Acordo vigente termina em abril de 2027, por isso categoria defende antecipação das negociações para garantir a continuidade e ampliar o direito ao teletrabalho
A proximidade do fim do atual acordo de teletrabalho da Petrobrás já acende o alerta entre trabalhadores e trabalhadoras do Administrativo, lotados no Torre Pituba, em Salvador. Com vigência até abril de 2027, o acordo do regime de teletrabalho é resultado de uma importante mobilização da categoria em 2025, mas ainda há reivindicações que não foram atendidas e permanecem sem avanço nas negociações.
Para os trabalhadores que hoje estão em teletrabalho, a preocupação é que a discussão sobre a continuidade do acordo seja deixada para a última hora. Por isso, cobram das federações dos petroleiros o fechamento do acordo ainda este ano.
Entre as reivindicações apresentadas estão a possibilidade de teletrabalho integral para trabalhadores e trabalhadoras com 60 anos ou mais e a unificação da vigência do acordo de teletrabalho com o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Isso daria mais segurança à categoria, que também questiona situações em que funções passíveis de execução remota vêm sendo submetidas a regimes presenciais rígidos.
Outro ponto de preocupação envolve trabalhadores em regime especial que acompanham projetos de novas unidades. A obrigatoriedade de cinco dias presenciais tem sido apontada como um fator que dificulta a permanência de profissionais mais experientes nessas atividades, justamente em um momento em que a empresa precisa preservar conhecimento e experiência acumulados.
Uma conquista construída com mobilização
O atual modelo de teletrabalho foi conquistado após uma ampla mobilização da categoria em 2025. A regulamentação por meio de negociação coletiva e a assinatura de termos individuais asseguraram aos trabalhadores abrangidos pelo acordo um regramento coletivo com validade de dois anos.
A conquista foi precedida pela organização dos trabalhadores em Comissões Locais de Luta em Defesa do Teletrabalho, que tiveram papel importante na mobilização e na articulação da categoria. A campanha também contou com a participação de diferentes segmentos dos trabalhadores, incluindo setores historicamente mais vulnerabilizados.
A regulamentação coletiva representou uma mudança em relação ao tratamento dado anteriormente ao tema pela gestão da Petrobrás. Durante a mobilização, a categoria realizou diversas ações, inclusive uma greve, para pressionar a empresa pela negociação de regras para o teletrabalho.
Para os trabalhadores, a discussão vai além da definição de quantos dias serão cumpridos presencialmente. O teletrabalho envolve a organização do tempo, a qualidade de vida, a saúde e as condições para conciliar trabalho e vida pessoal.
Por isso, a defesa do regime de teletrabalho é apresentada como parte de uma discussão mais ampla sobre as condições de trabalho na Petrobrás. A categoria questiona a adoção de políticas que, sob o argumento de maior controle ou integração presencial, possam desconsiderar as características de determinadas atividades e as necessidades dos trabalhadores.
A gestão da empresa, por sua vez, informou que não há, até o momento, previsão de mudança no acordo vigente, seja para ampliar, seja para reduzir os dias de teletrabalho. A posição, no entanto, não elimina a necessidade de discutir antecipadamente o futuro do regime, já que o acordo atual tem data para terminar.
Com abril de 2027 no horizonte, os trabalhadores defendem que a discussão não seja novamente empurrada para o final do prazo. A manutenção do teletrabalho e o avanço das reivindicações precisam entrar desde já na agenda de negociação, para que uma conquista construída com mobilização não fique sujeita a decisões unilaterais ou à indefinição na reta final da vigência do acordo.
A luta pelo teletrabalho continua, portanto, também como uma luta pelo direito de organizar o tempo e preservar a qualidade de vida de quem trabalha na Petrobrás.
