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Dividendos bilionários pagos aos acionistas, enquanto os trabalhadores têm remunerações cortadas e condições de saúde e segurança reduzidas. Essa é a política de “austeridade” defendida pela presidenta da empresa?

A Petrobrás encerrou o 1º trimestre de 2025 com um lucro líquido de R$ 35,2 bilhões — revertendo o prejuízo registrado no fim de 2024 em decorrência de variação cambial —, e mesmo diante desse resultado expressivo, a gestão de Magda Chambriard insiste em frear investimentos e ignorar reivindicações legítimas de seus trabalhadores e trabalhadoras. Mais do que contradição, trata-se de uma política de gestão que prioriza os ganhos dos acionistas em detrimento do fortalecimento da empresa e da valorização de quem constrói seus resultados: os petroleiros e petroleiras.

O contraste é evidente. Enquanto os investimentos caíram 29% em relação ao trimestre anterior, a empresa anunciou a distribuição de R$ 11,7 bilhões em dividendos. Considerando o período entre o 2º trimestre de 2024 e o 1º trimestre de 2025, os dividendos pagos somam R$ 74,1 bilhões — ou seja, 1,53 vez o lucro líquido do período (R$ 48,2 bilhões). É a “austeridade” seletiva, que atinge os investimentos estratégicos e os direitos dos trabalhadores, mas mantém a torneira dos dividendos escancaradamente aberta.

“O resultado do 4º trimestre do ano passado, com prejuízo causado por efeitos cambiais, foi usado para rebaixar a PLR dos petroleiros. Agora, com a reversão desse cenário e ganhos cambiais, a PLR perdida não será resposta”, alerta o economista do Ibeps e da AEPET-BA, Eric Gil Dantas.

Ele explica: “A incompatibilidade com a realidade é tamanha que os acionistas não utilizam o lucro líquido como critério, e sim o fluxo de caixa livre, já que esse indicador não sofre interferências como essas”.

Além de cortar investimentos no refino (-25%) e de rever escopos de projetos estratégicos, a gestão atual tem mantido negociações trabalhistas travadas, sem diálogo efetivo com a categoria. A ausência de respostas às reivindicações mostra o descompromisso com quem sustenta a empresa diariamente. Não há justificativa aceitável para a combinação de lucro alto, distribuição bilionária de dividendos e descaso com os trabalhadores.

Em teleconferência na divulgação dos resultados, a presidente da Petrobrás, Magda Chambriard, anunciou a revisão do plano estratégico da companhia sob o argumento da queda no preço do barril de petróleo no mercado internacional. “Quando o preço desce, é hora de apertar os cintos”, afirmou, sinalizando mais cortes e contenções — menos para os acionistas, claro, que seguem sendo privilegiados com lucros extraordinários. E ela, ainda, disse que continuará gerando valor aos acionistas.

Na prática, a gestão da Petrobrás tem adotado uma política de curto prazo que coloca em risco os investimentos de longo prazo e compromete a missão estratégica da empresa no contexto da transição energética e da soberania nacional. É urgente rever a política de distribuição de dividendos e adotar uma postura mais comprometida com o desenvolvimento do país, com os investimentos estruturantes e, acima de tudo, com os trabalhadores da Petrobrás.

A AEPET-BA continuará vigilante e cobrando coerência, investimento público e respeito aos petroleiros e petroleiras, que são a verdadeira força motriz da Petrobrás.


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