O Brasil começou a redefinir o papel do urânio em sua estratégia de transição energética e desenvolvimento industrial, deixando de vê-lo apenas como matéria-prima para seu programa nuclear e elevando-o ao status de ativo estratégico, explicou na sexta-feira Alessandro Facure, presidente da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN).
Em uma coletiva de imprensa com correspondentes estrangeiros organizada pela Associação da Imprensa Estrangeira no Brasil (AIE), Facure afirmou que esse novo contexto é definido pela busca por segurança energética, pela descarbonização da economia e pelo crescente interesse global na energia nuclear.
Refletindo essa mudança, o governo criou um grupo de trabalho para avaliar o potencial de produção de urânio do país sul-americano, analisar projetos em andamento e elaborar cenários de expansão.
“O urânio está sendo cada vez mais visto como um ativo estratégico”, afirmou Facure, associando essa tendência aos compromissos internacionais de redução de emissões e à necessidade de garantir o abastecimento de energia.
O Brasil ocupa a sétima ou oitava posição mundial em reservas conhecidas de urânio, embora apenas cerca de 30% de seu território tenha sido pesquisado em busca do mineral.
Facure citou a China como exemplo do protagonismo renovado da energia nuclear, descrevendo-a como “um exemplo primordial do papel central que a energia nuclear desempenha nesse processo”, ao mesmo tempo em que destacou sua contribuição para a descarbonização e a segurança energética.
O presidente da ANSN enfatizou que a missão do órgão regulador não é promover a energia nuclear, mas garantir que qualquer expansão do setor ocorra sob critérios rigorosos de segurança e em conformidade com padrões internacionais.
A iniciativa também ajudará a reduzir a dependência de importações de urânio e a posicionar o Brasil como um potencial exportador do mineral, cuja demanda está aumentando entre países comprometidos com a descarbonização. Dessa forma, o Brasil busca aproveitar suas vastas reservas de urânio, fortalecer sua indústria nuclear e consolidar o mineral como um pilar de sua estratégia de transição energética e desenvolvimento tecnológico, segundo a apresentação.
Com informações da Agência Xinhua
Fonte: Monitor Mercantil
