AEPET-BA estava presente no ato de reabertura da sede administrativa da empresa
O retorno ao Edifício Torre Pituba, no Itaigara, em Salvador, na manhã desta segunda-feira, dia 03/07, foi marcada pela emoção e alívio. Os empregados (as) do administrativo que estavam lotados no Coworking e em Taquipe comemoravam muito e distribuíam abraços apertados e demorados ao reencontrar os colegas.
Afinal, já se passaram três anos desde que o prédio foi fechado em 2020, pouco tempo depois da pandemia de Covid-19. Desde então, os empregados (as), junto com a AEPET-BA, empreenderam uma longa jornada de lutas contra o fechamento do Torre Pituba e a transferência dos petroleiros (as).
O presidente da AEPET-BA, Marcos André, a diretora de Comunicação da entidade, Érika Rebello Grisi, e a Assessoria Jurídica recepcionaram os petroleiros (as). Érika estava com a camisa da campanha “Quem está longe tem pressa”, que busca o fim das transferências e do bate/volta. Durante a reabertura, a Associação buscou apoio da atual gestão, pedindo urgência para resolver o problema que atinge cerca de mil petroleiros (as) em todo o país, inclusive a Bahia.
O ato desta segunda-feira, no andar térreo do Torre Pituba, foi apenas para a força de trabalho e contou com a presença do presidente da Petrobrás, Jean Paul Prates, gerentes e diretores da empresa. A mesa foi composta pelo presidente Prates, a diretora de Assuntos Corporativos, Clarice Coppetti e o diretor Financeiro e Relacionamento com Investidores, Sérgio Caetano Leite. Segundo Prates, nesse primeiro momento 450 empregados (as), dos 2.500 petroleiros diretos que estavam trabalhando quando a sede administrativa foi fechada, estão voltando.
Além dos prepostos da Petrobrás, usaram a palavra o coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, e a diretora do Sindipetro-BA, Elizabete Sacramento. O deputado federal, Joseildo Ramos (PT-BA) e o deputado estadual Hilton Coelho (PSOL) estiveram presentes ao ato.
Centenas de aposentados e pensionistas, portando cartazes com as reivindicações mais urgentes da categoria: fim dos equacionamentos do fundo de pensão Petros, dos descontos abusivos da assistência médica AMS e a implementação de um posto avançado da Petros no Torre Pituba também participaram do ato. Foi a aposentada Lindomar que entregou um documento com as reivindicações ao presidente Prates.
O ato de abertura, com a faixa cortada e contagem regressiva, teve como música de fundo a canção “Casa”, de Lulu Santos, em seguida centenas de trabalhadores atravessaram as catracas para acessar as estações de trabalho. Por enquanto, apenas dois andares, dos 22 do prédio, serão ocupados pela força de trabalho. O Torre conta com 224 estações de trabalho por andar, mais de 2.600 vagas de estacionamento, heliponto, e poderia abrigar quase cinco mil postos de trabalho.
Compromisso de trazer mais empregados
O presidente da Petrobrás, Jean Paul Prates, falou com entusiasmo sobre a importância da Bahia para a Petrobrás. Segundo ele, seu desafio é criar unidades de trabalho com qualidade para os empregados e tornar o Torre Pituba o melhor do país, “nós estamos preparados para tudo. Para as atividades novas, as coisas renovadas que a gente vai trazer para aqui e vai passar para trazer para cá, nós vamos de fato encher essa Torre Pituba de trabalhadores do Brasil e vamos fazer concurso”, disse ele.
Para ele, há muito a fazer na Bahia com a revitalização de mais de 50 poços de petróleo, usinas solares em terra e no mar e produção imediata de hidrogênio verde, na petroquímica e na recuperação do refino. Quando se referiu ao refino não citou o nome da RLAM.
Prates volta para Salvador, no dia 24 de julho, para a reabertura oficial do prédio.
Esperança de dias melhores
Com 12 anos de Petrobrás, Priscila Pereira Nunes, 39 anos, separada e um filho de quatro anos, não segurou a emoção quando entrou no prédio Torre Pituba. Mesmo em férias, ela decidiu participar do ato de reabertura com a esperança de começar um novo ciclo na Petrobrás e esquecer os últimos quatro anos de muito sofrimento, em especial, a partir de julho de 2019 quando começaram as transferências imotivadas. Nesse período, trabalhava no RH e foi muito difícil segurar as “bombas” dos colegas quando eram transferidos e passar pelo aprofundamento do assédio moral por parte dos gerentes que se “venderam” ao projeto de desmobilização da empresa, na gestão anterior.
Priscila Nunes muito emocionada retorna ao Torre Pituba
Por conta disso, muitos colegas decidiram antecipar a aposentadoria para evitar as transferências.
No auge da pandemia, Priscila foi transferida para o Rio de Janeiro e precisou deixar o filho pequeno sob cuidado dos avós. Assim como muitos petroleiros (as), ela passou pelo “inferno” em que se transformaram as transferências para outros estados. De repente, ela se viu com dois imóveis, um no Rio e outro em Salvador, fechados e de passagem na casa dos pais. Além de outras indefinições sobre sua situação, como por exemplo, o APT (Adicional Provisório por Transferências).
Debilitada física e emocionalmente, apresentou quadros de depressão, ansiedade, enxaquecas. De junho de 2022 a maio de 2023, Priscila ficou afastada para tratar da saúde mental e de uma Disfunção da Articulação temporomandibular (ATM). A ATM é uma anormalidade da articulação temporomandibular e/ou dos músculos responsáveis pela mastigação.
Priscila, inclusive, precisou acionar a Justiça contra a Petrobrás porque a assistência médica AMS não liberou a cirurgia. Nesse quadro de adoecimento, ela decidiu procurar a Assessoria Jurídica da AEPET-BA, que conseguiu liminar favorável na Justiça para continuar no Torre Pituba.
Agora, na reocupação do prédio, ela quer virar a página de tanto sofrimento para ela e a família e conseguiu, a partir do dia 01 de agosto, ir para área de Recursos de Responsabilidade Social (RS) onde acredita que terá um novo recomeço na empresa. Espera também que os colegas transferidos e em bate/volta consigam retornar para Salvador e poder trabalhar em paz.
A AEPET-BA vai continuar lutando até resolver a situação desses empregados. Da mesma forma, não descansará até que a RLAM seja reestatizada. Por isso, mesmo com a reabertura do Torre Pituba vai continuar buscando apoio da sociedade para a campanha “Reconstruir a Petrobrás é Reconstruir o Brasil”.
#ReconstruiraPetrobráséReconstruiroBrasil
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