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Sábado (25) é dia de ganhar as ruas. Em celebração ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e ao Dia Nacional de Tereza de Benguela acontece em Salvador a Marcha das Mulheres Negras da Bahia por Reparação e Bem Viver.

A concentração está marcada para as 8 horas, na Praça da Piedade, de onde as participantes seguirão em caminhada até o Terreiro de Jesus, no Centro Histórico de Salvador. O ato integra a programação nacional do Julho das Pretas, uma das maiores articulações políticas de mulheres negras da América Latina.

A marcha deste ano tem um significado especial por ser a primeira mobilização estadual após a Marcha Global das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, realizada em novembro de 2025, em Brasília, que reuniu cerca de 300 mil mulheres negras, vindas de todos os estados brasileiros e de mais de 40 países. O objetivo agora é fortalecer a mobilização permanente nos territórios, mantendo em evidência a luta por reparação histórica, justiça racial, democracia e Bem Viver.

Segundo a coordenadora executiva do Odara – Instituto da Mulher Negra, Naiara Leite, a mobilização representa a continuidade do processo iniciado na marcha nacional e reafirma que ocupar as ruas é fundamental para consolidar o chamado Pacto do Bem Viver, fortalecendo a organização política das mulheres negras.

Para a ativista Rita Santa Rita, do Grupo de Mulheres do Alto das Pombas (GRUMAP), a marcha reafirma o enfrentamento ao racismo, ao machismo, ao sexismo e à misoginia, além de defender pautas fundamentais como educação, autonomia econômica e maior participação das mulheres negras nos espaços de decisão política.

Julho das Pretas fortalece mobilização nacional

Criado em 2013 pelo Odara – Instituto da Mulher Negra, o Julho das Pretas consolidou-se como uma das principais iniciativas de articulação política das mulheres negras no Brasil e na América Latina. Em 2026, a programação reúne 675 atividades, promovidas por 292 organizações e coletivos, distribuídas por 23 estados brasileiros, pelo Distrito Federal e por outros três países.

Marchas, encontros, feiras, rodas de conversa, atividades culturais e debates marcam a programação deste ano, reforçando o protagonismo das mulheres negras na defesa da democracia, da igualdade racial, da justiça social e da reparação histórica.

Uma data de resistência e reconhecimento

Celebrado em toda a América Latina e no Caribe, o 25 de Julho homenageia a força, a resistência e a contribuição histórica das mulheres negras para a construção das sociedades latino-americanas. A data também reverencia Tereza de Benguela, líder quilombola do século XVIII que comandou o Quilombo do Quariterê, no atual Mato Grosso, tornando-se símbolo da resistência negra e da luta contra a escravidão.

No Brasil, a celebração também chama atenção para as desigualdades enfrentadas pelas mulheres negras, que continuam sendo as principais vítimas do racismo estrutural, da violência de gênero, da precarização do trabalho e das desigualdades salariais.

Ao mesmo tempo, destaca seu papel decisivo na organização da classe trabalhadora, na defesa dos direitos humanos, na preservação da cultura afro-brasileira e na construção de uma sociedade mais democrática e inclusiva.

A programação do 25 de Julho reafirma que a luta das mulheres negras está diretamente ligada à defesa de políticas públicas voltadas para a igualdade racial, o acesso ao trabalho digno, à educação, à saúde, à proteção social e à ampliação da participação política.


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