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Após 24 anos sem atualizações, o Ministério da Saúde promoveu uma revisão significativa na lista de doenças relacionadas ao trabalho, incorporando 165 novas patologias e marcando uma mudança na abordagem da saúde do trabalhador. Entre as doenças agora reconhecidas estão a Covid-19, distúrbios musculoesqueléticos, transtornos de saúde mental e diversos tipos de cânceres.

A decisão de incorporar doenças de saúde mental e outras condições específicas ao rol de enfermidades ocupacionais destaca a urgência em reconhecer e tratar as complexidades da saúde do trabalhador.

Essa atualização reflete a luta pela integridade física e mental dos profissionais, tornando a pauta da saúde ocupacional central no debate sobre saúde pública. Além disso, pode ser vista como uma resposta às transformações no cenário laboral, considerando as evoluções tecnológicas e os novos riscos ocupacionais.

Os mais de 390 mil casos notificados apenas neste ano reforçam a importância dessa resposta.

O Sistema Único de Saúde (SUS) tem desempenhado um papel fundamental no atendimento a casos de doenças ocupacionais, registrando quase 3 milhões de casos entre 2007 e 2022. Diante das mudanças na lista, é esperado que medidas de assistência e vigilância sejam aprimoradas, proporcionando ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis para todos os profissionais.

Petroleiros em foco

A Petrobrás, como protagonista na indústria energética do país e contribuinte para essas estatísticas, com notificações relacionadas a acidentes de trabalho, deve ter seus petroleiros em foco diante dessa revisão. A inclusão das novas patologias ressalta a necessidade de uma abordagem específica para a prevenção e tratamento de condições decorrentes das atividades desempenhadas por esses profissionais.

Uma pesquisa realizada pela Associação dos Engenheiros da Petrobrás, núcleo Bahia (AEPET-BA), divulgada em junho deste ano, com os empregados que foram transferidos involuntariamente de suas cidades de origem para outros estados mostrou que 75,8% dos estavam com a saúde mental bastante impactada e 32,5% com a saúde física impactada. O levantamento mostrou, ainda, que 10,6% estavam abalados devido ao longo período longe da família.

Questionados sobre a necessidade de voltar para sua cidade de origem, os petroleiros (as) responderam: 50, 8% precisavam retornar imediatamente à cidade de origem por estarem separados da família; 16,2% por questões sociais; 12,5% precisavam por razões de saúde.

Além dos números extraídos da pesquisa, a categoria petroleira teve a infelicidade de lamentar a partida precoce de companheiras e companheiros, que não aguentaram tamanho descaso,  e tiraram a própria vida.

Saiba mais — Quase 80% dos petroleiros transferidos estão com a saúde mental impactada, mostra pesquisa da AEPET-BA

Quando se trata especificamente da Bahia, o fechamento, arrendamento e venda das unidades da empresa, que implicou na transparência de diversos trabalhadores para longe das suas cidades de origem, ou nos sistemas bate-voltas, com deslocamentos semanais, são alguns dos fatores que motivaram o adoecimento de tantos trabalhadores.

É necessário que a estatal se alinhe com as mudanças e fortaleça seus programas de prevenção, capacitação e assistência médica, visando à promoção de ambientes laborais mais saudáveis e seguros, e moldando não apenas sua política interna de saúde ocupacional, mas também contribuindo para os padrões mais elevados de bem-estar no ambiente de trabalho.

Clique aqui e acesse a Portaria com a lista atualizada


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