O portal Petronotícias publicou, no dia 16 de outubro, uma matéria sobre as dificuldades enfrentadas pela nova gestão da Petrobrás e seu atual presidente, Jean Paul Prates, que prometeu lotar os estaleiros brasileiros
A problemática começa com a construção do heliponto da Plataforma P-56, onde um erro de projeto fez com que o aeródromo ficasse mais baixo do que deveria, em posição perigosa, colocando em risco a segurança das aeronaves e da plataforma. Em 2021, o contrato da obra com Alphatec foi suspenso, sem justa causa, quando faltavam apenas 5% para conclusão da construção.
Com isso, a Petrobrás ficou refém do aluguel de três rebocadores para pouso dos helicópteros de apoio, enquanto o heliponto da plataforma não é substituído. Até hoje, a estatal paga US$ 90 mil dólares por dia às empresas que alugam as embarcações. “É só multiplicar os US$ 90 mil pelo número de dias que eles estão lá para se saber o tamanho do prejuízo [da Petrobrás] e o tamanho dos lucros das empresas que alugam as embarcações.”
Foi feita uma nova licitação para contratação da obra de construção de um novo heliponto. A Petrobrás tinha apurado um preço mínimo. Uma empresa apresentou o melhor preço, mas a estatal considerou que ele era inexequível. O segundo melhor preço ficou muito acima do que a empresa havia apurado, então cancelou a licitação, com a promessa de fazer uma nova. Enquanto isso não acontece, caem US$ 90 mil por dia na conta das empresas donas dos rebocadores e um pagamento contínuo é realizado pelo aluguel do espaço do Porto do Forno, enquanto o que restou do heliponto não seja retirado.
Prates e sua gestão terão que enfrentar uma oposição interna para contratar novas plataformas. Segundo o diretor de Engenharia, Tecnologia e Inovação, Carlos Travassos, parte das encomendas não dependem de apoio federal. O responsável pelas compras de bens e serviços da estatal, confirma que não existe um consenso interno na companhia e que terá que fazer um esforço para contratar essas obras aqui no Brasil.
Caso os navios não forem contratados aqui, Travassos estima que uma demanda de contratação dos módulos pode ser superior ao período de 2010 a 2014, e calcula que os estaleiros nacionais processarão 70 mil toneladas de aço para a produção de módulos em 2025, volume superior ao pico de 60 mil atingido em 2014. Parece ser uma espécie de “cala boca”. Sem navios, mas com módulos. Mas ainda é cedo para se confirmar isso. São poucas as empresas em condições de fazer esses módulos e elas terão que ser escolhidas não pela Petrobrás, mas pelas empresas privadas que ganharem as licitações das plataformas. A companhia apenas fiscalizará essas construções.
A Petrobrás prevê ainda a necessidade de contratar 38 embarcações de apoio à produção de petróleo em alto mar, que podem mobilizar estaleiros de menor porte. As regras atuais de conteúdo local já garantem a demanda no país. A lei brasileira prevê preferência pela contratação de barcos de bandeira brasileira quando houver competição com estrangeiros.
A Petrobrás começa também um processo de desmantelamento de plataformas antigas, com previsão de vender 26 unidades até 2027. A primeira licitação foi vencida pela siderúrgica Gerdau, que contratou para o serviço o Estaleiro Rio Grande, no Rio Grande do Sul. O objetivo é desmontar a plataforma para uso do aço como sucata na produção de vergalhões.
Indo de encontro ao desenvolvimento
A AEPET-BA entende os enormes desafios de reconstrução e os dilemas do curto, médio e longo prazo, mas o que trouxe a Petrobrás até os seus 70 anos fora justamente sua capacidade de superar o óbvio, superamos os desafios de descoberta e exploração do pré-sal contra tudo e contra todos. Hoje esses novamente se levantam para que a Petrobrás se conforme em exportar mais de 1 milhão de barris de petróleo por dia. Seria esse mesmo o desejo do povo brasileiro, foi para isso que tão duramente ele fez a mudança? Isso não é coisa de país soberano, nem que busca desenvolvimento.
“A reindustrialização nacional, a aquisição e o desenvolvimento de tecnologias e a preparação do Brasil para desfrutar do benefício das descobertas petrolíferas não podem ser meros negócios, precisam ser valores infestáveis da Petrobrás”, defende Marcos André, presidente da AEPET-BA.
Os brasileiros precisam ficar com as dádivas da indústria do petróleo e não apenas seus males. Um país continental e desigual como o nosso não pode se contentar em ser vítima de mais um ciclo econômico, como já foi a cana-de-açúcar, o ouro e o café, para financiar a revolução industrial de outros países, construir ricos e espalhar a miséria em toda parte.
