A ofensiva do governo de Donald Trump contra a Venezuela representa mais um capítulo da longa e violenta história de intervenções dos Estados Unidos na América Latina. Ao lançar uma ação militar e assumir publicamente a intenção de impor um chamado “governo de transição”, Washington atropela princípios elementares do direito internacional, ignora a soberania nacional e tenta negar ao povo venezuelano o direito básico de decidir, por si mesmo, o governo que deseja.
Não se trata de um episódio isolado nem de um simples excesso retórico. As ações anunciadas e celebradas pelo governo norte-americano configuram uma escalada imperialista que ameaça a estabilidade regional e a autodeterminação dos povos.
Violação do direito internacional e imposição política
A tentativa de impor um governo tutelado à Venezuela fere frontalmente a Carta das Nações Unidas e o princípio da não intervenção entre Estados soberanos. O sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, denunciado pelo governo venezuelano, não pode ser tratado como um desvio de conduta ou ação pontual. Trata-se de um método historicamente utilizado sempre que projetos políticos soberanos ousam contrariar os interesses de Washington.
Como aponta editorial do Brasil de Fato, a combinação entre sanções econômicas, deslegitimação política e violência aberta é parte de uma engrenagem conhecida, aplicada reiteradamente contra países que buscam exercer controle sobre seus territórios, seus recursos naturais e seus projetos de desenvolvimento.
Imperialismo, petróleo e violência como método
A história da América Latina demonstra que o imperialismo norte-americano opera segundo um padrão recorrente: quando não consegue submeter governos por meios econômicos, diplomáticos ou eleitorais, recorre à força. Esse método envolve sanções unilaterais, guerra informacional, acusações fabricadas sob o pretexto do combate ao narcotráfico e tentativas sistemáticas de deslegitimação eleitoral, criando o ambiente propício para intervenções diretas.
No caso venezuelano, o objetivo central é explícito: o controle do petróleo. A própria retórica de Donald Trump, ao reivindicar abertamente as riquezas energéticas do país e celebrar a ofensiva como um “ataque extraordinário”, escancara o caráter colonial da operação.
O falso discurso do combate ao narcotráfico
O suposto combate ao narcotráfico, frequentemente utilizado como justificativa para ações militares e sanções econômicas, é uma falácia recorrente. Na prática, serve como cortina de fumaça para a imposição de bloqueios ilegais e para o aprofundamento da asfixia econômica, penalizando diretamente a população civil.
Sob o discurso da “defesa da democracia”, os Estados Unidos recorrem à força para impor sua vontade geopolítica. Não há neutralidade possível diante desse cenário: trata-se de agressão externa, violação da autodeterminação dos povos e ameaça direta à paz regional.
Mobilização popular e rejeição à ingerência estrangeira
A vice-presidenta da Venezuela, Delcy Rodríguez, foi categórica ao classificar a ação como um sequestro político e uma agressão direta ao Estado venezuelano, responsabilizando integralmente os Estados Unidos pela integridade do chefe de Estado. As mobilizações populares em Caracas, desde o dia do ataque, e em diversas cidades do mundo demonstram que o povo venezuelano não aceita a ingerência estrangeira e exige respeito à sua soberania nacional.
O silêncio da chamada “comunidade internacional” diante dessa ofensiva não pode ser interpretado como neutralidade. Como já alertava Bertolt Brecht, quando a violência avança e ninguém reage, o próximo passo é sempre mais agressão.
A Venezuela hoje, o Brasil amanhã
Para além da Venezuela, a ofensiva do governo Donald Trump representa uma ameaça concreta a toda a América Latina. O projeto de transformar o país vizinho em uma colônia econômica, subordinada aos interesses das empresas petrolíferas dos Estados Unidos, evidencia que o controle das riquezas energéticas da região está no centro dessa disputa.
O Brasil já conhece os efeitos das interferências externas. O país foi submetido ao constrangimento da aplicação unilateral de legislações norte-americanas, como a Lei Magnitsky, além de pressões econômicas, supertaxações ilegais e tentativas de isolamento geopolítico. Nesse contexto, cresce a preocupação de que o mesmo receituário seja aplicado ao Brasil, sobretudo diante da cobiça sobre o pré-sal e a Margem Equatorial, áreas estratégicas que integram o que os Estados Unidos historicamente tratam como seu “quintal”.
Defender a Venezuela é defender a soberania brasileira
Para o presidente da AEPET-BA, Marcos André, a solidariedade ao povo venezuelano deve vir acompanhada de vigilância e reação firme no plano interno. “Muito mais do que um gesto de solidariedade, precisamos reagir com veemência para impedir que o mesmo mal se abata sobre o Brasil, seja por meio de uma intervenção direta, seja pela tentativa de influenciar processos eleitorais, como já vimos em episódios recentes envolvendo agentes políticos que conspiraram contra o país”, alerta.
Segundo ele, a defesa da soberania venezuelana está diretamente ligada à defesa da soberania brasileira. “A resistência e a defesa da soberania nacional são atos de reafirmação do direito dos povos de decidir seus próprios destinos, prevenindo interferências diretas ou indiretas e repudiando, nas urnas e nas ruas, todos aqueles que se alinham ao imperialismo norte-americano no Brasil e na América Latina”, conclui.
(Com informações de Telesur)
