A Petrobrás assinou contratos no valor de R$ 707 milhões para a contratação de novas sondas de perfuração terrestres, com foco na ampliação das operações de produção de óleo e gás em terra (onshore) na Bahia. A licitação, iniciada em abril de 2023, foi concluída em janeiro deste ano e representa um passo significativo na reativação da exploração em terra no estado, considerado o berço da indústria do petróleo no Brasil.
As novas sondas devem gerar até 530 empregos diretos e indiretos durante sua vigência, com uma expectativa de 65% de realização de conteúdo local, segundo projeções da Petrobrás. As operações ocorrerão entre setembro de 2025 e junho de 2029, com a empresa EBS Perfurações responsável por poços de até 5 mil metros de profundidade e a Conterp encarregada dos poços de até 4 mil metros.
Esse é um passo importante para a reativação da Petrobrás na Bahia, mas ainda há um longo caminho a percorrer para garantir que o onshore brasileiro volte a desempenhar um papel estratégico na matriz energética nacional.
Para o geólogo e vice-presidente da AEPET-BA, José Augusto Fernandes, o contrato é um marco para a retomada das atividades de exploração e produção de óleo e gás na Bahia pela Petrobrás, interrompidas há anos nas bacias terrestres do Recôncavo e Tucano.
“A estimativa de aumento de produção, resultante desses investimentos é bastante positiva, embora relativamente modestas se comparada às operações no mar (offshore), especialmente nos campos do pré-sal nas bacias de Santos e Campos. No entanto, essa retomada tem um significado fundamental: demonstra que a Petrobrás está resgatando seu compromisso histórico com o desenvolvimento nacional e a soberania energética”, destacou Fernandes.
Reconstruir a Petrobrás, na Bahia, é essencial. Até o golpe de 2016, e especialmente após o governo Bolsonaro, a empresa deixou de atuar como uma companhia nacional, com investimentos e atividades descentralizadas, para se tornar uma empresa focada exclusivamente no pré-sal.
Além disso, a AEPET-BA defende a reconstrução dos serviços compartilhados no Norte e Nordeste, a reativação do Centro Financeiro COFIP e a descentralização dos serviços de logística e suprimentos. Ou seja, que a Petrobrás volte a ser uma empresa nacional, enraizada em todo o território e priorizando os potenciais locais, de cada estado do país.
Isso inclui a valorização da produção e do beneficiamento da cadeia produtiva do petróleo, o desenvolvimento de energias renováveis e a ampliação da prestação de serviços estratégicos para o país.
