O Plano Estratégico 2024-2028 da Petrobrás foi aprovado pelo Conselho de Administração, na quinta-feira, 23 de novembro. O plano prevê um investimento total de US$ 102 bilhões nos próximos cinco anos. Segundo a estatal, o foco será a preparação da empresa para o futuro e na integração de fontes energéticas para uma transição justa e responsável. Confira os principais pontos do plano:
1 — Investimentos (CAPEX): O investimento total previsto é de US$ 102 bilhões, 31% superior ao plano anterior. O CAPEX do segmento Exploração e Produção (E&P) representa 72% do total, seguido por Refino, Transporte e Comercialização (RTC) com 16%, Gás e Energia (G&E) e Baixo Carbono com 9%, e o Corporativo com 3%.
2 — Exploração e Produção (E&P): O CAPEX do E&P para 2024-2028 é de US$ 73 bilhões, com foco significativo no pré-sal. A empresa mantém projetos de revitalização em águas profundas (REVIT) e investimentos em exploração em diversas regiões.
3 — Produção de óleo, LGN e gás natural: A Petrobrás planeja atingir uma produção de 3,2 milhões de barris equivalentes de óleo e gás por dia em cinco anos, com 79% provenientes do pré-sal.
4 — Refino, Transporte e Comercialização (RTC): O CAPEX para RTC é de US$ 17 bilhões, com ênfase na melhoria da eficiência energética, aumento da capacidade de produção de diesel e iniciativas de biorrefino.
5 — Gás & Energia: O CAPEX para G&E é de US$ 3 bilhões, com investimentos em infraestrutura, portfólio de ofertas de gás natural e foco em fontes renováveis.
6 – Cuidar das pessoas: retorno à sociedade de no mínimo 150% do valor investido nos projetos socioambientais voluntários (até 2030), até 2030 estar entre as três empresas de O&G mais bem colocadas no ranking de Direitos Humanos e ter 25% das mulheres na liderança; desses 25% negros e negras.
7— Baixo Carbono: A empresa destinará até US$ 11,5 bilhões para projetos de baixo carbono nos próximos cinco anos, abrangendo iniciativas de descarbonização, energias renováveis e captura de carbono.
8 — Financiabilidade: O plano considera premissas como o preço do Brent e taxa de câmbio real para garantir a viabilidade financeira.
A incoerência do plano estratégico da Petrobrás
O plano estratégico proposto para a Petrobrás, apesar de apresentar um aumento em relação ao plano anterior, é criticamente insuficiente diante do histórico de investimentos da empresa. Segundo análise do Engenheiro Químico e vice-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET), Felipe Coutinho, o plano mudou para tudo seguir igual: alta distribuição de dividendos e relativamente baixo investimento.
“Enquanto a Faria Lima aplaude, a Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET) estima que o preço do diesel está cerca de 20% mais alto do que o Preço Paritário de Importação (PPI), apesar do retórico “fim do PPI”. A Petrobrás poderia ser o motor para o crescimento do Brasil, mas as principais políticas da sua atual direção fazem com que a estatal seja um freio.”
Além disso, pontos como a promoção do desenvolvimento, emprego e renda e a busca pela autossuficiência em derivados de petróleo a preços equitativos e o impulso à transição energética no Brasil, vendidos como foco da empresa, não são contemplados, nem recebem a devida importância da estatal, o que é alvo de crítica.
Leia aqui o artigo de Felipe Coutinho
