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Há 43 anos, em 7 de julho de 1983, centenas de petroleiros escreveram uma das páginas mais importantes da história do movimento sindical brasileiro. Em plena ditadura militar, trabalhadores das refinarias Landulpho Alves (RLAM), em Mataripe (BA), e de Paulínia (REPLAN), em São Paulo, desafiaram o regime autoritário ao cruzarem os braços contra o arrocho salarial, a manipulação do INPC, o Decreto-Lei nº 2.036 e o acordo firmado pelo governo federal com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

A paralisação tornou-se um marco da resistência democrática e da defesa da Petrobrás como patrimônio do povo brasileiro. Mais do que uma reivindicação trabalhista, a greve representou a defesa da soberania nacional diante de uma política econômica que aprofundava a dependência externa e ameaçava o papel estratégico das empresas estatais.

A greve que desafiou a ditadura

A greve teve início na Refinaria de Paulínia, em São Paulo, no dia 6 de julho de 1983. Um dia depois, na Bahia, quando os petroleiros da Refinaria Landulpho Alves interromperam a produção. A resposta do governo do general João Figueiredo foi imediata e violenta.

A Refinaria Landulpho Alves foi ocupada por tropas militares, o Sindicato dos Petroleiros da Bahia sofreu intervenção e centenas de trabalhadores foram demitidos por exercerem o direito de lutar. Em Mataripe, 198 petroleiros perderam seus empregos. Em Paulínia, foram 152 demissões.

Mesmo diante da repressão, da aplicação da Lei de Segurança Nacional e da perseguição política, os trabalhadores mantiveram sua mobilização. O gesto de coragem dos petroleiros tornou-se o estopim para a primeira greve geral realizada no Brasil após o golpe militar de 1964, ocorrida em 21 de julho daquele ano, fortalecendo o processo de reorganização do movimento sindical que culminaria, poucas semanas depois, na criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Um legado de resistência

A Greve de 1983 inaugurou um novo ciclo de mobilização da categoria petroleira. Nos anos seguintes, os trabalhadores conquistaram importantes avanços na defesa dos direitos trabalhistas, da Petrobrás pública e do monopólio estatal do petróleo.

A mobilização também deu origem a uma intensa campanha pela reintegração dos demitidos. Grande parte dos trabalhadores retornou à Petrobrás após a anistia política, embora 59 petroleiros, 45 da Bahia e 14 de Paulínia, ainda aguardam a conclusão do processo de reparação econômica. Entre eles está Germino Borges dos Anjos, então presidente do Sindicato dos Petroleiros da Bahia e um dos principais líderes daquele movimento histórico.

Mais de quatro décadas depois, a greve permanece como símbolo da identidade construída pelos petroleiros brasileiros: trabalhadores comprometidos não apenas com seus direitos, mas também com a defesa da Petrobrás como instrumento do desenvolvimento nacional, da soberania energética e do interesse público.

Da resistência de ontem à luta de hoje

Se em 1983 a defesa da Petrobrás significava enfrentar a ditadura e impedir o desmonte das empresas públicas, atualmente a categoria enfrenta outro grande desafio: reconstruir a presença da Petrobrás na Bahia.

A venda da Refinaria Landulpho Alves, concluída em 2021, retirou da Petrobrás sua primeira refinaria e um dos principais ativos do Sistema Petrobrás. Desde então, a refinaria passou ao controle privado, enquanto a Bahia passou a conviver com impactos econômicos e sociais, como a redução da presença da empresa no estado, perda de empregos qualificados, diminuição da arrecadação e sucessivos aumentos nos preços dos combustíveis e do gás de cozinha.

Para a AEPET-BA, a reestatização da RLAM representa um passo essencial para recuperar a capacidade estratégica da Petrobrás na Bahia e fortalecer a soberania energética brasileira. A entidade também defende a retomada de outros ativos e estruturas da companhia no estado, como o Campo de Candeias, a reabertura do posto da Petros, o retorno da Cofip e da Universidade Petrobrás à Bahia.

Assim como em 1983, a luta continua sendo pela defesa do patrimônio nacional e do papel da Petrobrás como empresa pública, integrada e comprometida com o desenvolvimento do Brasil.

Preservar a memória para fortalecer o futuro

Para manter viva essa história, a AEPET-BA produziu, quando a greve completou 40 anos, uma série de depoimentos com protagonistas daquele momento histórico, entre eles Germino Borges dos Anjos, o advogado Luiz Henrique Amorim e o colaborador Nelson Araújo. Os relatos preservam a memória de uma geração que enfrentou a repressão em defesa da democracia, dos direitos dos trabalhadores e da Petrobrás.

Ao homenagear os homens e mulheres que participaram da Greve de 1983, a AEPET-BA reafirma seu compromisso com a valorização dessa trajetória de coragem e resistência. Relembrar aquele episódio é reconhecer que a defesa da Petrobrás sempre esteve ligada à defesa da soberania nacional, da democracia e do desenvolvimento do país.

Quarenta e três anos depois, a bravura daqueles petroleiros continua inspirando novas gerações. A luta pela reconstrução da Petrobrás na Bahia, pela reestatização da Refinaria Landulpho Alves e pelo fortalecimento da empresa permanece como parte do mesmo compromisso assumido em 1983: defender um patrimônio estratégico que pertence ao povo brasileiro.

Relembre o depoimento de Germino Borges

Relembre o depoimento de Luiz Henrique

Relembre o depoimento de Nelson Araújo

 


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