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Dados sobre afastamentos mostram avanço do adoecimento mental e reforçam a necessidade de prevenção na indústria de petróleo e gás

“Se precisar, peça ajuda” é o lema do Setembro Amarelo deste ano, campanha que chama a atenção para a prevenção do suicídio e para a importância do acolhimento e do acesso ao cuidado. No mundo do trabalho, porém, a prevenção também exige olhar para as condições que podem provocar ou agravar o sofrimento mental.

Os números mostram a dimensão do problema. Em 2023, o Brasil registrou 17.009 mortes por suicídio, segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). O número corresponde a uma taxa de 8,6 mortes por 100 mil habitantes.

Outro indicador preocupante aparece nos afastamentos do trabalho. Segundo o Ministério da Previdência Social, foram concedidos 546.254 benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais e comportamentais em 2025, um aumento de 15,66% em relação a 2024. Transtornos de ansiedade, com 166.489 benefícios, e episódios depressivos, com 126.608, lideraram as causas. Na Bahia, foram 22.587 concessões no período.

Para a Fundacentro, os dados também revelam um problema de reconhecimento da relação entre adoecimento e trabalho. Em 2024, apenas 2,04% dos benefícios previdenciários relacionados a transtornos mentais e comportamentais foram reconhecidos como relacionados ao trabalho. A instituição alerta para a possibilidade de subnotificação desse vínculo.

Pressão e organização do trabalho

Na indústria de petróleo e gás, os riscos à saúde mental podem assumir características próprias de um setor marcado por elevada responsabilidade, pressão por resultados, jornadas intensas, mudanças na organização do trabalho e períodos de afastamento da família.

Para a AEPET-BA, esses fatores precisam ser considerados nas políticas de saúde e segurança da Petrobrás. O cuidado não pode se limitar ao atendimento do trabalhador depois que o adoecimento já se instalou. É necessário atuar também sobre as causas e condições de trabalho que podem contribuir para o sofrimento.

A experiência dos trabalhadores transferidos do antigo Torre Pituba, em Salvador, é um exemplo. Pesquisa realizada pela AEPET-BA em 2023 apontou que 75,8% dos empregados entrevistados afirmaram que a transferência havia impactado bastante sua saúde mental. O levantamento também registrou impactos na saúde física e dificuldades provocadas pelo afastamento prolongado da família.

Mais recentemente, a entidade voltou a manifestar preocupação com mudanças na organização do trabalho, como a alteração do padrão interno do Teletrabalho Integral Temporário (TTI) para empregados administrativos, que passou a limitar a 90 dias por ano a concessão do trabalho remoto por motivos de saúde.

Prevenir também é mudar as condições de trabalho

Os dados da Previdência e da Fundacentro reforçam que saúde mental não pode ser tratada como uma questão exclusivamente individual. Pressão excessiva, sobrecarga, assédio, insegurança, mudanças abruptas e falta de autonomia podem interferir diretamente na saúde dos trabalhadores.

No Setembro Amarelo, pedir ajuda é fundamental. Mas, para a AEPET-BA, é igualmente necessário que empresas e gestores estejam atentos aos fatores que produzem ou agravam o adoecimento.

Na indústria de petróleo e gás, onde a segurança é tratada como princípio fundamental para evitar acidentes, a saúde mental também precisa ocupar lugar permanente nas políticas de prevenção e proteção dos trabalhadores.

Se precisar, peça ajuda. E, no trabalho, é preciso também perguntar: o que pode ser feito para que o trabalhador não precise adoecer para ser ouvido?

Fontes: Ministério da Previdência Social, Fundacentro, Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DataSUS) e AEPET-BA.


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