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A AEPET-BA manifesta apoio à declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que anunciou a intenção do governo federal de recomprar a Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia. A fala ocorreu na sexta-feira (20/03), durante visita à Refinaria Gabriel Passos, em Minas Gerais.

Para a entidade, o anúncio representa um passo importante na reconstrução da Petrobrás no estado e valida uma luta histórica travada pela AEPET-BA contra a privatização da RLAM, vendida em 2021 durante o governo Jair Bolsonaro.

Venda contestada e atuação da AEPET-BA

Desde o processo de venda da refinaria — hoje operada pela Acelen, sob o nome de Refinaria de Mataripe — a AEPET-BA denunciou irregularidades e ingressou com ações judiciais questionando a negociação. Segundo a Controladoria-Geral da União, a RLAM foi vendida abaixo do valor de mercado ao fundo Mubadala Capital, dos Emirados Árabes Unidos.

A entidade sempre alertou que a privatização comprometeria a soberania energética e traria impactos diretos ao consumidor baiano — cenário que hoje se confirma com sucessivos aumentos nos preços dos combustíveis.

Alta dos combustíveis pressiona consumidores

Nos últimos dias, a Bahia voltou a registrar forte alta nos preços da gasolina e do diesel. A Acelen aplicou três reajustes em menos de quinze dias, elevando o litro da gasolina para cerca de R$ 7,50 em Salvador, com aumentos ainda mais expressivos no interior.

Diante da escalada, o Procon-BA notificou a empresa para prestar esclarecimentos sobre sua política de preços. A prática, baseada na paridade com o mercado internacional, é alvo de críticas por desconsiderar os custos nacionais de produção e penalizar os consumidores.

Preços altos no gás de cozinha (GLP) também tem sido denunciados pela entidade.

Para a AEPET-BA, esse modelo é consequência direta da privatização. Antes, sob controle da Petrobrás, a refinaria operava com maior estabilidade e compromisso com o mercado interno.

Guerra no Oriente Médio agrava cenário

O contexto internacional também pressiona os preços. A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, gera incertezas sobre o fornecimento global de petróleo.

Durante o discurso, Lula alertou para o risco de interrupção no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz — uma das principais rotas mundiais da commodity — e defendeu a criação de um estoque regulador para proteger o Brasil das oscilações externas.

Retomada do refino é estratégica

Além da recompra da RLAM, o presidente anunciou investimentos bilionários da Petrobrás, incluindo aportes na Refinaria Gabriel Passos e iniciativas em energia renovável, como a implantação de uma usina fotovoltaica.

Para a AEPET-BA, a retomada da capacidade de refino nacional é essencial para garantir preços mais justos, segurança energética e desenvolvimento econômico, especialmente na Bahia.

“A declaração do presidente Lula reforça a importância de reconstruir a Petrobrás como empresa pública, integrada e a serviço do povo brasileiro. A recompra da RLAM é fundamental para reverter os prejuízos causados pela privatização e devolver à Bahia um ativo estratégico”, destacou o presidente da AEPET-BA, Marcos André.

A AEPET-BA seguirá acompanhando os desdobramentos e mobilizando a sociedade em defesa da soberania energética e de uma política de preços justa para os brasileiros.

 


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