anteriormente praticados.

De acordo com o economista do Ibeps e AEPET-BA, Eric Gil, desde o início do ano a Acelen já aumentou em 29% o preço do GLP, ou R$ 12,50 por botijão. “Hoje a diferença em relação ao preço da Petrobrás já é de 60%, equivalente a R$ 21 por botijão”, aponta Eric.

Esse novo reajuste preocupa especialmente as famílias de baixa renda, para as quais o gás de cozinha representa um dos principais itens do orçamento doméstico. Atualmente, a Bahia já figura como o terceiro estado com os maiores preços médios do botijão de gás.

Política de preços da Acelen continua penalizando os baianos

Em nota, a Acelen, empresa que administra a Refinaria de Mataripe desde a privatização da antiga Refinaria Landulpho Alves (RLAM), informou que seus preços seguem critérios de mercado, considerando fatores como a cotação internacional do petróleo, a variação cambial e os custos de frete.

Para a AEPET-BA, essa política evidencia um dos principais problemas decorrentes da privatização da refinaria baiana: a adoção de uma estratégia de preços desvinculada da realidade econômica local e fortemente atrelada ao mercado internacional.

Enquanto a Petrobrás abandonou a política de paridade internacional como principal referência para a formação dos preços dos combustíveis, a Refinaria de Mataripe continua aplicando reajustes baseados nas oscilações do dólar e do petróleo no mercado externo, mesmo quando a produção é realizada em território brasileiro.

Reestatização da RLAM é fundamental para garantir preços justos

Diante de mais um reajuste, a AEPET-BA reforça a necessidade da reestatização da antiga Refinaria Landulpho Alves e sua reintegração ao Sistema Petrobrás.

Para o presidente da entidade, Marcos André dos Santos, a retomada do controle público da refinaria permitiria uma política de preços mais alinhada aos interesses da população e ao desenvolvimento nacional. “A volta da refinaria para a Petrobrás possibilitaria o fim da política de preços praticada pela Acelen, baseada nas variações do dólar e do barril de petróleo no mercado internacional, claro abuso de posição dominante de mercado e monopólio regional, Com a retomada da RLAM pela Petrobrás, os consumidores baianos poderiam voltar a pagar preços mais justos e alinhados à realidade nacional, garantindo estabilidade econômica e segurança energética para o Brasil”, afirma ele.

Marcos acrescenta que a entidade pretende encaminhar uma denúncia aos órgãos de defesa do consumidor, em razão de mais esse abuso que penaliza a população baiana.

A venda da RLAM representou uma perda estratégica para a Bahia e para o país, reduzindo a capacidade do Estado de atuar na regulação dos preços dos combustíveis e ampliando a exposição dos consumidores às oscilações do mercado internacional.

A entidade defende que a recuperação da refinaria pela Petrobrás é um passo essencial para fortalecer a soberania energética brasileira, ampliar a capacidade de planejamento do setor e proteger a população de reajustes frequentes que comprometem o orçamento das famílias baianas.

Fonte: Jornal A Tarde; SindRevGás; AEPET-BA.


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