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Avanço da direita no Congresso amplia os desafios para a defesa da Petrobrás pública, da soberania energética e das riquezas naturais brasileiras

O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais colocou frente a frente dois projetos distintos para o futuro do Brasil. Com 47,03% dos votos válidos, Flávio Bolsonaro (PL) ficou em primeiro lugar, seguido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que obteve 45,16%. Os dois disputarão o segundo turno no dia 25 de outubro, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Para a categoria petroleira, a disputa ultrapassa a escolha do próximo presidente da República. Está em jogo também o futuro da Petrobrás, do petróleo e de outras riquezas estratégicas brasileiras. O segundo turno coloca em debate projetos diferentes para o papel do Estado na economia, a política industrial, a exploração dos recursos naturais e a capacidade do país de decidir seus próprios rumos.

Em seu primeiro pronunciamento após o resultado, Lula afirmou que a nova etapa da campanha permitirá apresentar com maior clareza as diferenças entre os dois projetos. Entre as prioridades apontadas pelo presidente estão investimentos em educação, ciência, tecnologia e indústria, além do desenvolvimento da exploração de minerais críticos e terras raras, das novas fronteiras de petróleo e do fortalecimento da produção nacional.

Enquanto Flavio Bolsonaro ameaça a Constituição e defende interesses internacionais para o Brasil.

Congresso mais conservador aumenta os desafios

O resultado das eleições para a Câmara dos Deputados e o Senado Federal também redesenhou a correlação de forças no Congresso Nacional. Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), a bancada identificada como direita crescerá de 248 para 260 deputados na próxima legislatura. No Senado, o avanço é ainda maior: de 32 para 48 senadores.

O PL será a maior bancada do Senado a partir de 2027, com 28 cadeiras. O partido elegeu 19 senadores neste pleito, ampliando sua representação em 13 cadeiras em relação à composição atual.

Essa nova composição deverá ter impacto direto na tramitação de projetos relacionados aos direitos dos trabalhadores, às políticas públicas, às empresas estatais e à exploração dos recursos naturais. Para os petroleiros, significa também acompanhar de perto as propostas que possam atingir a Petrobrás e o patrimônio público brasileiro.

Petrobrás no centro da disputa

A experiência recente de privatizações demonstra que a discussão sobre a Petrobrás não é abstrata. A venda da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia, e de outros ativos durante os governos Temer e Bolsonaro reduziu a presença da empresa em segmentos estratégicos e retirou do Estado instrumentos importantes para atuar no abastecimento nacional.

Uma eventual retomada de um projeto de privatização da Petrobrás representaria, na avaliação da AEPET-BA, uma ameaça à soberania energética brasileira. Além da própria empresa, estão em jogo reservas de petróleo, infraestrutura, tecnologia, conhecimento acumulado e capacidade de investimento em uma cadeia estratégica para o desenvolvimento nacional.

A mesma discussão alcança as chamadas terras raras e outros minerais críticos. Esses recursos são fundamentais para setores como energia, eletrônica, indústria de defesa e transição energética. A questão central é se essas riquezas serão utilizadas para fortalecer a capacidade industrial e tecnológica brasileira ou se o país permanecerá restrito à condição de fornecedor de matérias-primas para grandes grupos econômicos internacionais.

Capital, trabalho e soberania

A eleição também recoloca no centro do debate a relação entre capital e trabalho. De um lado, estão propostas que defendem maior participação do mercado privado e menor presença do Estado em setores estratégicos. De outro, uma visão que atribui às empresas públicas um papel no desenvolvimento econômico, na geração de empregos qualificados, na inovação tecnológica e na soberania nacional.

Para a AEPET-BA, defender a Petrobrás pública significa defender muito mais do que os empregos dos petroleiros. Significa preservar uma empresa que reúne capacidade tecnológica, conhecimento e infraestrutura fundamentais para o país e que pode ser instrumento de uma política de desenvolvimento soberano.

O segundo turno será, portanto, um momento decisivo para que a sociedade conheça e compare os projetos apresentados para o Brasil. Para os trabalhadores do Sistema Petrobrás, a discussão envolve diretamente o futuro da empresa, dos direitos da categoria e da utilização das riquezas naturais brasileiras. Por isso, é importante votar no candidato que defende os direitos dos trabalhadores, a Petrobrás e o Brasil para os brasileiros.

A Petrobrás é patrimônio do povo brasileiro. Petróleo, gás, minerais estratégicos e terras raras devem estar a serviço do desenvolvimento do país, da geração de emprego e renda e da soberania nacional — e não apenas dos interesses do capital internacional.

Além disso, está em jogo a defesa da democracia no Brasil, a sua soberania e independência frente às investidas de interferência de outros países, especialmente dos Estados Unidos.

 


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