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A AEPET-BA manifesta repúdio aos episódios de violência denunciados durante a greve dos trabalhadores terceirizados da construção e montagem da Refinaria de Paulínia (Replan), em São Paulo, e reafirma seu apoio à luta por condições dignas de trabalho, valorização profissional e respeito aos direitos sindicais.

A greve teve início no dia 16 de junho. Segundo o Sindipetro Unificado, um trabalhador permanece internado e corre o risco de perder a visão em decorrência de agressões praticadas por seguranças privados armados contra trabalhadores e dirigentes sindicais.

Os episódios de violência ocorreram em meio ao impasse nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho dos trabalhadores da construção e montagem. Segundo denúncias do movimento sindical, a empresa Quality Welding Serviços (QWS), especializada em manutenção industrial e inspeções, teria interrompido as negociações com os trabalhadores, optado por judicializar o conflito e pressionado outras empresas contratadas pela Petrobrás a adotar a mesma postura. A situação contribuiu para o agravamento do conflito e para a deflagração da greve. A QWS é uma das principais empresas terceirizadas prestadoras de serviços da Petrobrás.

Entre as reivindicações da categoria estão reajuste salarial de 9%, ampliação dos benefícios, aumento do vale-alimentação, melhoria do auxílio para café da manhã, reajuste da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e valorização da cesta natalina.

Para a AEPET-BA, qualquer forma de intimidação ou violência contra trabalhadores que exercem seu legítimo direito de organização e manifestação representa um grave ataque às liberdades democráticas e aos direitos históricos da classe trabalhadora.

Em resposta aos acontecimentos, entidades sindicais, movimentos sociais e representantes políticos realizaram, no dia 25 de junho, um grande ato de solidariedade em frente à Replan. A mobilização reuniu dirigentes do Sindipetro Unificado, da Federação Única dos Petroleiros (FUP), representantes de outras categorias e organizações populares, reforçando a defesa do direito constitucional de greve e a necessidade de retomada das negociações.

O coordenador-geral do Sindipetro Unificado, Steve Austin, afirmou que o conflito deve ser tratado como uma questão trabalhista, e não como um caso de segurança pública. Segundo ele, a solução passa pelo diálogo e pela negociação entre trabalhadores e empresas.

O ato também evidenciou a unidade entre trabalhadores próprios da Petrobrás e terceirizados. A mobilização coincidiu com as atividades promovidas pelos petroleiros em defesa do cumprimento de compromissos assumidos pela Petrobrás após a greve da categoria realizada no ano passado, fortalecendo a solidariedade entre diferentes segmentos da classe trabalhadora.

A greve na Replan também reacende o debate sobre os impactos da terceirização no setor de petróleo. Há anos, entidades sindicais denunciam a precarização das relações de trabalho, as disparidades salariais e a redução de direitos enfrentadas por trabalhadores terceirizados, mesmo quando desempenham funções essenciais para a operação das refinarias.

A AEPET-BA reafirma que o fortalecimento da Petrobrás como empresa pública, integrada e comprometida com o desenvolvimento nacional passa pela valorização de toda a sua força de trabalho, própria e terceirizada. O respeito ao direito de greve, à negociação coletiva e à livre organização sindical constitui um dos pilares fundamentais da democracia e das relações de trabalho.

Diante da continuidade do impasse, a entidade manifesta solidariedade aos trabalhadores em greve e defende a retomada imediata das negociações, com a construção de uma proposta capaz de atender às reivindicações da categoria e garantir uma solução justa, negociada e respeitosa para o conflito.

Fonte: Maria Julia Wegher e Vítor Peruch -Sindipetro Unificado


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